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Programa da ONU promove no Amboim exploração de café e produtos hortícolas

Manuel Tomás | Kilenda

O Programa das Nações unidas para o desenvolvimento (PNUD) lançou na Quilenda um projecto de apoio ao relançamento da produção de café que vai beneficiar mais de seis mil famílias dos municípios do Amboim, Quilenda e Cassongue e tem o financiamento de Espanha, que disponibilizou 500 milhões de kwanzas.

A revitalização da produção do café em Angola constitui uma aposta na perspectiva de um desenvolvimento inclusivo e sustentável
Fotografia: Jornal de Angola

O Programa das Nações unidas para o desenvolvimento (PNUD) lançou na Quilenda um projecto de apoio ao relançamento da produção de café que vai beneficiar mais de seis mil famílias dos municípios do Amboim, Quilenda e Cassongue e tem o financiamento de Espanha, que disponibilizou 500 milhões de kwanzas.
O coordenador do projecto, Anastácio Roque Gonçalves, informou que a iniciativa visa promover e desenvolver cadeias de valor, com realce para o sector do café.
Por isso existe uma parceria com o Instituto Nacional do Café (INCA). O programa termina em Julho mas pode ser renovado anualmente.
O programa inclui o fomento da piscicultura (processamento do pescado) em Cabo Ledo, do turismo na província do Kwanza-Sul e, com o fundo das Nações Unidas para a Alimentação (FAO), da produção hortícola. Também está em curso um programa de desenvolvimento de cadeia de valor da soja nas províncias do Huambo e Bié.
Além do Kwanza-Sul, o PNUD leva a cabo programas nas províncias de Luanda e Benguela, onde vai ajudar a desenvolver o turismo.
Anastácio Roque Gonçalves esclareceu que os projectos, financiados pela Cooperação Espanhola, estão na fase inicial e “o nosso objectivo é promover o empreendedorismo, assistência técnica e dar formação aos interessados dotando-os de conhecimentos de como gerir o seu próprio negócio”.
O programa do PNUD “Desenvolvendo Negócios Sustentáveis” prevê a criação de associações que mais tarde vão ser transformadas em cooperativas e dotadas com máquinas de descasque do café.
O director-geral adjunto do Instituto Nacional do Café (INCA), José Mainga, reconheceu a importância que a cafeicultura representa na economia nacional, por isso o Executivo tem programas com vista à sua revitalização com apoio de parceiros, entre eles o PNUD.
O projecto assenta em três linhas principais: apoios para a produção do café, associativismo e cooperativismo e agro negócio. O director-geral adjunto do INCA pediu aos cafeicultores para produzirem mais mudas nos viveiros e aumentarem as áreas de cultivo a fim de se obterem níveis satisfatórios nas próximas safras. Por isso, vão ser introduzidas novas técnicas de produção do café. />Explicou a necessidade dos produtores se enquadrarem em associações e cooperativas, para que o Executivo disponibilize incentivos através das brigadas técnicas do INCA. José Mainga, esclareceu que o preço do café depende da sua qualidade. Por isso vão ser introduzidos mecanismos para a certificação do grão. A região da Quilenda é privilegiada por produzir café sem necessidade de adubo ou fertilizantes. O coordenador geral da cooperação Espanhola em Angola, Josep Puig, frisou que a revitalização da produção do café em Angola constitui uma aposta e meio de desenvolvimento inclusivo e sustentável. A história da produção do café em Angola começou no ano de 1835. Nessa data era produzido na província do Kwanza-Norte e em 1890 nasceram as primeiras plantações no município do Amboim.
 Josep Puig informou que uma das razões que levou a cooperação Espanhola a apostar no projecto “Desenvolvendo Negócios Sustentáveis”, é por constituir um meio de reforço dos pequenos e médios produtores agrícolas e um meio eficaz de erradicação da pobreza no quadro dos Objectivos do Milénio.

Beneficiários satisfeitos

Os beneficiários do projecto louvam a iniciativa do Executivo  e parceiros sociais, na revitalização da produção do café: “sentimo-nos regozijados pelo apoio que o Instituto Nacional do Café (INCA) através da brigada técnica nos tem dado, no sentido de organizar os cafeicultores e agricultores no sistema de associativismo e cooperativismo”, refere uma mensagem dos produtores de café.
O documento aponta como dificuldades na produção, a falta de meios financeiros para os custos com a força de trabalho manual, meios de transporte para o escoamento da produção, tractores para a lavoura, máquinas de descasque do café e infra-estruturas afins.
A cerimónia do lançamento do projecto decorreu na associação de camponeses e produtores do café de Casussua. Estiveram presentes várias individualidade, entre os quais  a administradora do município da Quilenda, Maria Caimboa Monteiro, o representante do PNUD em Angola, Olaf Juergnsem, responsáveis do Instituto Nacional do Café (INCA) e outros convidados.

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