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Mussende à procura do desenvolvimento

Casimiro José | Mussende

A sede do município do Mussende, Kwanza-Sul, completou, na passada semana, 46 como vila, sob o signo de progresso, fruto do empenho das autoridades administrativas e da população nos mais variados sectores sociais e económicos.

Vista parcial da sede da vila do Mussende onde decorrem várias acções sociais para melhorar o nível de vida da população
Fotografia: Casimiro José

A sede do município do Mussende, Kwanza-Sul, completou, na passada semana, 46 como vila, sob o signo de progresso, fruto do empenho das autoridades administrativas e da população nos mais variados sectores sociais e económicos.
Mussende, que ascendeu à categoria de vila em 13 de Dezembro de 1965, tem potencialidades para contribuir para o progresso da província do Kwanza-Sul e do país, mas, devido a situações adversas por que passou, apresenta baixos níveis de desenvolvimento em quase todos os sectores.
Entre outros condicionalismos, a via que liga o município a outros pontos da província apresenta um acentuado estado de degradação, embora a aposta no desenvolvimento dos munícipes e, sobretudo das autoridades, tenha vindo a permitir superar barreiras que pareciam incontornáveis.
Os sinais de desenvolvimento são hoje visíveis nos vários sectores, principalmente nos da educação e da saúde, e a esperança renasceu nos habitantes do município do Mussende, com o surgimento de iniciativas empresariais e, principalmente, com a construção de infra-estruturas de impacto social enquadradas nos programas municipais integrados de desenvolvimento rural e de combate à pobreza e de cuidados primários.
Outro factor motivador para os habitantes é a retomada da reparação da via principal que liga a localidade à sede do município da Quibala. Com a conclusão das obras, o cenário de isolamento a que está votado o município inverte-se.
A administradora municipal afirmou, ao Jornal de Angola, que o momento é decisivo para a reconstrução do município, dando prioridade aos sectores de impacto na vida da população.
“Estamos determinados a vencer as várias barreiras. Já foram identificadas as áreas em que podem incidir as nossas acções para as preocupações das populações terem resposta. Temos consciência que não podemos fazer tudo de uma só vez, mas vamos procurar atacar as áreas cujo impacto incide directamente na vida dos munícipes”, referiu a administradora.
Joaquina Gabriel anunciou que a Administração Municipal do Mussende, em colaboração com parceiros sociais, identificou as oportunidades que podem servir de mola impulsionadora ao desenvolvimento local, mas referiu que a intervenção de empresários de vários ramos é o ponto de partida para Mussende prosperar.
O município é potencialmente agro-pecuário, com terras férteis para o cultivo, entre outros produtos, do milho, feijão, jinguba, mandioca e banana.
O município do Mussende tem sete cooperativas e 44 associações de camponeses, mas a produtividade está condicionada pela falta de apoios em sementes melhoradas, fertilizantes, pesticidas e instrumentos de trabalho, como enxadas, catanas e charruas.
Outra área que absorve os habitantes do Mussende é a da apicultura, mas também aqui os produtores não têm meios que lhes permita exercer a actividade normalmente.
O chefe de secção de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Domingos Faustino, declarou, ao Jornal de Angola, que por falta de colmeias industriais e de outros equipamentos, a produção do mel na região está longe de atingir os níveis desejados.
No Mussende estão inscritos 250 apicultores, mas por falta de incentivo apenas estão a laborar 40, que pensam formar associações e cooperativas para poderem obter financiamentos de empresários e das estruturas centrais.
Domingos Faustino revelou que foram feitas muitas promessas por alguns empresários fixados de Luanda, mas que o estado crítico das vias de acesso desmotiva os potenciais investidores.
O sector do comércio na região precisa de mais operadores que forneçam bens de primeira necessidade, mas, também neste caso, o estado da estrada principal trava o desejo dos comerciantes de outros pontos da província.
A construção do sistema de água aguarda por equipamentos que têm de ser adquiridos no estrangeiro. Para obter água potável, os moradores da vila do Mussende e dos arredores têm de percorrer grandes distâncias ou recorrerem a cacimbas. Quanto à energia eléctrica, a fonte alternativa tem sido os grupos geradores, cujo fornecimento é restrito devido aos gastos com combustíveis e lubrificantes.

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