Províncias

Reabilitar os presos na cadeia do Sumbe

Casimiro José|Sumbe

A comarca do Sumbe, província do Kwanza-Sul, é hoje um dos centros de reeducação com serviços humanizados ao nível da região e está a responder aos grandes desafios de reabilitação profissional de muitos jovens que, após cumprirem as suas penas, voltam ao convívio social, munidos com uma profissão que lhe garante uma vida útil.

Reclusos aprendem várias profissões como a de carpinteiro
Fotografia: Casimiro José

A comarca do Sumbe, província do Kwanza-Sul, é hoje um dos centros de reeducação com serviços humanizados ao nível da região e está a responder aos grandes desafios de reabilitação profissional de muitos jovens que, após cumprirem as suas penas, voltam ao convívio social, munidos com uma profissão que lhe garante uma vida útil.
Com uma população penal com 1200 reclusos, dos quais 752 condenados e 448 detidos, - dessa cifra estão 18 condenadas e 7 mulheres detidas -, a unidade prisional criou condições estruturais e materiais para, a par da reeducação, oferecer aos reclusos a aprendizagem de artes e ofícios.
É assim que 707 reclusos da comarca do Sumbe estão inseridos na prática de agricultura, alvenaria, corte e costura, serralharia e marcenaria cujos resultados, segundo os responsáveis da unidade prisional, são cada vez mais promissores e o entusiasmo cresce, porque os mesmos são, também, contemplados com 10 por cento da rentabilidade.
Além da prática de actividades geradoras de rendimentos, o centro prisional promove actividades desportivas e culturais, com destaque para a prática das modalidades de futebol, xadrez, andebol, basquetebol e realização de sessões músico-dançantes, abrilhantadas pelo agrupamento musical da comarca, que conta com equipamentos rudimentares e é integrado por reclusos com talento, tanto em cantar como a tocar instrumentos musicais.
Noé João do Nascimento, director da comarca do Sumbe, afirmou a reportagem do Jornal de Angola que o estabelecimento prisional está a reabilitar os seus pavilhões. Após a sua conclusão, disse, a comarca do Sumbe vai passar a ter capacidade para receber uma população de 1500 reclusos, contra a actual de apenas 700 presos.
O responsável da comarca do Sumbe revelou que, graças à produção agrícola, sobretudo de hortícolas, a dieta alimentar dos presos é regular, com três refeições ao dia.
“Nós concebemos projectos agrícolas para dar resposta às necessidades alimentares e fomos bem sucedidos, pois, a dieta dos nossos presos melhorou substancialmente”, declarou.
No âmbito da educação, Noé João do Nascimento esclareceu que foi construída, no perímetro da comarca, uma escola com três salas de aulas que lecciona da iniciação à 9ª classe. Quanto à saúde, a unidade prisional tem um posto médico e nele prestam assistência, sob contrato, dois médicos.
Sobre a lotação da cadeia do Sumbe, Noé do Nascimento justificou que as unidades da Gabela, Wako-Kungo e Libolo apenas absorvem delitos até aos dois anos, ao passo que todas as penas maiores de dois anos são encaminhadas para a comarca do Sumbe. Acrescentou que a localização geográfica da cidade do Sumbe, estando próximo de Luanda e por ser zona de trânsito, permite que sejam notificados crimes de natureza diversa.
Quanto às perspectivas, Noé do Nascimento apontou a humanização dos serviços e a criação de mais projectos geradores de rendimento como sendo a aposta para o futuro. As outras apostas são a superação dos 329 agentes no âmbito académico e profissional e a criação de uma biblioteca.

Opinião dos reclusos

Ricardo António já ganhou estatuto de mestre desde que foi inserido na marcenaria e mostrou-se satisfeito pelo ofício que aprendeu enquanto está a cumprir a sua pena. Segundo o nosso interlocutor, “não contava que um dia teria uma profissão, mas hoje me sinto um profissional e quando sair da cadeia vou servir a sociedade de forma útil”.
Domingos António também encontrou na comarca do Sumbe a oportunidade de conseguir uma profissão e é hoje mestre na especialidade de serralheiro. Muito satisfeito, disse à nossa reportagem que a maior felicidade é conseguir manejar equipamentos compatíveis com o actual mercado de emprego. “Ser serralheiro é muito bom e sempre gostei porque quando a pessoa se empenha, tem sempre clientes e, ao mesmo tempo ser serralheiro dá a possibilidade de competir no actual mercado do emprego”, rematou.

Tempo

Multimédia