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Cárie dentária afecta 95 por cento da população angolana

César André

A cárie dentária, doença causada por ácidos produzidos pelas bactérias presentes na boca, afecta 95 por cento da população angolana, revelou ontem, em Luanda, a coordenadora do Programa de Prevenção e Controlo das Doenças Orais.

Número de dentistas existentes no país não chega para atender os vários casos nos hospitais
Fotografia: NUNO FLASH | EDIÇÕES NOVEMBRO

Ao intervir na cerimónia comemorativa ao Dia Mundial da Saúde Oral, assinalado ontem, Djamila Oliveira considerou a situação preocupante e apontou a falta de informação sobre a patologia como um dos grandes factores que leva muitas pessoas a contraí-la.
A médica estomatologista disse que a falta de informação tem feito com que várias pessoas cheguem às unidades hospitalares já num estado bastante avançado da doença, aliado ao facto de existir no país um número muito reduzido de profissionais ligados à área de estomatologia.
Djamila Oliveira disse que os cerca de 178 mil dentistas existentes, um número controlado pela Ordem dos Médicos de Angola, não chegam para atender os vários casos que chegam todos os dias às unidades hospitalares.
De modo a reduzir o número de doentes com cárie em Angola, a médica aponta a intensificação do programa de mobilização e sensibilização sobre a doença junto da população como uma das soluções.
Na ocasião, o secretário de Estado para a Saúde Pública, José Cunha, reconheceu que apesar dos esforços feitos e dos compromissos assumidos a nível nacional, durante a última década, sobre a doença, principalmente no que diz respeito à abordagem das orais, de forma equitativa e integrada, ainda não atingiram os objectivos preconizados. José Cunha ressaltou, por outro lado, que as doenças orais são das mais negligenciadas. Explicou que a doença, com o tempo, pode provocar ao paciente dor, desfiguração e até morte.
O secretário de Estado para a Saúde Pública disse que o Executivo continua a prestar uma atenção redobrada à saúde oral da população, sobretudo das crianças e adolescentes, por serem as camadas mais afectadas pela doença.
O governante informou que as metas traçadas no Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário 2012-2025 incluem, entre outras, o apetrechamento das unidades sanitárias com equipamentos adequados para o diagnóstico da doença, bem como uma melhor acomodação de recursos humanos especializados na rede primária, secundária e terciária.
Acrescentou que está igualmente prevista a construção de centros de prótese dentária por província, além da realização de campanhas nacionais de prevenção sobre as doenças orais.

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