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População volta a ter água nas torneiras

Casimiro José | Cassongue

Os habitantes de Cassongue, Kwanza-Sul voltaram a ter a água potável nas torneiras, com a inauguração do sistema de captação de água, reabilitado no quadro do fundo de gestão municipal.

Populares alegram-se por não terem mais de percorrer grandes distâncias para obter o líquido precioso
Fotografia: Caimiro José

Os habitantes de Cassongue, Kwanza-Sul voltaram a ter a água potável nas torneiras, com a inauguração do sistema de captação de água, reabilitado no quadro do fundo de gestão municipal.
Há mais de 20 anos que o sistema anterior foi destruído pela guerra e em 2006 a situação voltou à normalidade com a sua reconstrução, mas apenas durou oito meses. A população ficou novamente privada de água potável.
 Como recurso, as populações passaram a consumir água dos riachos e cacimbas.
Hoje, o quadro é completamente diferente. A inauguração do sistema de captação, tratamento e distribuição de água, enquadra-se no âmbito dos 47 anos de elevação de Cassongue à categoria de vila, assinalado no passado dia 16 de Maio.
O administrador municipal de Cassongue, Luciano Guli, disse ao Jornal de Angola que as obras de reabilitação do sistema duraram seis meses e custaram aos cofres do estado 16,5 milhões de kwanzas.
“Estamos satisfeitos com a conclusão do sistema de captação e distribuição de água potável e o impacto na qualidade de vida das populações foi imediato, pois as pessoas deixaram de percorrer longas distâncias parase abastecerem e estamos seguros de que as doenças, resultantes do consumo de água imprópria, vão diminuir”, disse Luciano Guli.
 
Reparação de estradas

As estradas do município estão a ser reparadas. Estão em curso os trabalhos de terraplanagem na via entre Cassongue e o Seles.
 Ao mesmo tempo entrou em obras a estrada que liga à comuna do Atome.
A estrada vai permitir a circulação de pessoas e bens. São obras de grande vulto que vão melhorar a rede viária municipal.
O administrador Luciano Guli disse que com as vias rodoviárias em boas condições, o município de Cassongue tem muito para oferecer, sobretudo nos sectores agro-pecuário, mineral, turístico e cultural. Sofremos muito com a guerra e os estragos desses tempos ainda hoje condicionam o desenvolvimento”.Luciano Guli está optimista quanto ao desenvolvimento do município e espera que haja financiamento para as grandes obras de reconstrução das infra-estruturas sociais e económicas: “estamos seguros que e vamos dar resposta aos anseios das nossas populações. Não o fazemos de forma como desejamos, porque estamos limitados financeiramente”.
O administrador de Cassongue apontou como prioridade a reabilitação da mini-hídrica, a construção de um hospital municipal, a execução do programa de construção de casas e reparação e do sistema de iluminação pública.O administrador municipal de Cassongue pediu aos habitantes para colaborarem e se empenharem nas tarefas de reconstrução. Os sectores da Saúde e da Educação em Cassongue conheceram melhorias, fruto de vários projectos executados pelo Governo Provincial do Kwanza-Sul.
 O município tem um hospital, sete postos de saúde e um corpo clínico composto por três médicos e 141 enfermeiros e auxiliares.
As principais doenças na região são a malária, diarreias, respiratórias e anemias.
Em Cassongue existem 31 escolas, muitos delas em más condições.Para o presente ano lectivo foram matriculados 27.411 alunos da iniciação à 12ª classe. O município conta com 732 professores efectivos.
Por falta de escolas e de professores, estão fora do sistema do ensino nove mil crianças, em idades escolar que vão dos cinco aos 14 anos, alunos que não encontraram vagas para darem prosseguimento aos seus estudos.
O administrador municipal acredita em melhores dias, já que existe uma grande vontade do governo da província do Kwanza-Sul em mudar o actual quadro.
Enquanto a situação prevalecer, o sector da Educação, em coordenação com a administração, vai procurar encontrar soluções para que todas as crianças tenham acesso ao ensino.
“Vamos trabalhar nesse sentido e creio que a situação poderá, em breve, ser resolvida. Temos consciência que o governo também está preocupado, porque trata-se de crianças em idade escolar e que merecem estar enquadradas, senão corremos o risco de alimentar a delinquência”, afirmou.
Relativamente aos alunos com idades avançadas e que não encontram vaga para prosseguirem os estudos, Luciano Guli diz que essa situação também está a ser analisada a nível das estruturas centrais. 

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