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Vidas mudadas a ler e escrever

Casimiro José| Sumbe

As mulheres que participam na alfabetização nos municípios do Sumbe, Porto Amboim  Quibala, Amboim e Seles sentem na vida diária os benefícios de terem aprendido a ler e escrever.

As mulheres que participam na alfabetização nos municípios do Sumbe, Porto Amboim  Quibala, Amboim e Seles sentem na vida diária os benefícios de terem aprendido a ler e escrever. A Associação Angolana para Educação de Adultos (AAEA) introduziu no Kwanza-Sul, um projecto de alfabetização denominado “APLICA”, inspirado no sistema de Paulo Freire.
O método, para além de ensinar a ler e escrever, também incorpora os conhecimentos sobre o mundo em que vivem as comunidades, os cuidados primários de saúde, calendários agrícolas, VIH/Sida, género e educação cívica, direitos humanos e ambiente.
Com um ensino baseado na aplicação dos recursos locais, com o sistema “APLICA” os participantes aprendem a desenhar letras no chão, depois copiam-nas para o papel e finalmente para o quadro onde também aprendem os sons das palavras. É uma aprendizagem onde todos dão opinião.
As pessoas que aderiram ao “APLICA” são os verdadeiros actores e decisores dos problemas que os afectam, principalmente, os relacionados com o saneamento do meio, identificação das acções para a erradicação de doenças, construção de latrinas e melhoramento das cacimbas.
Como resultado desta aprendizagem, a malária e outras doenças estão a diminuir. As autoridades ligadas á alfabetização nos municípios da Quibala, Sumbe e Amboim confirmaram que existem grandes melhoras nas comunidades onde funciona o programa de alfabetização “APLICA”.
José António Máquina, responsável da alfabetização na Quibala, disse ao Jornal de Angola que o processo de alfabetização no município teve maior cobertura durante o ano corrente, pela Associação Angolana para Educação de Adultos (AAEA).
A administradora comunal adjunta do Quicombo, Elsa Sara dos Santos Lialunga, acompanha o processo de alfabetização e confirmou os resultados alancados, sobretudo com as mulheres.
Elsa Sara Lialunga afirmou que na comuna do Quicombo, fruto dos debates nos círculos “APLICA”, a participação comunitária melhorou em todos os sentidos.
“Quando assumimos a administração comunal encontrámos imensas dificuldades em termos de comunicação com as comunidades, mas hoje a realidade é completamente diferente, graças ao processo de educação de jovens e adultos”, reconheceu.
E os beneficiários do projecto, na sua maioria mulheres, fazem um balanço positivo e dizem que houve ganhos significativos nas suas vidas. 
 
Melhores negócios

Maria Elias, moradora no bairro Marien Ngouaby, arredores da Quibala, ingressou na alfabetização há três anos e disse á nossa reportagem que agora vê diferente o mundo que a rodeia, principalmente no capítulo da gestão financeira.
“Antes de entrar na alfabetização, tinha muitas dificuldades em manejar os negócios e até tinha prejuízos”, confessa. Maria Elias recorda os tempos em que se sentia inferiorizada e nem se atrevia a falar numa reunião da comunidade. Hoje ela discute com a comunidade e apresenta os seus pontos de vista: “a alfabetização é a chave para o sucesso em todas as tarefas”, disse.
Outra participante que confirmou o êxito alcançado por saber ler e escrever foi Laurinda Sabino. Faz negócio de batata no mercado municipal da Quibala: “o negócio cresceu porque já consigo planificar e até sei determinar as margens de lucro”.
Lídia Ferramenta é parceira da Associação Angolana para Educação de Adultos no município do Amboim (Gabela) e diz que o processo “APLICA” veio potenciar as comunidades sobre o seu papel na preservação do Ambiente e prevenção das infecções sexualmente transmissíveis. “A adesão crescente das pessoas aos círculos APLICA resulta dos resultados que estamos a ter nos bairros e estamos animados em prosseguir”, frisou.

Milhares de alfabetizados

O presidente da Associação Angolana para a Educação de Adultos, Victor Barbosa, anunciou que a sua organização alfabetizou cinco mil pessoas nas províncias de Luanda, Bengo e Kwanza-Sul.
Victor Barbosa considera que “a introdução do método APLICA trouxe inúmeros benefícios às comunidades, fruto da dedicação dos próprios participantes e da colaboração das autoridades administrativas, tradicionais e líderes comunitários”, disse.
O presidente da Associação Angolana para Educação de Adultos enaltece o método “APLICA” porque permite uma participação interactiva onde o professor tem apenas a missão de provocar debates em torno de um dado tema.
De acordo com Victor Barbosa, “o método é transversal porque habilita as pessoas a ler e escrever, mas também permite às pessoas olharem de forma crítica o que está à sua volta e organizar a sua vida diária”.
O presidente da Associação Angolana para Educação de Adultos considerou positiva a relação entre os diferentes actores que lidam com o processo de educação de jovens e adultos, tendo defendido a necessidade de se encontrarem formas e métodos adequados que respondam aos anseios das pessoas envolvidas no processo. Vítor Barbosa reconheceu os apoios materiais e financeiros recebidos de organizações congéneres e instituições estrangeiras, com destaque para a DVV da Alemanha, a Íbis da Dinamarca e a ICCO da União Europeia

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