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Terapeuta condena a prática de feitiçaria na comunidade

Víctor Pedro | Sumbe

O terapeuta tradicional Alfredo Cangila condenou ontem, na cidade do Sumbe, o feitiço como expediente para o mal.

A prática do feitiço é uma realidade, embora no passado fosse um fenómeno usado para fins pacíficos, como a cura de doenças, pedido de boas colheitas agrícolas, chuva.
O terapeuta falava durante uma conferência provincial, que abordou o tema “Feitiço, feitiçaria, causas e consequências”, numa acção promovida pela Associação para o Resgate, Preservação e Promoção dos Valores Morais (ARPPVM).
O combate à proliferação da feitiçaria é necessário, por ser um fenómeno que está cada vez mais próximo da vida das comunidades e actualmente com utilidade desnecessária e imprópria.
O feitiço no passado jogava um papel fundamental na vida das comunidades, porque, além de ser usado para educar os indivíduos que não respeitavam as boas regras de convivência nas comunidades, servia também para defender a integridade territorial de qualquer região que fosse invadida, disse.
O fenómeno é cultural, considerou. "Não são só as sociedades africanas que se revêem na feitiçaria, uma vez que noutras partes do mundo também existe feitiço."
O terapeuta Alfredo Cangila aconselhou sobre a necessidade da nova geração fazer bom uso do feitiço, sem pôr em causa a vida de qualquer membro da sua ou de outra família, como tem acontecido actualmente.
Abílio dos Santos, professor de História, que participou na conferência, sublinhou que o tema é sugestivo, mas requer uma abordagem profunda, com intervenção de especialistas de todos os municípios, principalmente os do interior da província do Cuanza Sul.
O estudo ajuda a encontrar-se uma melhor forma de solucionar os actuais problemas que o fenómeno tem causado no seio das famílias angolanas.
O assunto é preocupante e daí a necessidade das autoridades tradicionais e religiosas e a comunidade académica encararem a problemática com maior responsabilidade, olhando para aquilo que são as graves consequências que o mau uso do feitiço tem criado.

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