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Quibala na rota da produção de sementes agrícolas

Após mais de 30 anos inoperante, a reactivação da fazenda Matogrosso Camana, arredores do município da Quibala, na província do Kwanza-Sul, trouxe a esperança de melhores dias ao sector da agricultura.

Engenheiro agrónomo Fernando Carreiras explica que os níveis de produção estão acima das oito toneladas por hectar
Fotografia: Adalberto Ceita

Após mais de 30 anos inoperante, a reactivação da fazenda Matogrosso Camana, arredores do município da Quibala, na província do Kwanza-Sul, trouxe a esperança de melhores dias ao sector da agricultura. Está em marcha um projecto de produção de semente melhorada de milho e de feijão.
O director administrativo da fazenda Matogrosso Camana, António Gonçalves, disse que as condições estão criadas para colocar um ponto final na importação destes dois imprescindíveis meios de cultivo. No início de 2006, a fazenda estava em estado de abandono. A recuperação começou nesse mesmo ano. O homem que tem pela frente a missão de administrar aproximadamente dois mil hectares, recorda que foi necessário um amplo trabalho de desmatação do terreno que culminou com a construção das infra-estruturas como armazéns, oficinas, parque de máquinas, sistemas de rega e silo de armazenamento.
Apesar de existirem outros projectos, a produção de sementes anima os técnicos que prestam serviço na fazenda. A fazenda fez um contrato, há dois anos, com o Ministério da Agricultura, para a produção de semente. Neste momento, António Gonçalves tem o pensamento concentrado na qualidade dos produtos. Mas nem tudo é motivo de satisfação. As culturas estão expostas a riscos de pragas e as avarias limitam as máquinas. O director administrativo da fazenda lembra com tristeza a dificuldade enfrentada no ano passado, em consequência da avaria numa das máquinas. A colheita foi feita à mão, e os prejuízos foram grandes. “Temos todos os materiais disponíveis para cumprir a nossa tarefa, mas os imprevistos acontecem”, afirma.
Além de dispendiosa, a produção de semente envolve regras que têm de ser cumpridas à risca. O chefe de produção da fazenda, Márcio Oliveira, defende a produção em rotações, numa época o milho e na outra o feijão, “o que permite ainda dar consistência ao próprio solo”.
Dados de produção deste ano indicam uma avaliação positiva. Márcio Oliveira explica que para o processo de reprodução foram plantados 180 hectares de milho, parte dos quais já colhidos, o que resultou em 60 toneladas de grão bruto.
“Tivemos um rendimento de produção de 55 toneladas de semente melhorada”, disse, salientando que em função das condições e da época em que foram plantadas, o saldo é positivo”

Passos da transformação

A transformação de milho em semente melhorada constitui um processo complexo que consome muito tempo e envolve dezenas de homens e máquinas sofisticadas. Augusto Cassole, que está no projecto desde o seu arranque, tem a responsabilidade de manusear a máquina classificadora. Com ele, trabalham na fazenda mais 61 trabalhadores.
Antes de integrar o quadro de pessoal do projecto de produção de semente, Augusto Cassole estava no desemprego. Agora, tem a missão de separar o grão de milho por tamanho num exercício que já se tornou numa rotina. Primeiro teve de cumprir uma intensa preparação na qual não faltou a componente pedagógica.
À semelhança de Augusto Cassole, outro jovem que pela primeira está empregado é António Futa. Entre as tarefas que desempenha destaca-se a verificação da qualidade da semente que é calibrada, na medida que o grão para semente deve ser da melhor qualidade. “Além da calma que se vive neste local, o projecto tem a particularidade de me ter tirado do desemprego, por isso gostava que se estendesse a outras regiões”, disse.

Fazenda Cambondo  ultrapassa expectativas

A fazenda Cambondo também está voltada para projectos de sementes. O contrato de semente com o Ministério da Agricultura envolveu 50 hectares na reprodução de milho.
O engenheiro agrónomo e director técnico da fazenda Cambondo, Fernando Carreiras, explica que tudo decorre como estava programado e os níveis de produção estão acima das oito toneladas por hectar. A princípio, diz, as condições técnicas de produção, dão garantias de evolução, “mas já pensamos alargar o contrato para a produção semeada melhorar”.
O que tira o sono a Fernando Carreiras são as doenças que frequentemente afectam as plantações, razão pela qual é notável a prevenção feita à base de insecticidas. “Estamos satisfeitos em relação à produção, pois acreditamos que vamos ultrapassar os níveis de produção que até aqui tem sido normal em Angola”, garante.
Fernando Carreiras informa que no próximo ano, a fazenda vai cultivar feijão e aumentar a área de cultivo do milho para 400 a 500 hectares.

Acompanhamento institucional

Órgãos e entidades governamentais intervêm no acompanhamento técnico da efectivação do contrato celebrado com as fazendas Matogrosso Camana e Cambondo, na medida que não se podem menosprezar cuidados técnicos elementares. Um desses intervenientes é o chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário (EDA) da Quibala, Virgílio Gomes, que realça que o apoio sistemático vai continuar, acrescentando ainda que o objectivo principal do Governo é a produção de sementes localmente.
O chefe da Estação de Desenvolvimento Agrário assegura que, por enquanto, o município da Quibala conta com duas fazendas envolvidas naquilo que descreve com um projecto ambicioso, cujo “resultados de produção até agora alcançados nos levam a crer que estamos a seguir o melhor caminho”.
Nesta primeira fase, foi apoiada a produção de milho, ao que posteriormente se segue a produção de feijão. Virgílio Gomes defende que não se pode precipitar o trabalho, mas o evoluir do processo aponta para a inserção de produção de outras espécies sementeiras num futuro próximo.
“Obviamente que está dentro dos nossos planos, só que pensamos que cada coisa deve ser feita a seu tempo no sentido de não atrapalhar o que está programado”, disse.

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