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Vias intransitáveis ameaçam colheitas

Casimiro José | Ebo

O estado péssimo das vias de acesso e a falta de mercado para escoar os produtos do campo estão a criar embaraços aos agricultores do município do Ebo, a cerca de 165 quilómetros do Sumbe, no Cuanza Sul.

No ano passado foram feitos alguns trabalhos mas insuficientes para permitir a circulação segura durante o período das chuvas
Fotografia: Paulo Mulaza

A situação arrasta-se há vários anos, mas no presente ano agrícola os prejuízos podem ser maiores, uma vez que há chuvas regulares, o que aponta para boas colheitas, sobretudo na área administrativa da Choa, uma região potencialmente agrícola.
Mateus Jerónimo, fazendeiro, referiu que os agricultores da localidade de Choa estão aflitos porque os investimentos feitos para a produção, com destaque para a batata, feijão, milho, maçã, abacate e banana podem deteriorar-se por falta de escoamento, devido ao péssimo estado das vias.
O agricultor diz possuir mais de quatro toneladas de batata que estão a deteriorar-se por falta de mecanismos de escoamento para os principais mercados.
A intenção de aumentar e diversificar a produção está a ser ponderada, uma vez que as condições actuais não aconselham a esta tomada de decisão, tendo em conta os estragos que se registam. O agricultor apela às autoridades governamentais para que tomem medidas urgentes, no sentido de inverter o quadro e compensar os esforços dos camponeses. A agricultora Albertina Mário defende a mesma posição. “Os produtos colhidos não encontram saída, porque os proprietários de viaturas que no passado facilitavam o escoamento já não o fazem com receio de estragarem os seus meios de transporte, por causa das chuvas.”
“Todos os dias fico aqui a chorar e a lamentar os prejuizos, pois não sei como recuperar os investimentos feitos”, disse. O regedor da Mbanza Choa, Silvério Kimbundo, disse que a situação está a complicar-se cada vez mais, porque as populações vivem da agricultura. “Ao não venderem os produtos vão continuar pobres, o que é lastimável. Este ano, a população vai colher muitos produtos, porque choveu bem, mas por causa das estradas cheias de buracos, já não há carros para levar os bens aos mercados de Luanda e a outras partes”, lamentou.

Outros problemas

A falta de água potável é outro dos grandes dilemas que os habitantes enfrentam. O soba Silvério Kimbundo anunciou que as populações são obrigadas a percorrer cerca de dez quilómetros para conseguir água, quer para consumo, quer para outras actividades. A autoridade tradicional referiu que medidas urgentes devem ser tomadas, devido aos perigos que as populações locais correm, por consumirem água não tratada. O responsável do sector administrativo da Choa, Ferreira António, que considera a situação de preocupante para as famílias camponesas, disse que a Administração Municipal já tem conhecimento do caso. Quanto à produção agrícola, o responsável salientou que “nunca tivemos tantos produtos como neste ano, mas a desgraça também nos acompanha, lamentavelmente”.
Esta situação agrava-se numa altura em que os camponeses estão empenhados na organização do associativismo, estando já constituídas dez associações, que pretendem relançar a produção de diversos produtos predominantes na região, como milho, feijão, ginguba, mandioca, maçã, banana e abacate.
Diante deste cenário, o responsável da área administrativa da Choa acredita que pode reinar um sentimento de desmotivação entre os associados, o que põe em risco o aumento da produção.

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