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Vias degradadas travam negócios

Casimiro José|Mussende

O administrador municipal de Mussende, no Kwanza-Sul, Eduardo Caetano, disse à reportagem do Jornal de Angola que a degradação das vias de acesso ao município é o maior empecilho para os empresários interessados em investir nos mais diversos sectores.

As dificuldades de acesso limitam as possibilidades de desenvolvimento económico e social do município
Fotografia: Casimiro José

O administrador municipal de Mussende, no Kwanza-Sul, Eduardo Caetano, disse à reportagem do Jornal de Angola que a degradação das vias de acesso ao município é o maior empecilho para os empresários interessados em investir nos mais diversos sectores.
As obras da estrada que liga as sedes dos municípios da Quibala e do Mussende estão paralisadas há dois anos, por a empreiteira ter suspenso os trabalhos de terraplanagem e colocação de asfalto. A situação criou enormes dificuldades de acesso em alguns troços, sobretudo na época chuvosa. 
Por esse motivo, referiu o administrador, “as boas intenções continuam apenas no papel, sem possibilidade de materialização, dilatando o horizonte temporal para a satisfação dos anseios mais elementares das populações”. 
A par desta condicionante, o atraso na disponibilização de verbas, em função da revisão do Orçamento Geral do Estado (OGE), já aprovado pela Assembleia Nacional, a Administração Municipal do Mussende foi forçada a replanificar e a transferir a maior parte dos projectos do ano transacto para este ano. Mas calcula-se que a cabal execução destes projectos apenas ocorrerá em 2011.
De acordo com Eduardo Caetano, a Administração elaborou 21 projectos de âmbito social e económico, estando em execução apenas seis, concretamente a construção de uma residência para os médicos, uma escola do II ciclo do ensino secundário, a reconstrução da ponte sobre o rio Gango, a extensão da rede eléctrica domiciliária e pública e a construção de um campo de futebol de onze.
Os projectos contemplam, igualmente, a construção de duas residências para os funcionários, do sistema de captação, tratamento e distribuição de água potável e a requalificação das principais vias da vila.
O administrador revelou ao Jornal de Angola que a satisfação das necessidades das populações “caminha de forma tímida”. A dificuldade mais sentida pelos habitantes da vila do Mussende, neste momento, é a falta de água canalizada. 
“São cada vez maiores as necessidades dos munícipes. As respostas não virão de forma brusca. As soluções passam pela conjugação dos esforços entre as estruturas do governo e do sector empresarial privado”, sublinhou.
“A degradação da via que liga o município ao resto da província está a desencorajar os potenciais investidores, por isso as soluções tardam a chegar”, acrescentou.
Diante do quadro negativo, a Administração Municipal não cruzou os braços. Eduardo Caetano adiantou que o seu executivo pretende mobilizar os poucos empresários que operam na região para, juntos, encontrarem soluções pontuais, reparando artesanalmente os troços de estrada mais críticos. 
A conclusão da ponte sobre o rio Kwanza, no município de Cangandala, na província de Malange, constitui a esperança das autoridades e da população local, porque vai permitir o trânsito para a vila de Mussende na época chuvosa, enquanto se aguarda pela execução e conclusão da reparação da estrada, de 135 quilómetros, a partir da sede da Quibala. 
Outro sector que precisa de ser relançado no município é o da indústria. Existe em funcionamento apenas uma panificadora e uma moagem de média capacidade de transformação. O comércio também tem pouca expressão, com apenas 14 estabelecimentos.
 
Saúde e educação

Os sectores da Saúde e da Educação não fogem à regra quanto à prevalência das dificuldades conjunturais. 
A rede sanitária municipal conta com dois centros de saúde, dos quais um materno-infantil, e 11 postos de saúde. O serviço de assistência clínica é assegurado por dois médicos e 134 enfermeiros. De acordo com as autoridades, no Mussende registam-se, frequentemente, casos de paludismo e doenças respiratórias e diarreicas agudas. 
A rede escolar é composta por duas escolas de construção definitiva e várias outras de construção precária, espalhadas pelos bairros. No presente ano lectivo frequentam as aulas 18.937 alunos da iniciação à 11ª classe. Garantem o funcionamento do sistema de ensino cerca de 600 professores.
 
Celeiro da província

O Mussende é um dos celeiros da província do Kwanza-Sul. Para além de dispor de terras férteis, é abençoado por chuvas e clima regulares, o que permite a diversidade de culturas agrícolas.
O sector da pecuária empresarial dispõe de 255 cabeças de gado bovino.
O sector do turismo é aquele que mais necessita de intervenção urgente. Os locais turísticos estão ao abandono, em toda a extensão do município.  Desse ponto de vista as zonas turísticas mais importantes são As Sete Ilhas, Témbua-tamba, Paisagens do rio Gango. Estes e outros sítios não menos importante carecem de uma intervenção séria por parte dos empresários ligados ao sector. Por isso, Eduardo Caetano pede aos naturais e amigos do Mussende a juntarem-se aos esforços para a sua reconstrução. 
O município do Mussende tem uma superfície de 12.566 quilómetros quadrados e uma população estimada em 74 mil habitantes, maioritariamente agricultores. Administrativamente está dividido pelas comunas sede, São Lucas e Kienha.

O caso de Muhiriz

Na região de Muhiriz, a grande preocupação é a falta de posto médico para assistir aos cerca de mil habitantes. A alternativa encontrada pelos habitantes, segundo o soba grande, Domingos Sayendo, tem sido o recurso aos terapeutas tradicionais e à iniciativa pessoal de alguns técnicos de saúde. 
“Por falta de posto médico, os habitantes desta região curam as doenças que surgem, graças aos ervanários. Noutros casos, alguns técnicos de saúde conseguem intervir com medicamentos que conseguem na sede municipal. Mas isso nunca é satisfatório, principalmente quando aparecem casos graves que obrigam à evacuação para o hospital municipal. Muitos chegam a morrer pelo caminho”, afirma o soba Domingos Sayendo.
As populações têm de caminhar cerca de 90 quilómetros para atingirem as sedes dos municípios de Mussende e da Quibala, para adquirirem sal, óleo alimentar, sabão e roupas. 
“Quando nos apercebemos que na nossa região vai ser implementado um projecto, ficamos alegres, porque para além de dar emprego aos nossos filhos também cria condições de abastecimento de produtos básicos”, esclareceu o soba, que já pediu à Administração Municipal para acelerar o processo de construção de mais escolas e postos de saúde.

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