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Obras anárquicas perigam o ecossistema

Casimiro José | Sumbe

A ocupação ilegal por populares de espaços peri-urbanos para fins de construção de moradias, nos montes circundantes da cidade do Sumbe, está a perigar o ecossistema, o saneamento do meio e das infra-estruturas rodoviárias, devido à erosão dos solos.

Administrador adjunto do Sumbe
Fotografia: Casimiro José|Sumbe

A ocupação ilegal por populares de espaços peri-urbanos para fins de construção de moradias, nos montes circundantes da cidade do Sumbe, está a perigar o ecossistema, o saneamento do meio e das infra-estruturas rodoviárias, devido à erosão dos solos.
O facto está a tomar contornos alarmantes, pois a cada dia que passa estão a ser construídas casas à base de remoção das rochas que faziam a contenção dos solos.
Os responsáveis da administração do município do Sumbe atribuem a culpa a alguns populares que cedem terrenos para fins de construção sem olhar aos impactos ambientais.
Como consequência, a cidade do Sumbe começa a ressentir os efeitos, desde a saturação de esgotos até ao surgimento de várias doenças. O administrador-adjunto do município do Sumbe, Américo Sardinha, disse à reportagem do Jornal de Angola que, esgotada a possibilidade de conter a situação, com os apelos até aqui feitos, urge a necessidade da aplicação da Lei sobre as transgressões administrativas. “Já fizemos os avisos sobre o perigo que representam as escavações dos montes, quer seja no aspecto urbanístico, quer na vida dos próprios cidadãos, no caso de caírem chuvas torrenciais”, assegurou. Outra dificuldade apontada pelo administrador tem a ver com a divisão administrativa que não contempla a comuna sede.
A comuna sede, no seu entender, devia gerir os espaços peri-urbanos, e assim dar resposta a muitas questões em torno das construções anárquicas, que deviam ser tratadas por uma entidade com poderes conferidos por lei. Anunciou que a administração municipal, junto dos organismos provinciais que intervêm no processo de gestão do território, estão a estudar a possibilidade de ser identificado um espaço para permitir o realojamento de populares que construíram em locais críticos e impedir-se a evolução das erosões. Américo Sardinha apelou aos sobas a deixarem a prática de venda de espaços e a denunciarem os “oportunistas” que assim procedem. Aos populares, lançou um veemente apelo no sentido de não comprar nem construir moradias em locais perigosos, sob pena de sofrerem as consequências da aplicação da Lei sobre as transgressões administrativas.
Morro do Chingo em devastação
Os montes circundantes da cidade do Sumbe já não apresentam o manto florestal e muitos já perderam a forma original.
O morro do Chingo, que num passado recente estava livre, é actualmente o mais visado pelas construções anárquicas. O mais preocupante é o facto de a estrada nacional número 100 estar a sofrer erosões que podem evoluir para ravinas, conforme a reportagem do Jornal constatou na curva que dá acesso à entrada do bairro do Chingo. O chefe de secção de Educação ambiental, da direcção provincial do Ordenamento do Território, Urbanismo e Ambiente, Lunginge da Silva, disse que a devastação do morro do Chingo e de outros montes que circundam a cidade do Sumbe está a provocar erosões hídricas e eólicas, o que representa perigo para a existência da cidade do Sumbe.
Lunginge da Silva considerou que a erosão dos solos vai dar lugar às ravinas e os custos podem ser maiores para estancar o fenómeno. Ainda assim, advertiu que devastar os montes provoca a obstrução das linhas de águas naturais e pluviais, originando as inundações.
O chefe de secção de Educação ambiental apelou às autoridades administrativas do Sumbe para accionarem os mecanismos legais que possam inverter o actual quadro. A cidade do Sumbe começou a sentir a devastação dos montes e do manto florestal com o agravamento da situação político-militar, a partir da década de oitenta. Muitos populares, em busca de segurança, oriundos dos municípios de Cassongue, Seles, Conda, Mussende, Ebo e Quibala, entre outros, refugiaram-se no Sumbe.
As primeiras vítimas foram os cactos que, desde sempre, serviram para conter a erosão dos solos, emprestando um visual verdejante em seu redor e, mesmo com as chuvas, o Sumbe mantinha-se sempre num estado normal para o trânsito de veículos e peões.
Reconheceu na ocasião o esforço do governo local e da Organização Não-Governamental “Africare” na plantação de árvores em locais considerados críticos.
Para inverter o actual quadro, deve haver conjugação de esforços entre as autoridades e as populações, no sentido de se estancar a erosão dos solos.

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