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Comboios em Luanda paralisam na totalidade

Edivaldo Cristóvão

Os comboios do Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) deixam de circular, a partir de hoje, no troço Luanda/Malanje, por falta de acordo entre a entidade patronal e os trabalhadores em greve, relativamente ao aumento salarial.

Comboios de carga e de passageiros deixam de circular no movimentado troço Luanda-Malanje
Fotografia: Miqueias Machangongo | Edições Novembro

A decisão foi manifestada ontem, após uma maratona negocial entre o Conselho de Administração do CFL e a comissão sindical, no final da qual não se chegou a consenso relativamente ao aumento salarial de 80 por cento, proposto pelos trabalhadores num caderno reivindicativo de 19 pontos.
O  director do Gabinete de Comunicação Institucional e Imprensa do CFL, Augusto Osório, confirmou que a reunião de ontem não foi consensual, “porque a comissão negociadora do sindicato não aceitou suspender a greve, por causa do diferendo salarial”.
Augusto Osório disse que o aumento salarial, na ordem dos 80 por cento, não depende da administração da empresa, porque está fora do seu alcance, a julgar pelas baixas receitas da empresa.
 “A petição foi remetida às instâncias competentes do Estado e enquanto se aguarda por um posicionamento oficial, pedimos aos trabalhadores que retomassem o trabalho, mas, infelizmente, não tivemos entendimento”, disse o porta-voz do CFL.
Falando em nome do Conselho de Administração do Caminho-de-Ferro de Luanda, Augusto Osório  manifestou esperança no bom senso dos trabalhadores em voltar aos postos de trabalho, sem nenhuma forma de coação,  porque “a direcção não tem intenção nenhuma de penalizá-los, porque estão no direito de fazer greve”.
De acordo com o porta-voz da comissão sindical, os cerca de 900 trabalhadores do Caminho-de-Ferro de Luanda em greve parcial desde o passado dia 14, a partir de hoje deixam de prestar os  serviços mínimos de duas frequências diárias, uma de manhã e outra à tarde. O porta-voz da comissão sindical reafirmou que as condições laborais no CFL são deploráveis e o salário não cobre as necessidades mensais básicas. Acrescentou que “há uma diferença abismal entre o salário da maioria dos trabalhadores, que é de 40 mil kwanzas, e do presidente do Conselho de Administração do CFL, que é de 1.200.000 kwanzas e tem outras regalias”. “Queremos que se façam reajustes salariais em todas as classes ou categorias existentes na empresa”, vincou o porta-voz dos grevistas.
O Caminho-de-Ferro de Luanda funcionava com uma frequência diária de 17 comboios, com o transporte de seis mil passageiros, mas desde o dia 14 de Janeiro, altura em que começou a greve, esse número ficou  reduzido a duas frequências por dia, com o transporte de pouco mais de 200 passageiros.

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