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Mulheres dominam trabalhos feitos por homens

Manuel Tomás|Sumbe

Em tempos idos o papel da mulher resumia-se em cuidar dos filhos, cozinhar, tratar da roupa do esposo, filhos e de entes queridos, bem como de mais afazeres domésticos. Mas, com o decorrer do tempo, emanciparam-se e conquistaram o seu lugar no contexto nacional.

Raquel Fernando Guimarães tem 18 anos e abraçou a profissão de serralharia
Fotografia: Manuel Tomás

Em tempos idos o papel da mulher resumia-se em cuidar dos filhos, cozinhar, tratar da roupa do esposo, filhos e de entes queridos, bem como de mais afazeres domésticos. Mas, com o decorrer do tempo, emanciparam-se e conquistaram o seu lugar no contexto nacional.
Nos últimos dias vêem-se mulheres a ocupar importantes cargos no aparelho do Estado, pilotar aviões, ocupar-se da gestão de empresas de vulto, conduzir camiões, dar aulas, cuidar de doentes, assim como executar outros trabalhos.
Pelos dias que correm, muitas adolescentes e não só preferem especializar-se em cursos de secretariado, informática, contabilidade, gestão e demais profissões. Em contrapartida, há mulheres e jovens que optaram por ocupar-se de determinados ofícios, antes considerados exclusivamente para serem exercidos por homens.
A reportagem do Jornal de Angola encontrou no Bairro Novo, arredores do Sumbe, a jovem Raquel Fernando Guimarães, de 18 anos, que há mais de cinco anos abraçou a profissão de serralharia, depois de ter frequentado, com aproveitamento, um curso nesta especialidade, no centro de formação do Quacra.
Segundo ela, abraçou esta profissão por gosto e porque consegue angariar dinheiro para a sua sobrevivência, suportar as despesas da escola, assim como dos irmãos menores, já que os seus pais encontram-se desprovidos de meios de subsistência e fundamentalmente porque o ingresso nas empresas públicas ou privadas é difícil.
Raquel Fernando Guimarães disse sentir-se satisfeita com a camaradagem e o ambiente de trabalho que reina no seio do colectivo de trabalhadores da serralharia. Aconselhou as demais jovens a porem de lado o complexo de inferioridade em relação aos homens. “Devem optar por estas artes que também dignificam a mulher angolana”.
Por sua vez, o responsável da serralharia, Domingos Francisco, deu a conhecer que a empresa emprega três mestres e cinco ajudantes, entre os quais duas senhoras, e ressaltou que o desempenho delas “é de louvar”.
“Elas participam activamente na confecção de portões, formas para o fabrico de blocos, gradeamentos e janelas, o que tem contribuído positivamente para o angariamento de fundos para a empresa, e não têm complexos em perguntar algo que porventura não seja do seu conhecimento”, disse Domingos Francisco.
Na nascente do rio Cambongo, que atravessa a cidade do Sumbe, a reportagem do “JA” encontrou a senhora Julieta José dos Santos, de 47 anos, que tem a seu cargo quatro filhos menores e vive maritalmente com João dos Santos. Ela, há muitos anos ocupa-se na confecção de blocos de cimento e comercializa carradas de areia, que retira do rio.
Segundo ela, adquire o cimento no mercado informal, ao preço de mil e 500 kwanzas, e em cada saco consegue tirar quarenta e cinco blocos, que vende ao preço de oitenta e cinco kwanzas a unidade. Diariamente, acrescenta, “bate” mais de cinco sacos.
Afirmou que “este negócio é rentável, porque há muita procura, devido às inúmeras obras de construção de residências, assim como outras infra-estruturas que ocorrem um pouco por toda a cidade”.
Em relação ao negócio da areia, diz ser também rentável, mas apenas na época das grandes chuvas, onde a carrada, de aproximadamente 50 quilogramas, custa 4 mil kwanzas, contra os 3 mil kwanzas na altura em que o caudal do rio baixa.
Outras mulheres são vistas em várias partes a dedicarem-se ao comércio de pedras, que retiram dos morros que circundam a cidade, enquanto umas, desde o amanhecer ao anoitecer, frequentam os mercados como o da Feira (maior do Sumbe), o Cateque da Assaca, o do Bairro da Bumba e outras pracitas, onde fazem diversificados negócios.
Na cidade do Sumbe há também mulheres, enquadradas em cooperativas e associações, que praticam diversas profissões.
A direcção provincial da Família e Promoção da Mulher tem ajudado na concessão de micro-créditos bonificados, o que, de certa maneira, contribui para o arranque de pequenas iniciativas lucrativas.
A maior parte das mulheres empreendedoras contactadas pronunciaram-se também sobre a violência no género e são de opinião que os prevaricadores devem ser denunciados, ao passo que louvam os esforços do Governo pelas medidas que têm tomado para diminuir este mal.

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