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Sumbe de cara lavada para os visitantes

Manuel Tomás | Sumbe

Quem chega ao Sumbe, na província do Kwanza-Sul, encontra uma cidade empenhada em modernizar-se. Estão em execução, no quadro do programa de gestão municipal, diversos projectos de reabilitação de infra-estruturas, que estão a mudar, a olhos vistos, a imagem da urbe.

Pormenor de uma das mais movimentadas ruas da centenária cidade do Sumbe
Fotografia: Jornal de Angola

 Quem chega ao Sumbe, na província do Kwanza-Sul, encontra uma cidade empenhada em modernizar-se. Estão em execução, no quadro do programa de gestão municipal, diversos projectos de reabilitação de infra-estruturas, que estão a mudar, a olhos vistos, a imagem da urbe.
 A intenção das autoridades não é apenas resgatar o estatuto granjeado no passado, mas alcançar patamares mais elevados.
O plano gizado pela administração municipal já permitiu a colocação de novo tapete asfáltico em todas as ruas, a melhoria dos sistemas de esgotos, a reabilitação dos jardins e parques infantis, além da recuperação de passeios e lancis.
Neste momento está a ser feita a pintura externa dos prédios do bairro E-15, que desde a sua construção jamais foram pintados. Os trabalhos de pintura abrangeram outros imóveis da cidade. Como resultado, o visual da cidade mudou significativamente, o que enche de orgulho e alegria os munícipes.
Um outro ganho da cidade do Sumbe é o sistema de iluminação pública alimentado por grupos geradores independentes da rede normal da Empresa Nacional de Energia, que está a beneficiar as principais ruas dos eixos cidade/Morro do Chingo/aeroporto, assim como cidade/bairro da Assaca/Controlo Sul. Com a entrada em funcionamento deste sistema de iluminação, reduziu bastante o número de acidentes de viação, que em parte eram causados pela inexistência de iluminação pública. A cidade tornou-se igualmente mais segura, na medida em que a iluminação toma conta da paisagem nocturna.
A urbe, com 240 anos de existência, vem conhecendo um aumento do tráfego rodoviário, pelo que urge a colocação de semáforos em determinadas artérias, bem como a colocação de passadeiras nas estradas. Nas horas de ponta já se notam engarrafamentos em certas vias, o que tem exigido mais trabalho por parte dos agentes de trânsito.
Os transportes públicos contam com os novos autocarros recentemente distribuídos pelo Governo central, no quadro da expansão dos serviços sociais básicos às comunidades. As deslocações dos citadinos estão assim facilitadas, com o encurtamento das distâncias entre as várias localidades.
Os novos autocarros estão a permitir não só uma maior mobilidade das pessoas, mas também a facilitar a sua vida, por via do preço quase simbólico (entre 30 e 100 kwanzas) da corrida.
O serviço de táxis particulares liga a cidade aos bairros do Chingo e Salinas, com o preço da deslocação a variar entre 30 e 50 kwanzas. Mas os motoqueiros, popularmente chamados “Kupapatas”, dada a sua rapidez e capacidade de penetrar em locais de difícil acesso, são o meio de transporte preferido. Independentemente da distância ou da bagagem, o passageiro paga 50 kwanzas.
A cidade tem um serviço de rent-a-car em ascensão, que muito tem contribuído para a movimentação dos visitantes e turistas que procuram transportes mais personalizados que lhes permita, de modo autónomo, desfrutar dos pontos turísticos e de lazer da cidade e arredores.

Melhoria do fornecimento de combustíveis

O abastecimento de combustível à população melhorou bastante, visto que a Sonangol reabilitou e colocou em funcionamento duas bombas que trabalham 24/24 horas ao dia. Outras três laboram a “meio gás”, com perspectiva de brevemente beneficiarem de obras de restauro. A questão dos combustíveis coloca-se com acuidade, dado que o Sumbe é passagem obrigatória do tráfego automóvel Luanda/Benguela, e vice-versa, que a cada dia que passa cresce.
Quanto ao gás de cozinha os citadinos respiram de alívio, porque para trás ficaram as longas e insuportáveis bichas nos três únicos revendedores credenciados. Com o aumento da produção que se regista na central de enchimento de Porto Amboim, o gás chega agora com regularidade às cozinhas dos utentes. Como inovação, que tem suscitado os aplausos dos consumidores, foi introduzido o sistema de abastecimento ao domicílio.
A rede hoteleira está a aumentar, com a edificação de mais cinco hotéis, que se vão juntar aos já existentes, que são, Mar Sol, Ritz e Sol Nacional, localizados na Marginal. A rede hoteleira do Sumbe conta ainda com algumas hospedarias e pensões devidamente apetrechadas.
É notório o aumento da rede de estabelecimentos comerciais, onde despontam lojas de bens alimentares, industriais, vestuário, acessórios para viaturas e motociclos e de materiais de construção (muito solicitados devido ao elevado número de obras em curso nos bairros periféricos).

Bancos  operam na urbe

No Sumbe estão abertas agências bancárias do BCI, BAI, BIC, BFA, todos com um balcão cada, enquanto o BPC conta com três. O sistema multicaixa funciona com regularidade.
O pólo universitário e a Escola Superior Agrária, são as únicas instituições do ensino superior existentes na cidade capital do Kwanza-Sul, que também tem a Escola de Formação de Professores, o politécnico médio, centro profissional do Quacra, pré-universítario, Instituto Nacional de Petróleos, entre outras, de diferentes subsistemas de ensino.
Saúca Miguel, de 25 anos de idade, reside há mais de sete anos no Sumbe e reconhece a evolução sofrida pela cidade.
 Ele destaca, em primeira instância, que a cidade conheceu melhorias, especialmente, graças aos trabalhos efectuados nas ruas. E considera que, apesar de algumas limitações, o fornecimento de energia eléctrica é bom.
“O que mais me apoquenta é o problema dos esgotos, porque as artérias da nossa cidade, quando chove, ficam lamacentas e tornam-se intransitáveis, causando sérios problemas aos automobilistas e peões.
Ao passo que quando não chove a poeira é intensa”, desabafou o interlocutor do Jornal de Angola. Rosa Gaspar, 50 anos, doméstica, prefere enfatizar os avanços nos domínios da saúde e educação.
 “Hoje, como pais que somos, estamos mais tranquilos em relação à educação e saúde dos nossos filhos. É verdade que as coisas não estão perfeitas, mas temos de ser justos e reconhecer o que de bom foi e está a ser feito”, disse.
Amadeu da Costa, 45 anos, funcionário público, aponta a melhoria das estradas como a coisa mais notável que aconteceu à cidade. “Sem boas estradas não há cidade que funcione em condições. Nesse aspecto o Sumbe ganhou muito”, disse.
Ricardo Francisco, 60 anos, empresário, discorda da venda ambulante e apela à ordem e limpeza urbanas. “A fiscalização deve desencorajar esta prática, porque suja as ruas”. O cidadão estende o seu apelo aos outros munícipes, para que “participem nas campanhas de limpeza e depositem o lixo nos locais e horários indicados pela municipalidade”.
Já o munícipe Bibiano Amaro faz lembrar que “por esta urbe vão passar turistas aficcionados do futebol provenientes do estrangeiro e das diversas províncias do país em direcção a Luanda, Benguela e Lubango, para assistirem aos jogos do CAN’2010.
 Temos a responsabilidade de manter a nossa cidade limpa, de modo a deixar uma boa impressão na memória dos visitantes”.

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