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População tem assistência médica especializada

Casimiro José| Cassongue

A comuna da Pambangala, no município de Cassongue, Cuanza-Sul, recebeu assistência médica através da iniciativa “Saúde Mulher nas Comunidades”, promovida pelo secretariado executivo nacional da Organização da Mulher Angolana (OMA), em parceria com o comité de especialidade médica.

Comunidade da Pambangala aproveitaou o momento para saberem do estado de saúde já que se tratou de uma oportunidade ímpar
Fotografia: Casimiro José

Médicas de várias especialidades viveram de perto as preocupações com que se debatem as populações do meio rural, em termos de saúde, durante cinco dias.
A secretária provincial do departamento para a solidariedade e aconselhamento jurídico, da OMA, Maria da Conceição Neto, disse ao Jornal de Angola que a iniciativa correspondeu às expectativas, tendo em conta o número de pacientes que afluíram às consultas de clínica geral, ginecologia e pediatria, além de aconselhamento sobre questões relacionadas com nutrição, planeamento familiar e outras.
“As pessoas que pensavam que as doenças de que padeciam não tinham cura encontraram resposta por parte das médicas e especialistas de saúde presentes na jornada de campo”, disse.
“Saúde Mulher nas comunidades" é uma iniciativa da OMA destinada a aproximar os serviços de saúde do meio rural, para garantir uma assistência humanizada e satisfazer as necessidades das populações, com destaque para as mulheres, que necessitam de assistência materno-infantil.
Maria da Conceição Neto considerou os cincos dias de campanha insuficientes, tendo em conta os inúmeros problemas existentes na comuna, e garantiu que daqui a mês e meio a equipa vai estar noutras comunidades da região.

Sentimento de dever cumprido

A cardiologista Maria Dina Segunda considerou o “Saúde Mulher nas comunidades”, uma experiência valiosa e marcante, por permitir uma intervenção de carácter patriótico e de amor ao próximo.  “Nestes cinco dias, pudemos identificar muitas patologias, através do devido diagnóstico em tempo oportuno, e as mulheres sentiram que algo de novo estava a acontecer nas suas vidas”, salientou. A médica, que coordenou a iniciativa na Pambangala, disse que a atitude de intervir na comunidade teve por base o princípio segundo o qual “o que recebemos de graça, também damos de graça às pessoas necessitadas”.
A hipertensão arterial, a desnutrição, infecções da pele, parasitoses intestinais, bócio e cárie dentária foram as doenças mais detectadas durante a jornada. Em relação à desnutrição, a coordenadora do programa referiu que o problema está relacionado com a fraca dieta alimentar, que não contempla os produtos com valor calórico produzidos na região. “Constatámos que as pessoas produzem alimentos de alto valor calórico, mas preferem venderem-nos para terem dinheiro e satisfazerem outras necessidades, ao mesmo tempo que desvalorizam a importância de consumirem alimentos saudáveis", frisou.
A iniciativa envolveu duas médicas obstetras, quatro de clínica geral, uma cardiologista, técnicos de laboratório, 16 enfermeiras, seis técnicos de farmácia e dez de saúde locais.  Em termos estatísticos, a cardiologista considerou satisfatórias as metas atingidas e mencionou que durante os cinco dias foram atendidas 1.444 pessoas, das quais  495 em clínica geral, entre homens e mulheres, 449 crianças em pediatria, 219 mulheres em obstetrícia, nove em ginecologia e 17 em nutrição.
Foram vacinadas 321 pessoas contra o sarampo, tétano, pneumo-13 e Pentavalente e 448 de ambos os sexos realizaram exames laboratoriais.

População agradece

A permanência da equipa de médicas e especialistas de saúde na comuna da Pambangala foi considerada pela população uma oportunidade ímpar nas suas vidas.
Joaquina Moisés vive na aldeia da Chateca, mas percorreu os quatro quilómetros que separam a sua localidade da sede comunal da Pambangala para conhecer o seu estado de saúde. Depois da consulta, disse ter ficado impressionada pela forma como foi atendida.
“Sentia muita dor no corpo, mas não conseguia encontrar resposta em relação à doença de que padecia. Mas depois de ser consultada, a médica disse-me que estou com um princípio de anemia. Felizmente já me deram medicamentos para combater a dor que sinto", disse satisfeita.
Feliciana Semente, 50 anos, residente no bairro Galanga, sofre de furúnculos há já algum tempo, mas nunca tinha consultado um médico. “Aproveitei para explicar o que sinto aos médicos que aqui se encontram. Receitaram-me pomada e outros medicamentos”, concluiu.

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