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Criadores de animais selvagens são controlados

Roque Silva

O director nacional da Biodiversidade garantiu, em Luanda, que o Ministério do Ambiente tem o controlo de todos os criadores de animais da vida selvagem no país.

Nascimento Soares director nacional da Biodiversidade
Fotografia: DR

Nascimento Soares, que falava ao Jornal de Angola, explicou que o controlo é feito por via de um cadastro e inspecções regulares feitas pelo Instituto Nacional da Biodiversidade.

O alto funcionário do Ministério do Ambiente não especificou o número exacto de pessoas ou espaços que albergam animais da vida selvagem, mas informou estarem à guarda de criadores sobretudo chimpanzés, cobras, jacarés, papagaios e passarinhos. O director nacional da Biodiversidade acentuou que pessoas e espaços de lazer e recreação que têm legalmente animais da vida selvagem estão devidamente identificados, por receberem do Ministério do Ambiente uma declaração de posse.
Nascimento Soares foi contactado, via telefone, pelo Jornal de Angola na sequência da ocorrência, na quarta-feira, de um caso insólito, cujo protagonista foi “King”, um chimpanzé do Resort Bantu que, por distracção de um zelador que deixou a porta da jaula aberta, saiu do recinto turístico para ficar a “passear” pela Avenida Fidel Castro.O chimpanzé regressou ao Resort Bantu com o seu zelador, a quem obedeceu, por estar familiarizado com o funcionário do espaço turístico, um dos mais frequentados na província de Luanda e localizado na zona do Kikuxi, município de Viana.
No mesmo dia, o Resort Bantu recebeu a visita de inspectores do Ministério do Ambiente e agentes do Serviço de Protecção Civil e Bombeiros com o objectivo de avaliarem as condições de habitabilidade dos animais e confirmarem se o espaço de lazer e recreação tem a documentação que lhe dá o direito de criar animais da vida selvagem no jardim zoológico de que dispõe há já algum tempo.
O director nacional da Biodiversidade assegurou, na conversa ao Jornal de Angola, que as inspecções do Instituto Nacional da Biodiversidade são regulares e que são avaliadas pormenorizadamente as condições de segurança, de habitabilidade e alimentares.
Quando lhe foi perguntado se o Ministério do Am-biente já teve conhecimento de algum incidente envolvendo animais da vida selvagem, Nascimento Soares respondeu, sem dar pormenores, que “já foram registados alguns problemas com animais”.
O director nacional alertou que podem ocorrer problemas se os animais forem mal alimentados ou se desobedecerem às ordens dos seus tratadores, um comportamento que pode ocorrer quando atingem a idade adulta. “Os animais perdem algumas faculdades quando adultos, podendo deixar de reconhe-cer o seu cuidador e, às vezes, chegam a ameaçar e atacar, mostrando o seu instinto selvagem”, acrescentou Nascimento Soares.
O director nacional sugeriu aos criadores de animais da vida selvagem a contactarem o Instituto Nacional da Biodiversidade em caso de incidente envolvendo algum animal que esteja a viver em cativeiro.
“É aconselhável que os criadores comuniquem ao Instituto Nacional da Biodiversidade para, entre outras decisões, colocarem os animais em quarentena, a fim de serem depois devolvidos ao seu habitat”, adiantou Nascimento Soares.

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