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Projecto Terra do Futuro forma jovens fazendeiros

Domingos dos Santos | Quibala

Mais de 100 hectares foram cultivados com milho, feijão, abacaxi e hortaliças no Projecto Terra do Futuro, município da Quibala, um ano depois da sua inauguração.

Fotografia: Eduardo Pedro

Mais de 100 hectares foram cultivados com milho, feijão, abacaxi e hortaliças no Projecto Terra do Futuro, município da Quibala, um ano depois da sua inauguração. O projecto, avaliado em 14 milhões de dólares, dos quais nove milhões financiados pelo Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), está a formar jovens empresários agrícolas.
Neste momento, dez das 40 fazendas previstas para a conclusão da primeira fase do Projecto Terra do Futuro, já começaram a ser preparadas para o início da produção agrícola no início do próximo ano.
“Neste primeiro ano de existência do Projecto Terra do Futuro, construímos as infra-estruturas de formação e apoio aos futuros empresários agrícolas, já começámos com o parcelamento das fazendas e no início do próximo ano são construídas as primeiras casas nas dez fazendas onde os trabalhos de desmatação já começaram”, explicou o director do projecto, Edgar Samacumbe.
“Temos uma área de 100 hectares cultivados pelos jovens fazendeiros. Está a ser desmatada e lavrada uma área de 400 hectares”, disse Edgar Samacumbe.
Amilcar Samuel faz parte de um grupo de dez jovens, com idades entre os 21 e os 27 anos. Foi o primeiro a chegar à fazenda que está a ser desmatada e que depois vai cultivar. Os seus colegas são estudantes do curso de agronomia nos Instituto Superior Politécnico do Kwanza-Sul e na Faculdade de Ciências Agrárias do Huambo. Estão juntos no Projecto Terra do Futuro que forma empresários agrícolas. Maria Joana, que fez a sua formação média em agronomia no Huambo e está a fazer o curso superior em agronomia no Instituto Superior Politécnico do Kwanza-Sul, ingressou no Projecto Terra do Futuro através da parceria existente entre a sua escola e o projecto.
“A partir daí participei num concurso público, fui apurada e cá estou”, explicou à nossa reportagem, acrescentando que “temos seis meses de formação para aperfeiçoar mais o nosso curso, principalmente na área de gestão de empresas, de solos, para mais tarde gerirmos as nossas fazendas”.
O director-geral do projecto Terra do Futuro, Manuel João, disse que os jovens, depois da formação, vão receber fazendas de 250 hectares à volta da área onde foram construídas as infra-estruturas de apoio ao projecto.
Edgar Samacumbe anunciou que nos primeiros meses do próximo ano os empresários agrícolas em formação podem começar a preparar o solo e a lançar as primeiras sementes à terra”. Em Janeiro de 2011 é feito um balanço sobre a evolução do projecto em termos de culturas e divulgação dos resultados.
“Durante sete anos, o Projecto Terra do Futuro faz a consultoria e assistência às fazendas. Todos os fazendeiros fazem parte de uma cooperativa e a partir daí é o corporativismo entre o projecto e os fazendeiros para que o produto aqui produzido possa ter um bom preço e uma boa qualidade”, afirmou.
O director-geral do projecto informou que as fazendas são propriedade dos futuros empresários.
A devolução do empréstimo ao BDA, explicou, é feita através da produção, por isso, garantiu que a produção das fazendas vai ser elevada, para que o empresário agrícola consiga pagar o financiamento e ter lucro todos anos para ele e a sua família poderem viver bem.

BDA financia o projecto

Bonifácio Sessa, do Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA), recordou que a agricultura deve exercer um grande papel no crescimento de Angola, particularmente na diminuição das importações, aumento da oferta de emprego, na fixação das pessoas no campo e no fornecimento de matérias-primas para a indústria.
“Apelamos a todos os fazendeiros que façam uma boa agricultura para terem produtos de qualidade que possam estar em qualquer prateleira de supermercado deste país sem ficarem a dever absolutamente nada aos produtos importados”, disse.
De recordar que na inauguração do projecto, o Presidente do Conselho de Administração do BDA, Paixão Franco, frisou  que não teve dúvidas em apoiar o projecto, tendo apenas exigido alguns acertos técnicos que foram feitos.
“Temos muitas esperanças num projecto desta natureza por ser o primeiro do género e pensamos tirar dele boas experiências”, disse Paixão Franco na altura, acrescentando que está a ser bem aproveitada uma zona com potencial agrícola mas que nunca foi explorada.
“Para nós isto tem um grande significado, porque tem também como grande propósito a promoção de novos empresários agrícolas”, sublinhou. Os futuros jovens empresários foram seleccionados pelos responsáveis do projecto, sendo na sua maioria estudantes finalistas de agronomia de nível médio e de nível superior.
“O Banco está a financiar uma empresa que no curto prazo tem como missão infra-estruturar uma área grande, lotear e legalizar as terras, que depois serão repassadas aos potenciais proprietários, que também serão financiados pelo BDA a longo prazo”, explicou Paixão Franco, para quem o projecto, tal como está concebido, vai ter sucesso.
O Presidente do Conselho de Administração do BDA afirmou que aquela instituição bancária está aberta a apoiar outras iniciativas empresariais.

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