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Projectos traçados estão em execução

Casimiro José | Cassongue

Cassongue, no Kwanza-Sul, que em 16 de Maio completou 46 anos como vila, continua a dar passos seguros na reconstrução das estruturas socio-económicas, como confirmou, ao Jornal de Angola, o administrador municipal, ao anunciar que dois dos 21 projectos elaborados estão concluídos, dez a ser executados e os restantes pendentes apenas por razões financeiras.

Administrador Luciano Guli
Fotografia: Casimiro José

 

Cassongue, no Kwanza-Sul, que em 16 de Maio completou 46 anos como vila, continua a dar passos seguros na reconstrução das estruturas socio-económicas, como confirmou, ao Jornal de Angola, o administrador municipal, ao anunciar que dois dos 21 projectos elaborados estão concluídos, dez a ser executados e os restantes pendentes apenas por razões financeiras.
Luciano Guli manifestou-se preocupado com a rotura no abastecimento de água potável à sede municipal devido a uma avaria no sistema de captação, tratamento e distribuição. O governo provincial já aprovou um novo projecto, que aguarda financiamento.
 A alternativa encontrada pelas populações são “as cacimbas e o acarretar a água dos rios em condições desgastantes”.
 Apesar desta e de outras contrariedades, o administrador faz um balanço positivo das metas alcançadas, garantindo, por exemplo, que decorrem a bom ritmo projectos de espaços verdes e de lazer e que já há um estudo de viabilidade técnica para a reabilitação da mini hídrica, nos arredores da sede municipal, que vai melhorar o fornecimento de energia eléctrica à vila.
 “A equipa técnica constituída para o estudo de viabilidade técnica para a reabilitação da mini hídrica já terminou os trabalhos e, em caso de financiamento, a situação do fornecimento de energia eléctrica vai melhorar significativamente, relançando o sector industrial na região”, frisou.
 Entre as prioridades da administração municipal, referiu, está a requalificação urbana da vila, que quando acontecer “vai atrair investimentos e ampliar a rede de serviços no município”.
 Os maiores ganhos das populações nos últimos tempos, frisou, são a expansão dos sinais da Televisão Pública de Angola, da Rádio Nacional e da Unitel e a recepção regular do Jornal de Angola e Jornal dos Desportos.
 O abastecimento de combustível, sublinhou, também deixou de constituir problema desde que a Sonangol instalou na vila um posto que permite aos seus munícipes adquirirem os derivados do petróleo.
Ao contrário, a iluminação pública está muito aquém do desejável, pois o único grupo gerador, de 250 KVA, “não cobre sequer as necessidades da sede municipal” em termos de rede pública e domiciliária.
 
Saúde e Educação
 
O município tem um hospital e quatro centros de saúde, com três médicos e 64 enfermeiros, dois dos quais técnicos médios, um do quarto escalão, três do segundo e 23 do primeiro.
O hospital municipal, com capacidade para 60 camas, presta serviços nas áreas de medicina geral, pediatria, maternidade e de clínica geral.
O director do estabelecimento declarou, ao Jornal de Angola, que além de uma sala, são precisos especialistas, pois começam a haver “muitos casos de tuberculose”.
Paulino do Nascimento disse que “o retorno das populações ao município tem de ser acompanhado da disponibilidade de serviços de saúde”, pelo que são necessários mais quatro médicos para as áreas de ginecologia e de pediatria.
As doenças mais frequentes são as diarreicas, respiratórias agudas, malária, tuberculose e as ligadas à desnutrição.
O sector da educação em Cassongue, afiançou o chefe de repartição municipal, está em franco crescimento, havendo 33.826 alunos, da iniciação ao ensino médio, matriculados no presente ano lectivo, que contam com 643 professores.
Ao todo, afirmou Alfredo Arcanjo, funcionam em pleno 29 escolas, a que correspondem 342 salas de aula. 
Fora do sistema de ensino estão 13 mil crianças por falta de estabelecimentos e de professores, mas, salientou, a partir do segundo trimestre deste ano, o quadro pode alterar-se, com a chegada de mais 183 professores dos 300 que o município necessita para completar o seu quadro de pessoal no sector da Educação e Ensino.

 Agricultura e comércio
 
A queda regular de chuvas, dizem as autoridades, vão permitir boas colheitas de cereais e permitir o combate à fome e à pobreza.
Os avanços na agricultura, sublinhou o administrador, são notórios porque os camponeses estão empenhados em aumentar a produção devido ao apoio material e de imputes que o Governo concede.
Quanto à agro-pecuária, o município tem 24 mil cabeças de gado, número considerado satisfatório para as necessidades de consumo e para o uso na tracção animal e de transporte de mercadorias.
O comércio, ao contrário, está longe de satisfazer as necessidades porque, disse, ao Jornal de Angola, o chefe de secção, Ribeiro Chiteculo, o município não tem uma única agência bancária para apoiar os 25 agentes económicos licenciados. Os poucos que resistem, fisou, fazem-no à custa de grandes sacrifícios. O município conta com 60 estabelecimentos comerciais.
O município também tem um grande potencial turístico, com realce para a Pedra de Sino, pinturas rupestres do Jole e da Pambangala e “outros locais que precisam de recursos financeiros para a sua conservação e exploração”.
O administrador de Cassongue apelou aos empresários, naturais e amigos do município, que se juntem aos esforços do Governo para a concretização das metas traçadas, em prol da resolução dos problemas sociais e económicos dos habitantes da região.
O soba grande Antunes Caiumbuca, de 80 anos, congratula-se com os esforços que o governo está envidar na reconstrução do município e citou como exemplos a construção da administração municipal, a nova residência do administrador, casas de passagem, terraplanagem das estradas e vias terciárias e de escolas e postos de saúde.

Histórico

Cassongue, sede do município com o mesmo nome, dos que mais sofreu com a guerra, foi elevada à categoria de vila em 16 de Maio de 1964, através da portaria nº16228, assinada pelo então administrador Sebastião de Assa Castelo Branco.
Está situada a 200 quilómetros do Sumbe, pela estrada do município do Seles, cujo estado de degradação obriga a que se utilize a rota da Quibala e da Cela, num percurso de 347 quilómetros.
Administrativamente o município está dividido em quatro comunas, Cassongue, a sede, Atome, Dumbi e Pambangala. Tem 5600 quilómetros quadrados e 120.750 habitantes.
Região potencialmente agrícola, considerado um dos celeiros do Kwanza-Sul, abastece os mercados do município da Cela e das sedes provinciais do Huambo e Bié, com milho, feijão, batata-doce e rena, ginguba, abacaxi e horto frutícolas.
 
 

 

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