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Lavagem de viaturas sustenta famílias

Marcelino Dumbo |Huambo

Lavar viaturas é, para muitas famílias, um meio de sobrevivência. A actividade está a generalizar-se na cidade do Huambo e arredores e é exercida, na sua maioria, por jovens que, na corrida pela procura de sustento, não escolhem local, nem hora.

Automobilistas dizem que os jovens prestam serviço imediato e a preços baixos
Fotografia: Jornal de Angola

Lavar viaturas é, para muitas famílias, um meio de sobrevivência. A actividade está a generalizar-se na cidade do Huambo e arredores e é exercida, na sua maioria, por jovens que, na corrida pela procura de sustento, não escolhem local, nem hora.
Apesar de haver estações de serviço legalizadas na cidade, muitos proprietários de viaturas recorrem a lavadores ambulantes, por estes cobrarem mais barato e serem mais rápidos.
Os jovens, e até mesmo adolescentes, dizem que não têm outra ocupação, necessitando por isso de lavar carros para ganhar dinheiro. Com esse fito, improvisam locais, organizam-se em grupos e passam à acção em qualquer lugar. Muitos fazem-no em plena via pública, transgredindo os apelos da administração municipal, que proíbe a lavagem de carros nas estradas e ruas da cidade. 
Na cidade do Huambo, são largamente conhecidos os locais onde a qualquer hora são encontrados jovens lavadores de viaturas.
As imediações dos riachos do Kalohumbula, Calombringo, Lagoa da “Finol”, próximo do antigo jardim zoológico são os mais conhecidos e qualquer interessado pode deslocar-se àqueles sítios para lavar a viatura.
Jacinto Samessele foi abordado pelo Jornal de Angola quando chegava à lagoa da Finol com a sua viatura. Disse preferir lavar o carro naqueles locais porque os jovens que ali trabalham prestam um serviço imediato, com alguma eficiência e a preços baixos.
Apesar de reconhecer que são locais ilegais, sustentou que as estações de serviço da cidade nem sempre prestam serviços condignos, sobretudo no cumprimento dos horários. David Catito, que se encontrava ao volante de um caminhão, adiantou que mandou lavar a sua viatura por mil kwanzas. ”É um preço razoável, em comparação com os praticados nas estações de serviço”, rematou.
Francisco Geraldo lava automóveis e ciclomotores no rio Kalohumbula desde a morte dos seus pais, há nove anos. Com 19 de idade, Geraldo dedica-se a esta actividade para sustentar a família, incluindo a esposa, filhos e avô. A falta de apoio, levou-o a deixar de estudar há três anos. O valor que ganha chega apenas para o consumo de casa, afirma. “Tenho enfrentado muitas dificuldades, quando alguém está doente, porque o valor chega apenas para o consumo diário”, frisou o jovem.
Tomás Kassoma, de 13 anos, frequenta a 5ª classe, na escola do ensino primário nº42. Afirma que consegue conciliar os estudos e a lavagem de viaturas com muito sacrifício, mas esta é a sua única fonte de rendimentos para ajudar a custear os estudos.
Kassoma, residente no bairro das Cacilhas, explica que teve a iniciativa de lavar automóveis para ajudar a mãe, separada do pai por razões que desconhece.
 Há quatro anos que lava carros, por falta de apoio do pai, que se encontra envolvido numa outra relação, disse o jovem.

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