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Lixo no Soyo é depositado próximo das residências

Jaquelino Figueiredo | Soyo

Grandes quantidades de resíduos sólidos foram depositadas em duas zonas residenciais do bairro 1º de Maio, na cidade do Soyo, província do Zaire, pelo “Grupo 7 Cunhas”, o que está a inquietar os moradores, por se tornar numa fonte de doenças.

Empresa encarregue pela recolha de resíduos sólidos diz possuir poucos meios de
Fotografia: Adolfo Dumbo| Edições Novembro

Segundo alguns moradores que falaram ao Jornal de Angola, com a chegada da época chuvosa, o saneamento básico tende a agravar-se, bem como o cheiro nauseabundo e a presença de grandes quantidades de moscas e  mosquitos.
Para os moradores, a transformação de zonas residenciais em depósito de grandes quantidades de lixo tem provocado muitas doenças na região, com destaque para a malária, febre tifóide e doenças respiratórias.
Roberto Joaquim Helena, morador da zona do buraco, no bairro 1º de Maio, há seis anos, disse ao Jornal de Ango-la que viver ali não tem sido fácil, por causa do débil saneamento básico, resultante da deposição de grandes quantidades de lixo.
Segundo o munícipe, a poluição do ambiente é insustentável na zona do buraco, sobretudo com a chegada da época chuvosa, por causa de grandes quantidades de lixo depositadas. Acrescenta que quando se estende roupa ela só cheira a fumo.
“As noites são insuportáveis, não conseguimos dormir em condições, porque o mau cheiro e o fumo tomam conta do interior das nossas residências”, lamentou Roberto Joaquim Helena. Acrescentou que a referida lixeira passou a ser área de brincadeira para as crianças, bem como de defecação. “Estamos cada vez mais doentes, por inalarmos fumo 24 horas ao dia e cheiro nauseabundo”. 
De acordo com o morador Roberto Joaquim Helena, no passado o famoso buraco não era zona de deposição de lixo, mas sim um campo de futebol, onde a juventude se divertia.
“Espero que o governo da província faça alguma coisa para retirar esse amontoado de lixo e transferí-lo para um local fora da zona residencial, porque estamos submetidos a todo o tipo de risco de saúde. Pedimos também que o local volte a ser campo de futebol”, acrescentou.
A cidadã Juliana Martins Celestina, que vive na zona do buraco há mais de 40 anos, disse estar a sofrer com a presença de grandes quantidades de lixo, que trazem consigo moscas, mosquitos, a par do cheiro nauseabundo e fumo que causam uma série de doenças aos moradores.
“Pedimos ao governo que retire essa lixeira daqui, onde vivem pessoas e transferi-la longe das zonas residenciais, porque já não se justifica termos amontoados de lixo entre residências. Antigamente tínhamos aqui cacimbas, que nos abasteciam de água, mas todas foram consumidas pelo lixo”, solicitou.
Por seu turno, Jorge Silva, responsável da operadora “Grupo 7 Cunhas”, a única que recolhe lixo em mais de 40 pontos da cidade do Soyo e alguns bairros adjacentes, assegurou que a empresa dispõe na região de apenas dois camiões. Deposita-se, como frisou, resíduos sólidos na zona do buraco e no Bagdade, com a anuência das autoridades administrativas do município, como ponto de transição para o aterro sanitário do Cavuge, que dista  cerca de 27 quilómetros.
“Nós estamos a usar o bairro 1º de Maio como aterro provisório, portanto todo o lixo que lá é depositado tem como destino final o aterro definitivo do Cavuge. Neste momento, estamos a trabalhar com a administração municipal para a erradicação de todos os focos de lixo existentes, para no final termos apenas um aterro do Cavuge”, garantiu.
A administradora municipal do Soyo, Lúcia Tomás, disse ter conhecimento do processo de deposição de lixo no chamado buraco, assegurando não se tratar de aterro, mas sim uma área de escoamento.
“O que temos no 1º de Maio é uma área de escoamento, a operadora recolhe o lixo a nível da cidade do Soyo, de-posita-o no buraco, como área transitória, para posteriormente ser retirado para o Cavuge, onde temos um buraco maior, que fazemos de aterro, até que o Ministério do Ambiente construa um apropriado”, explicou a administradora.
De acordo com a administradora municipal do Soyo, pela limitação dos meios que a operadora “Grupo 7 Cunhas” dispõe, torna-se impossível levar directamente os resíduos sólidos ao Cavuge, daí ter-se optado pelo buraco como área transitória, porque a produção do lixo supera a capacidade da sua remoção, aliada à distância do aterro.

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