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Técnicos entendem melhor questões de toxicologia

Casimiro José| Sumbe

A toxicologia, suas causas e consequências na vida das pessoas e para o ambiente são  agora melhor entendidas por técnicos de diversas áreas a nível do Cuanza Sul, depois de terem participado num seminário sobre esta problemática.

Durante dias técnicos de vários sectores na província do Cuanza Sul estiveram reunidos para estudar estratégias de combate às consequências da toxicologia no seio das comunidades
Fotografia: Casimiro José| Sumbe

Promovido pelo Centro de Investigação e Informação de Medicamentos e Toxicologia (CIMETOX) e orientado pelo decano da Faculdade de Medicina de Malanje, Pedro Neto, o seminário foi dirigido a médicos, enfermeiros e técnicos de diagnóstico, responsáveis das instituições vocacionadas para a defesa do consumidor, de escolas, emergências médicas, das Forças Armadas Angolanas (FAA), Polícia Nacional e associações da sociedade civil.
A formação foi feita por painéis, que abordaram a "Intoxicação de causas diversas", "Vulnerabilidade às substâncias químicas e riscos toxicológicos", “Mudanças epidemiológicas, desastres químicos”, “Alteração do equilíbrio ecológico do Planeta”, “Caminhos a seguir no campo da saúde” e “Desafios para conter as causas de toxicologia”.
O decano da Faculdade de Medicina e director do CIMETOX, Pedro Neto, referiu que a deterioração do meio ambiente, resultante da actividade humana, tem sido a maior causa da toxicologia nas sociedades, tanto nos países desenvolvidos, como nos em via de desenvolvimento.
A indústria química produz 20 milhões de substâncias químicas, responsáveis pela degradação do ambiente e por várias doenças dos seres vivos, salientou.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou, em 1985, aos Estados a criação de centros de toxicologia para combater várias endemias e outras causas de mortes pelos efeitos desta. No caso concreto de Angola, a situação torna-se cada vez mais preocupante, pela fragilidade do registo e controlo da entrada de medicamentos, de alimentos, agro-tóxicos, produtos de higiene e de beleza e cosméticos.
Sobre os casos mais frequentes resultantes da toxicologia, Pedro Neto apontou a infertilidade, impotência sexual, abortos, entre outros fenómenos que põem em perigo a existência dos seres humanos e dos seres vivos em geral. "Temos de olhar seriamente para as causas da toxicologia, uma vez que o regime alimentar e o fraco controlo dos produtos que consumimos e usamos têm um impacto imediato nas nossas vidas", frisou o médico.

Mais infra-estruturas

Pedro Neto considerou ser urgente a criação de condições, em termos de infra-estruturas e formação do pessoal específico, como condição para se alterar o actual contexto do país.
"A toxicologia, sendo uma ciência de inegável importância social no mundo contemporâneo, deve ainda merecer uma atenção por parte do Estado e da sociedade em geral, para que se possa fazer face aos fenómenos de degradação do ambiente", sublinhou o responsável.
Ao fazer uma comparação quanto à preocupação em relação à toxicologia no mundo, Pedro Neto salientou que a realidade actual aponta para a existência de 66 centros de toxicologia nos Estados Unidos, contra 11 em todo o continente africano, uma situação que espelha a necessidade de se fazerem muitos investimentos. O director da CIMETOX disse que os efeitos da toxicologia têm o mesmo impacto, tanto nos países desenvolvidos como nos em vias de desenvolvimento. Pedro Neto considerou a nova pauta aduaneira, que entrou recentemente em vigor, um imperativo para a salvaguarda da saúde do povo angolano, uma vez que adopta mecanismos de controlo de todas as mercadorias e equipamentos que entram no país.
Mas, a nova pauta aduaneira, por si só, não vai trazer benefícios, se não houver mudanças de comportamento na sociedade em relação às consequências da toxicologia.

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