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Localidade do Saimbuanda sobrevive sem serviços básicos

Armando Sapalo | Saimbuanda

A população da regedoria do Saimbuanda, zona fronteiriça com a República Democrática do Congo (RDC), na  província da Lunda-Norte, sobrevive sem os serviços essenciais, como a falta de assistência médica e medicamentosa, comunicações e de actividade comercial. Paralelamente a isso, as estradas de acesso à localidade estão totalmente degradadas. 

Com cerca de 3.516 habitantes, a localidade tem apenas uma escola que funciona numa igreja com condições precárias
Fotografia: Armando Sapalo | Edições Novembro

O secretário do regedor  local , Feliz Chicoca,  disse à  imprensa que  “falta tudo   na localidade. Estamos remetidos ao esquecimento, inclusive as crianças  têm de percorrer mais de dois quilómetros a pé até a República Democrática do Congo, em busca dos serviços de educação, assistência médica e bens alimentares”.
A regedoria do Saimbuanda é composta maioritariamente por angolanos regressados da RDC onde viviam na condição de refugiados.
Com cerca de 3.516 habitantes,  Saimbuanda, tem apenas uma escola que funciona numa igreja de construção precária, onde se lecciona até a 2ª classe. A infra-estrutura adaptada tem apenas dois professores que “vivem e trabalham em condições inaceitáveis”. 
Por falta de condições, a escola regista muitas desistências de alunos que preferem se matricular nas escolas da RDC, concretamente na província do Kwangu.  “Aqui não há sequer uma cantina para os professores comprarem os produtos de higiene pessoal. Por este motivo, dois professores abandonaram a localidade no ano passado”, afirmou Feliz Chicoca, que acrescentou que “a procura por serviços essenciais  na RDC prende-se com o facto de Saimbuanda estar apenas dois  quilómetros do país vizinho, ao contrário da sede do  município de Lôvua, situada a  74 quilómetros” e cuja via  se encontra  degradada .

Dificuldades />Pedro Nelson, um dos dois professores em Saimbuanda, disse que a escola onde lecciona matriculou neste ano lectivo  42 alunos na primeira Classe e 20 na 2º classe, com idades compreendidas entre os 6 aos 19 anos. “Metade dos alunos acabaram por desistir e foram estudar na RDC devido as precariedades em que a região está mergulhada”, disse .
 O professor, que lecciona há um ano na comunidade rural, disse que está  motivado apenas pelo patriotismo. O governo provincial tem de colocar  rapidamente os serviços vitais e, Saimbuanda, lamentando, diz que gasta  10 mil 25 mil kwanzas  nas deslocações que faz para  Saimbuanda,  saindo do Dundo.

Programa do Executivo
O governador Ernesto Muangala  disse que o seu elenco está a fazer uma inventariação sobre as condições de vida das populações que vivem nas zonas fronteiriças “O Executivo quer solucionar o mais rápido possível o problema da população angolana que se desloca à RDC à procura de meios para a sua subsistência. Por isso, temos de apresentar programa para a intervenção nas comunidades fronteiriças”, afirmou.
O governante reconheceu que a intervenção das autoridades angolanas  junto das comunidades limítrofes com a RDC “peca por ser tardio”, mas manifestou a preocupação “em recuperar o tempo perdido” para  a implementação de acções de impacto social.

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