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Levantamento sísmico no Soyo é em breve

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Especialistas em matéria ambiental, representantes de empresas multinacionais, empresários e estudantes universitários estiveram reunidos, na cidade do Soyo, para analisar os resultados da consulta pública sobre o levantamento sísmico e electromagnético, a ser realizado em Maio próximo pela petrolífera BP na região.

Especialistas em matéria ambiental e membros da sociedade civil participam na consulta pública sobre levantamento sísmico no Soyo
Fotografia: Dombele Bernardo

Um documento da petrolífera BP refere que a reunião juntou membros de diferentes sectores da vida do município e avaliou o estudo de impacto ambiental decorrente do processo de recolha de subsídios.
O levantamento sísmico e electromagnético  vai ser realizado em águas ultraprofundas, a 1.400 a 2.700 metros de profundidade, sendo  os trabalhos  realizados em zonas distintas do Bloco 31, a cerca de 150 quilómetros da costa norte de Angola, concretamente a oeste do município do Soyo.
O processo, que visa a descoberta de mais bacias de petróleo bruto ao longo da costa norte de Angola, vai envolver navios que rebocam fontes de ondas sonoras e longos cabos paralelos, com receptores sensíveis (hidrofones), conhecidos por cabos sísmicos, susceptíveis de causar danos ao ambiente. O documento da petrolífera BP esclarece que a realização de estudos de impacto ambiental tem o objectivo de detectar eventuais efeitos nocivos à natureza e à fauna marinha na região.
 Para o efeito, foi apresentado um resumo não-técnico do estudo de impacto ambiental realizado por uma empresa especializada, que visou investigar e avaliar os potenciais efeitos negativos decorrentes das actividades de levantamento sísmico nas áreas de desenvolvimento do Bloco 31 a um nível genérico.
O estudo, além de ter avaliado os potenciais impactos ambientais decorrentes das operações de levantamento sísmico e electromagnético, recomendou medidas que reduzam os efeitos potencialmente nocivos ao ambiente e que maximizem quaisquer benefícios que delas resultarem. Como medidas de mitigação essenciais que o estudo recomenda constam, entre outras, a utilização de procedimentos de “início suave”, tais como definidos nas linhas de orientação do observador de mamíferos marinhos para a região de Angola, de forma a encorajar a fauna a deixar a área antes que sejam atingidos níveis sonoros potencialmente prejudiciais.

Danos ambientais


O documento recomenda igualmente que, antes do começo dos disparos, deve ser feita uma vigilância visual de 60 minutos à área à volta da embarcação sísmica.
 “Os disparos sísmicos não podem começar até pelo menos 20 minutos após o último avistamento de um mamífero marinho ou tartaruga, num raio inferior a 500 metros à volta da embarcação.”
As vigilâncias pré-disparos também devem ser efectuadas durante a mudança de linha de deslocação, caso esta implique a interrupção dos disparos, refere o estudo.
O administrador municipal adjunto do Soyo, Gonçalo António, considerou importante a  consulta pública sobre o estudo de impacto ambiental do levantamento sísmico e electromagnético a ser realizado na região. Gonçalo António disse que a consulta permite que todos os intervenientes no processo de exploração petrolífera estejam por dentro da actividade em causa e contribuam com subsídios relevantes para minimizar eventuais danos ao ambiente.

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