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Luanda sem lixo depende de todos

Victorino Joaquim |

A prática de um exercício activo de cidadania pelos munícipes, com o compromisso de limpar o meio em que vivem e apoiar as autoridades administrativas, é o caminho apontado pelo governador Graciano Domingos para aliviar os efeitos do problema do lixo em Luanda.

Governador de Luanda Graciano Domingos
Fotografia: Dombele Bernardo

Ontem, na abertura da reunião do Conselho de Auscultação e Concertação Social, órgão de consulta do governador, Graciano Domingos chamou atenção para a necessidade da observância dos horários de depósito dos resíduos sólidos, em locais apropriados.
O governador lamentou a atitude de grande indiferença de muitos cidadãos, que além de não limpar, atiram o lixo em locais impróprios, transferindo para o Estado toda a responsabilidade na resolução do problema.
Não pode ser, acrescentou, todos os cidadãos e habitantes de Luanda sofrem com a acumulação do lixo, porque com isso surgem as doenças e, na pior das hipóteses, os óbitos, onde se gastam recursos financeiros que podiam servir para outros projectos sociais.
Graciano Domingos salientou o facto de Luanda ser a província onde vive a maior elite política do país, que devia ter outra mentalidade e acções mais urbanas, daí lamentar o facto de ser esta mesma Luanda que enfrenta o maior desafio no domínio da limpeza e higiene. “Se existir uma profunda interação entre os cidadãos e as administrações municipais, comunais e distritais, as pessoas podem contribuir para que Luanda seja uma cidade limpa, apesar do quadro que hoje se vive”, reforçou Graciano Domingos. O governador reconheceu que a situação do lixo é crítica e os recursos financeiros disponíveis insuficientes para as tarefas de manter Luanda limpa, “mas podemos mudar o quadro\", se cada habitante ter comportamentos urbanos, colocando o lixo nos locais e horários estabelecidos, e limpar à frente da casa ou da loja.
Participaram no encontro representantes das autoridades tradicionais, religiosas, partidos políticos, associações sócio-profissionais, administradores e presidentes de centralidades, incluindo o presidente da Comissão Administrativa de Luanda, José Tavares.
Durante os trabalhos, os participantes debateram a proposta de Lei sobre a organização e funcionamento das comissões de moradores, analisaram o relatório de actividades de 2014, o orçamento de 2015, as transgressões administrativas e o novo modelo de limpeza urbana municipal.
Com base no Programa de Investimento Público para 2015, a que o Jornal de Angola teve acesso, o Governo da Província de Luanda (GPL) vai investir 21.474 milhões de kwanzas em 137 projectos, com destaque para as vias rodoviárias e programas de reinserção social dos mais vulneráveis.
O GPL vai ainda investir 8.378 milhões de kwanzas em 51 projectos ligados aos sectores da Educação, Saúde e Segurança Pública. Na Educação, os projectos priorizam a construção de escolas, na Saúde centros médicos, ao passo que na Segurança Pública serão construídos postos policiais.
Luanda, Viana e Belas, com mais de um milhão de habitantes, são os municípios com maior densidade populacional, refere o documento em discussão. As previsões do censo de 2014 apontam  para existência de 6,542 milhões habitantes em Luanda, 51 por cento dos quais do sexo feminino, sendo mais de 50 por cento menores de 20 anos.

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