Províncias

Projectos sociais mudam Quilenda

Casimiro José | Quilenda

As obras sociais no município da Quilenda, província do Kwanza-Sul, estão a mudar a vida dos munícipes. O quadro actual é completamente diferente do que existia há um ano, com os principais serviços sociais básicos à população a funcionarem.

A vila da Quilenda por iniciativa dos governos central e local está transformada num verdadeiro canteiro de obras
Fotografia: Casimiro José

As obras sociais no município da Quilenda, província do Kwanza-Sul, executadas no quadro do Fundo de Gestão Municipal, estão a ter um impacto positivo na vida dos munícipes.
O quadro actual é completamente diferente de há um ano. Os principais serviços sociais básicos à população funcionam com dinamismo. Os habitantes da sede municipal da Quilenda e arredores estão satisfeitos com o nível de bem-estar alcançado em tão pouco tempo, e encaram com optimismo o futuro da vila. 
O contacto com o resto do país e do mundo foi garantido pela operadora de telemóveis Unitel, que instalou uma antena na sede municipal, permitindo as comunicações dos habitantes locais entre si e com o exterior. 
A vila apresenta muitos imóveis reabilitados ou em fase de reabilitação, o que vem confirmar o dito popular segundo o qual “o pouco bem aplicado, produz resultados que satisfazem a todos”.
A administradora municipal da Quilenda, Maria Caimboa Monteiro, é uma mulher de trato fácil, que recusa a burocracia. Ela é vista muitas vezes fora do seu gabinete a tratar dos problemas do município. 
A administradora Maria Monteiro disse ao Jornal de Angola que a administração recebe poucas verbas mas apesar disso está a desenvolver, desde há um ano, 14 projectos de âmbito social para dar resposta às necessidades da população. Decorre neste momento a construção de três escolas primárias, a requalificação de passeios e lancis, a reabilitação da rede eléctrica domiciliária e pública e a construção de um parque infantil. Estes projectos faziam parte do plano do ano passado mas passaram para este ano por falta de verbas.
Está ainda em carteira a execução do projecto do Governo Provincial para a construção do sistema de captação, tratamento e distribuição de água e a conclusão da reabilitação da via rodoviária que liga a sede municipal ao Amboim.
Actualmente, a Administração Municipal abastece água à população da sede e arredores através de camiões cisternas, um processo muito oneroso em termos de combustíveis e lubrificantes. Daí que todos na Quilenda aguardem com expectativa a materialização do sistema de captação, tratamento e distribuição de água.
 
Reabilitação da estrada

A empreitada de reabilitação da estrada que liga Quilenda à Gabela, num troço de 43 quilómetros, está entregue à construtora Minuíla, cujas máquinas se encontram no terreno a trabalhar. Actualmente, é necessária apenas uma hora para o trajecto da Gabela para Quilenda, contra as três ou quatro horas num passado recente. Mesmo ainda não asfaltada, a via já garante segurança aos automobilistas. E no percurso já estão a trabalhar vários operadores de transportes públicos.
Em termos de saúde, muito ainda tem de ser feito. Com uma população de aproximadamente 100 mil habitantes, o município da Quilenda tem um centro médico na sede, postos de saúde na comuna de Quirimbo e nas localidades de Xariaia e Cassússua. A assistência é garantida por dois médicos e 53 enfermeiros. As autoridades sanitárias do município querem construir uma maternidade e mais postos de saúde nos maiores aglomerados populacionais.
O sector de educação também atravessa enormes dificuldades. Existem sete escolas de construção definitiva, das quais quatro em estado notório de degradação. No presente ano lectivo frequentam a escola 18.483 alunos da iniciação, primeiro ciclo e educação de adultos, estando ao serviço 439 professores.
Por falta de escolas e professores, o município tem mais de seis mil crianças fora do sistema do ensino. Para resolver as carências, os responsáveis ligados ao sector anunciaram que são necessários 150 professores e a construção de mais cinco escolas.
 
Agricultura e turismo
 
Segundo a administradora municipal da Quilenda, a previsão para a actual época agrícola é muito animadora. Maria Monteiro afirmou que os camponeses estão apostados em aumentar as culturas para fazerem a venda dos excedentes, com os olhos postos no escoamento através da estrada melhorada.
O sector da hotelaria e turismo precisa de intervenção urgente. Na sede municipal existe apenas uma pensão. A administradora da Quilenda está preocupada com o estado de “abandono” em que se encontram as Quedas do Caio e as lagoas de Xinja Mbumba e Kalufelofelo. Lança um apelo à intervenção séria dos empresários ligados ao sector do turismo e um repto muito particular aos naturais da Quilenda espalhados por Angola e pelo mundo, no sentido de se juntarem aos esforços da reconstrução do seu torrão natal. 
“Estamos na fase de reconstrução nacional e é necessária a contribuição de todos os que se revêem na Quilenda, para com o seu saber e meios materiais ajudarem a tornar o nosso município mais acolhedor e hospitaleiro”, disse.
A maioria dos munícipes que a reportagem do Jornal de Angola interpelou atribui os êxitos alcançados até aqui ao executivo liderado pela administradora Maria Caimboa Monteiro. Manuel dos Santos Júnior disse que a escolha do executivo da Quilenda foi das mais acertadas. “As autoridades administrativas do município consultam permanentemente as populações sobre o que mais necessitam, permitindo-lhes identificar as principais preocupações comunitárias, tudo na base da gestão participativa”, disse o munícipe.
O padre Ferreira Bernardo, da paróquia da Quilenda, também elogia a Administração. “O actual cenário da vila e arredores da Quilenda é obra do empenho e dedicação da administradora municipal e da sua equipa. Apesar das adversidades conjunturais souberam aplicar os recursos financeiros postos à sua disposição. Não há quem não agradeça esse empenho”, frisou o sacerdote.

Tempo

Multimédia