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Ortopedia está a enfrentar dificuldades

CASIMIRO JOSÉ e ENGRÁCIA CAMILO| Sumbe

A falta de placas para assistir os casos de fracturas de membros superiores e inferiores, resultantes dos constantes acidentes de viação, está a criar dificuldades aos serviços de ortopedia do Hospital 17 de Setembro do Sumbe.

Uma das situações que embaraçam a assistência médica à população tem a ver com o reduzido número de pessoal auxiliar
Fotografia: Casimiro José | Sumbem

A falta de placas para assistir os casos de fracturas de membros superiores e inferiores, resultantes dos constantes acidentes de viação, está a criar dificuldades aos serviços de ortopedia do Hospital 17 de Setembro do Sumbe.
O director-geral da unidade, Felizardo Manuel, disse ontem que o hospital tem registado uma procura enorme de pessoas com essas necessidades, mas a unidade não tem capacidade para dar resposta aos casos. Fruto de tal incapacidade, muitos familiares dos sinistrados recorrem a meios informais para adquirir as respectivas placas, a preço exorbitante.
Felizardo Manuel referiu que o Hospital assiste, em média, cerca de 50 casos de acidentes de viação por dia, também pelo facto da cidade ser uma zona de trânsito entre o norte e o sul do país.
A área de ortopedia, acrescentou, é a que mais regista a entrada de casos. As estatísticas referentes ao mês de Setembro deste ano, por exemplo, apontam para 1.595 pacientes, nos quais foram realizadas 191 solturas, 79 operações e 25 cirurgias urgentes.
A situação que o hospital vive actualmente já se arrasta há algum tempo, estando a província incapaz de adquirir o referido material cirúrgico, devido aos custos relacionados com a importação. O director-geral da unidade defende que o Ministério da Saúde faculte esse material, nos seus planos de importação, dado que a instituição se revela incapaz de o adquirir.
O responsável disse que a aquisição do material já constou dos planos dos fornecedores cadastrados pelo Sistema Nacional da Saúde, mas, até agora, não há resultados.
“Deparamo-nos com casos em que o sinistrado não tem capacidade financeira para adquirir as placas, quer sejam dos membros inferiores quer dos superiores, mas a sua cura depende deles”, lamentou.
Outra preocupação apontada prende-se com o avançado estado de degradação das instalações da unidade, erguida em 1952, exigindo uma reabilitação urgente, além de necessitarem de ser adaptadas aos equipamentos modernos.

Outros problemas
 
Em termos de equipamentos, referiu que os aparelhos da área de hemoterapia estão fora do limite de uso, na ordem de 70 por cento.
A unidade enfrenta ainda problemas com falta de estruturas e equipamentos para os serviços de anatomia patológica, cuja ausência obriga à evacuação para Luanda. Aliado a isso, a única centrífuga também se encontra avariada.
Para agravar a situação, o hospital apresenta uma rede de distribuição eléctrica degradada, carecendo de remodelação profunda, desde a substituição de cabos e quadros eléctricos ao único gerador, que se apresenta cansado. Felizardo Manuel disse que as estruturas governamentais já tinham manifestado a intenção de reabilitar o hospital, mas, até ao momento, não há sinais de que isso venha a acontecer tão cedo.

Reforçar quadros

Outra situação que embaraça a assistência médica tem a ver com o reduzido número de pessoal auxiliar. Actualmente, a unidade conta apenas com oito catalogadores, dos 22 necessários.
Também o número de enfermeiros é insuficiente, sublinhando o responsável que, em caso de observância do princípio de três funcionários por cama, seriam necessários 600, contra a metade que se encontra a prestar ali serviços.
O Hospital do Sumbe, com capacidade de internamento para 200 camas, presta serviços nas especialidades de medicina interna, ortopedia, cirurgia geral, urologia,      oftalmologia, estomatologia, laboratório e otorrinolaringologia.
A unidade conta com 33 médicos de diversas especialidades, dos quais apenas três angolanos, 148 enfermeiros de vários escalões e 48 técnicos de diagnóstico e terapêutica. Os serviços administrativos são assegurados por 132 trabalhadores e oito catalogadores.

Municipalização dos serviços

Felizardo Manuel salientou que, no âmbito da municipalização dos serviços de saúde, foi elaborado um programa que consiste na deslocação de médicos de várias especialidades para os centros médicos da periferia do Sumbe, com vista a tornar mais próxima a assistência às populações.
Para a concretização desse programa, decorrem obras de reabilitação nos referidos centros, para dignificar a classe médica e propiciar uma melhor assistência.

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