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Mulheres traçam novas estratégias de actuação

Casimiro José | Sumbe

Os participantes no VI fórum provincial da mulher rural, realizado no Sumbe, recomendaram a realização de diagnósticos rurais participativos, como forma de envolver as mulheres na identificação e solução dos problemas que afectam o desenvolvimento social e económico.

Participantes defenderam acções de sensibilização das famílias do meio rural para combater a exploração do trabalho infantil
Fotografia: Jornal de Angola

Os participantes no VI fórum provincial da mulher rural, realizado no Sumbe, recomendaram a realização de diagnósticos rurais participativos, como forma de envolver as mulheres na identificação e solução dos problemas que afectam o desenvolvimento social e económico.
O fórum, que se realizou no quadro da jornada comemorativa do Dia Internacional da Mulher Rural, assinalado segunda-feira, decorreu sob o lema “Apoiar a mulher rural para garantir a segurança alimentar e nutricional” e contou com a presença de responsáveis e técnicos da direcção provincial e das secções municipais da Família e Promoção da Mulher na província do Kwanza-Sul, de responsáveis das organizações femininas afectas aos partidos políticos, de associações profissionais femininas, de responsáveis da UNACA e do Instituto de Desenvolvimento Agrário (IDA).
Representantes das secções femininas ligadas às igrejas, ONG, representantes do sector privado e do Instituto Nacional de Apoio à Pequenas e Médias Empresas também participaram.
Os participantes debateram temas divididos em vários painéis: o papel da mulher rural no desenvolvimento rural e garantia da segurança alimentar, a importância da agricultura familiar para a dieta alimentar e rendimento das famílias, a mulher rural e a visibilidade do seu trabalho, acções e projectos nos domínios social e económico, políticas públicas de promoção e apoio ao empreendedorismo e formas de acesso pelas mulheres.
O fórum debateu também temas sobre o impacto do crédito agrícola de campanha no seio das mulheres no meio rural.
Quanto ao papel da mulher rural e garantias da segurança alimentar, os participantes consideraram que sendo a mulher rural a responsável pelo sustento no seio familiar, deve beneficiar de oportunidades em prol da sua formação académica e profissional, a fim de responder aos desafios do milénio, bem como serem criados espaços de debate sobre os direitos e deveres das mulheres. O VI fórum da mulher rural apontou como prioridade a assistência técnica e outros meios que propiciem a melhoria e aumento da produção agrícola, em especial no processamento, industrialização, comercialização, bem como na geração de emprego no meio rural.
No painel dedicado à acções e projectos no domínio económico e social, em curso no país, consubstanciados na melhoria das condições de vida no seio das populações, os participantes ao VI forum provincial reconheceram os esforços empreendidos pelo Executivo e recomendaram a criação de associações e cooperativas, para um apoio eficiente das estruturas competentes.
Sobre as políticas públicas de promoção e apoio ao empreendedorismo e das formas de acesso aos programas específicos, o VI forum  da mulher rural constatou que as beneficiárias de crédito agrícola 2011/2012 foram assoladas pela estiagem, com o agravamento dos juros pelos bancos comerciais e recomendou a definição de estratégias que possam mitigar os efeitos nefastos daí decorrentes.
 Entretanto, apesar dos factores que contribuíram negativamente no exercício passado, o fórum recomendou a e\xpansão de bancos comerciais para facilitar o acesso dos cidadãos do meio rural.

Trabalho infantil

O fenómeno da exploração do trabalho infantil foi debatido durante o fórum, tendo os participantes reiterado que se devem realizar acções de sensibilização das famílias no meio rural, em prol da salvaguarda do futuro promissor da sociedade. Na sessão de abertura, o administrador municipal do Sumbe, Sebastião Daniel Neto, destacou o papel da mulher rural no combate à pobreza, nas diferentes etapas e circunstâncias  e disse que o Executivo continua empenhado na luta contra as assimetrias entre o campo e a cidade, promovendo acções que tornem as mulheres mais dinâmicas no processo produtivo.
 Sebastião Daniel Neto lembrou que os programas municipais integrados de desenvolvimento rural e combate à pobreza são prova de determinação do Executivo angolano na senda da erradicação da pobreza e do desenvolvimento das comunidades. 
Ao encerrar o VI fórum, a directora provincial do Kwanza-Sul da Família e Promoção da Mulher, Maria Teresa da Felicidade Cardoso, que representou o vice-governador para o sector económico, Mateus de Brito, afirmou que a quarta conferência mundial das Nações Unidas sobre a mulher rural, realizada de 4 a 15 de Setembro, em Pequim, abriu caminho para o reconhecimento do papel fundamental que a mulher desempenha na produção, gestão e utilização dos alimentos e recursos naturais.
Maria Cardoso acrescentou que, fruto do desempenho protagonizado pelas federações internacionais de produtores agrícolas, da cimeira mundial e das mulheres rurais, foi institucionalizado em 1996 o dia 15 de Outubro como Dia Mundial da Mulher Rural. “A escolha do 15 de Outubro como Dia Mundial da Mulher Rural foi uma forma de consciencializar a opinião pública mundial acerca do papel da mulher rural no fortalecimento das sociedades, da economia em geral e das famílias em particular”, frisou.
A directora provincial da Família e Promoção da Mulher recordou que as estatísticas mundiais revelam que as mulheres são responsáveis por 80 por cento da produção de alimentos básicos, sobretudo em África, Ásia e América do Sul, enquanto nos países industrializados asseguram 30 por cento da actividade agrícola.

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