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Região do Cuanza Sul faz aposta na inclusão social dos deficientes

Casimiro José | Sumbe

A discriminação em alguns sectores da sociedade para com as pessoas com deficiência preocupa o secretário provincial da Associação Nacional dos Deficientes Angolanos (ANDA) no Cuanza Sul, Araújo Júlio. 

Parte de uma equipa constituída por elementos que apesar da deficiência visual possuem múltiplas valências fruto de várias acções formativas
Fotografia: Fernando Camilo | Sumbe

O responsavel da ANDA, que falava  por ocasião do Dia Internacional da Pessoa com Deficiência, assinalado no passado dia 3, considerou uma atitude reprovável a discriminação e referiu que, com ela, se criam obstáculos para o acesso às oportunidades a esta  franja da sociedade e prometeu combater contra os organismos que assim procedem.
“É uma constante assistirmos na nossa sociedade a actos discriminatórios contra pessoas com deficiência, dificultando a sua participação na formação académica, profissional e também ao emprego”, disse Araújo Júlio.
O secretário da ANDA disse não entender alguns condicionalismos que entidades empregadoras impõem quanto ao acesso ao emprego de pessoas com deficiência, argumentando que a maior parte das empresas ainda questionam, situação que tem criado frustração.
“A Associação Nacional dos Deficientes na província tem encontrado dificuldade em apoiar os seus associados”, disse Araújo Júlio, que reconheceu que há limitação na criação de projectos para ajudar os membros da associação. “O serviço de mototáxi era o único sustento de muitas famílias deficientes, mas por falta de peças de reposição boa parte das motorizadas estão inoperantes”.   
Apesar das dificuldades vividas, Araújo Júlio disse que nem tudo vai mal, notando que a ANDA coordena dois projectos, sendo um de pesca, que absorve 12 beneficiários e outro de serralharia, com apenas cinco favorecidos.
O secretário provincial da Associação Nacional dos Deficientes Angolanos admitiu que  outra preocupação é  a atribuição de pensões aos associados, que, segundo ele, abrange apenas deficientes ex-militares. Araújo Júlio apontou como prioridade acções de parcerias em projectos de inserção de pessoas com deficiência e defender junto das instituições públicas e privadas a inclusão desta franja da sociedade. É importante que também sejam contemplados em acções de formação profissional e emprego.
O responsável da ANDA reconheceu que vários programas e projectos executados a favor dos deficientes não atingiram resultados esperados devido à falta de monitoria rigorosa por parte das autoridades competentes, daí ter apelado a todas as forças vivas a divulgação das Leis que defendem os interesses das pessoas com deficiência, para que se quebrem os tabus.
Durante o acto, o secretário provincial do Cuanza Sul da Associação Nacional dos Deficientes Angolanos, Araújo Júlio, preconizou a construção de mais escolas especiais nos municípios, para que o acesso ao ensino abranja as pessoas com deficiência.
No decorrer da actividade foi apresentada uma equipa constituída por três elementos, todos com deficiência visual, mas com múltiplas valências, fruto das acções formativas obtidas no país e no estrangeiro.

Melhoria na assistência

O director provincial da Assistência e Reinserção Social, Manuel Macedo, disse que continua a trabalhar no sentido de melhorar a assistência social e económica das pessoas com deficiência, como premissa da efectivação da política inclusiva do Estado e da harmonização da sociedade. Manuel Macedo reconheceu as dificuldades por que passam as pessoas com deficiência, nas vertentes social e económica.
“Temos plena consciência de que estas pessoas ainda enfrentam muitas barreiras de ordem social e de acesso ao mercado de trabalho, mas sentimos que aos poucos a sociedade começa a ter uma postura inclusiva”, disse, para acrescentar que o cenário actual resulta da divulgação das Convenções e Leis que protegem os direitos das pessoas com deficiência e alargar a oferta nos mais variados domínios a esta franja da sociedade.
“O sector da educação deve jogar um papel fundamental para o processo de inclusão social no seio das pessoas com deficiência e apelou no sentido de as organizações da sociedade civil, igrejas e associações cívicas se juntarem nos esforços, tendentes a devolver a auto-estima das pessoas com deficiência”, disse Manuel Macedo.
A província do Cuanza Sul controla 3.774 pessoas com deficiência, sendo 7.241 do sexo masculino e 1.433 do sexo feminino.

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