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Portadores de deficiência incentivados a pescar

Carlos Bastos| Sumbe

O presidente da Associação Nacional dos Deficientes de Angola (ANDA), Silva Lopes Etiambulo, anunciou na quinta-feira, no Sumbe, que estão criadas as condições para incrementar o projecto de pesca artesanal, que vai absorver cerca de 20 famílias.

A Associação dos Deficientes de Angoloa prevê dentro dos seu plano criar condições para que os seus associados sejam alfabetizados
Fotografia: Jornal de angola

O líder da associação acredita que, quando os programas forem aprovados na totalidade, vão surgir outras iniciativas de inserção na vida produtiva dos deficientes, nas componentes de recauchutagem, serralharia, corte e costura, sapataria, pesca artesanal, entre outros.
Lopes Etiambulo entende que, além das áreas de prestação de serviços, há necessidade de se imprimir maior dinâmica ao incentivo à agricultura a nível do município de Mussende, parcela que possui terras aráveis. Para a concretização deste objectivo, Lopes Etiambula referiu que a direcção da ANDA, através do projecto “Vem comigo”, na sua quinta fase, vai apoiar a criação de subprojectos de pesca artesanal no Kwanza-Sul, para permitir a reintegração de outros 60 deficientes em diversas componentes inseridas no projecto.
Neste capítulo, defendeu a inserção de programas que incentivem a abertura de oficinas de carpintaria e salões de beleza.
Nos municípios em que a ANDA não possui espaços, Silva Lopes instou os deficientes a identificarem-se, junto das respectivas administrações, para avançarem propostas no sentido de beneficiarem dos projectos em carteira, tal como acontece com o Bié e Huambo. Nestas províncias, os deficientes de cada município encontram-se organizados em cooperativas agrícolas e de prestação de serviços.
O presidente da ANDA reforçou que a quinta fase do projecto “Vem comigo” consiste na consciencialização do deficiente para participar nas aulas de alfabetização e ensino, na formação profissional e na criação de um determinado projecto, em que se possa trabalhar e recolher os deficientes que se encontram nas ruas de várias cidades, para a sua reintegração na família e na sociedade.
Silva Lopes reconheceu que os apoios do Governo do Kwanza-Sul permitiram a aquisição e criação de moagens, recauchutagens, máquinas de costura, equipamentos para a montagem de carpintaria e serralharia. Nesse sentido, pediu o reforço de acções para promover a criação de animais no município do Seles, assim como o apoio e incentivo à agricultura a nível do Mussende.
O projecto da quinta fase é ministrado e financiado pelo Ministério da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPESS), cuja administração está a cargo da Fundação Lwini, cabendo à ANDA a coordenação de todas actividades.

Assistidos locais

O delegado provincial da ANDA no Kwanza-Sul, Araújo Júlio, afirmou estar preocupado com a situação de vida degradante em que vivem os seus assistidos. Do seu ponto de vista, o actual nível de vida das pessoas portadoras de deficiências é preocupante, o que requer a sensibilidade não só do Executivo, mas de todas as forças da sociedade. Entre os aspectos negativos, apontou as péssimas condições habitacionais, o desemprego e os ínfimos valores monetários que os deficientes recebem de pensões.
Em função disso, defendeu o aumento das pensões dos deficientes físicos de guerra, para que possam, também, melhorar as suas perspectivas de vida pessoal. Apesar de actualmente as pensões estarem a ser pagas com regularidade, os 18 mil kwanzas não são suficientes para fazer face ao actual custo de vida no país, acrescentou.
Araújo Júlio pediu aos associados para não mostrarem qualquer conduta de vida que manche a moral e os princípios cívicos, uma vez que “não se pode trocar a consciência pela deficiência”. Neste momento, o projecto “Vem comigo” vai abranger 6.750 portadores de deficiências em todo o país, contando com o apoio dos ministérios da Administração Pública, Trabalho e Segurança Social (MAPESS), Antigos Combatentes e Veteranos da Pátria e Fundação Lwini.
Na província do Kwanza-Sul, a associação tem registados 4.127 portadores de deficiências.

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