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Oferta de salas de aula é maior do que a procura

Casimiro José| Sumbe

A situação geográfica da comuna da Ngangula, privilegiada com solos férteis, águas abundantes e inertes de capital importância para o fomento da indústria, propiciou a implantação de projectos agrícolas e industriais de vulto, com destaque para o projecto do algodão e a fábrica de cimento.

Alunos atentos às explicações da professora durante uma aula na comuna que não tem crianças fora do sistema de ensino
Fotografia: Casimiro José

A situação geográfica da comuna da Ngangula, privilegiada com solos férteis, águas abundantes e inertes de capital importância para o fomento da indústria, propiciou a implantação de projectos agrícolas e industriais de vulto, com destaque para o projecto do algodão e a fábrica de cimento. Mas a principal razão por que a comuna brilha prende-se com o facto de todas as suas crianças em idade escolar estarem a estudar.
De acordo com a administradora comunal, Angelina Jaime, em declarações à reportagem do Jornal de Angola, estão em andamento obras para melhorar a qualidade de vida da população, nos aspectos económicos e sociais. Assim, no quadro do programa de oferta e melhoria dos serviços sociais básicos às populações, a comuna foi contemplada com o projecto de construção da futura sede administrativa, da residência do administrador, posto policial e casa social. O programa contempla, ainda, a construção de uma escola do primeiro ciclo do ensino secundário com seis salas de aula. 
A falta de verbas deixa de “mãos atadas” a Administração Comunal, o que a impede de expandir a construção de escolas, postos de saúde e outras infra-estruturas sociais a localidades como Quilunda, Chicucula e Cuacra.
“Estamos determinados em abranger as localidades mais carenciadas com acções que respondam às preocupações das nossas populações. Tão logo sejam disponibilizadas as verbas, vamos, paulatinamente, procurar suprir as dificuldades que se fazem sentir”, disse a administradora comunal, Angelina Jaime.
Os sectores da educação e saúde têm um funcionamento regular. Conforme o tempo vai passando, vão-se registando cada vez mais melhorias. À guisa de exemplo, a comuna da Ngangula é a única da província que não tem crianças fora do sistema de ensino. Isso deve-se ao empenho das autoridades, que imprimiram uma grande dinâmica à construção de infra-estruturas escolares.  Com 15 escolas de construção definitiva, dispõe de 193 professores e no presente ano lectivo frequentam as escolas, da iniciação à 8ª classe, um total de 4.320 alunos.
Com a inauguração, que se prevê para breve, de mais escolas, construídas pelo Fundo de Apoio Social (FAS) e pela Fundação Eduardo dos Santos (FESA), estima-se que a oferta venha a ser muito maior do que a procura.

Saúde também vai bem

No domínio da saúde, segundo as autoridades comunais, a situação também vai bem e está sob controlo. Existem oito unidades sanitárias em funcionamento, com realce para o centro de saúde da sede comunal, que conta com 26 camas para internamento de pacientes. O centro de saúde em referência presta serviços de medicina geral, pediatria e pequenas cirurgias, enquanto nos postos de saúde dos bairros existem cuidados de primeiros socorros. Ao todo, há 17 enfermeiros a trabalhar na comuna da Ngangula.
As principais doenças que apoquentam a população são o paludismo, as diarreicas e respiratórias agudas, bronquites, conjuntivites, amebíases, gastrites, infecções da pele e anemias. A corrente eléctrica é garantida por dois grupos geradores e a água é abastecida à população a partir de um  centro de captação e tratamento construído recentemente. O grande problema reside na falta de uma rede de distribuição domiciliária e pública do precioso líquido. Angelina Jaime garantiu ao Jornal de Angola que a Administração Comunal está a trabalhar no sentido de alterar este quadro. “Tudo está a ser feito para que tenhamos este problema resolvido nos próximos tempos”, assegurou a administradora Angelina Jaime, acrescentando que as estruturas do governo provincial estavam atentas à situação.

Pecuária e agricultura

De acordo com a administradora comunal, a escassez de chuvas, que se verificou ultimamente, provocou a transumância de muito gado para outras localidades, devido à falta de pasto para uma população bovina que é constituída por oito mil cabeças. 
Apesar das dificuldades derivadas da quase ausência de chuvas, na presente época agrícola foram colhidas 122 mil toneladas de produtos, como batata-doce, milho, banana, beringelas, e outros. Na comuna existem três associações de camponeses com mais de 500  membros. 
Angelina Jaime, está optimista quanto à resolução das dificuldades que assolam os habitantes, nomeadamente em termos de abastecimento de artigos manufacturados e emprego.
Segundo a responsável, a implantação de uma fábrica de cimento na comuna criou um total de 500 novos empregos, na sua maioria preenchidos por moradores.  Outro factor em que se baseia a esperança e a auto-confiança da administradora é o funcionamento do projecto de produção de algodão que, para além de gerar muitos empregos, vai permitir o abastecimento de água potável às populações e o desenvolvimento agrícola com base no sistema de irrigação. O gado bovino vai ser beneficiado com a criação e alargamento de espaços verdes para pasto.
A criação de ovelhas é também realidade, havendo projectos de aproveitamento da lã para a indústria têxtil, além da carne do borrego que é muito procurada e comercializada em Luanda e outras províncias do país. “Temos aqui da melhor carne de borrego de Angola”, disse orgulhoso  um morador  da comuna.
O desenvolvimento social e económico da Ngangula está a ser dificultado pela inexistência de uma agência bancária. Este problema, segundo Angelina Jaime, não permite a expansão das trocas comerciais, inviabilizando a possibilidade de empreendedores e camponeses, organizados em cooperativas, acederem a créditos.
“A comuna da Ngangula tem um nível de desenvolvimento cada vez mais crescente. Temos de prever acções para cada etapa. Por isso, defendemos a instalação de uma agência bancária. Sabemos que os bancos têm critérios próprios para estabelecerem as suas agências, mas pedimos que sejam encontradas formas para que isso seja um facto também aqui na comuna da Ngangula”, frisou.

Reserva fundiária

A delimitação da reserva fundiária situada no ex-Carvalho gerou polémica, com alguns oportunismos à mistura. Angelina Jaime afirma que chegaram a realizar-se encontros clandestinos, nos quais foi alegado que a administradora comunal pretendia ocupar os espaços para fins particulares. 
“Quando delimitámos a reserva fundiária no ex-Carvalho fomos insultados, de todas as maneiras e feitios, por indivíduos que alegavam a expropriação de terras para fins pessoais. Mas depois de explicarmos que os primeiros beneficiários dos iniciais 300 hectares, preparados para a construção dirigida, seriam os que vivem na localidade, todos perceberam que afinal se tratava de um programa com visão de futuro”, esclareceu.
A responsável aproveitou ainda para pedir a todas as forças vivas locais que ajudem a fazer da comuna um destino acolhedor e desenvolvido. “Todos somos poucos para fazer da Ngangula um bom lugar para se viver e acolher as visitas com dignidade”.
A comuna da Ngangula está situada a 33 quilómetros do Sumbe, capital da província do Kwanza-Sul. Com uma superfície de 1.064 quilómetros quadrados, é constituída por 19 bairros e tem uma população calculada em 24.849 habitantes, que se dedicam, maioritariamente, à pesca, agricultura e criação de animais.

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