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Marcha em Luanda contra a discriminação

Domiana N'jila |

O ministro da Saúde, José Van-Dúnem, defendeu ontem, em Luanda, que os seropositivos devem fazer o tratamento com retrovirais para que a sua carga viral diminua.

Milhares de pessoas marcharam em Luanda a favor do controlo do estado serológico e contra a discriminação
Fotografia: Santos Pedro

Quando isso acontece, a capacidade de infectar outras pessoas diminui. As mulheres grávidas devem aderir à prevenção através do corte vertical, para evitar a contaminação ao darem à luz. Esta declaração foi feita durante a marcha contra a Sida, organizada pelo Ministério da Saúde e a ONUSIDA, para assinalar o Dia Mundial contra a Sida, que decorre amanhã.
José Van-Dúnem disse  que a testagem é  uma forma efectiva “de olharmos para o futuro com muita esperança e através dos testes conseguimos estabilizar a epidemia no país. Temos capacidade de fazer regredir a Sida mas para isso é necessário olhar par os pontos fracos”. No Largo da Família, em Luanda, existem cinco clínicas móveis de testagem e cada clínica tem dois técnicos. Os testes são grátis.
O ministro da Saúde disse  que é preciso saber  quantos angolanos já fizeram o teste e quantos levaram os amigos a fazê-lo, quantas mulheres fazem o teste durante a gravidez e entram num programa de prevenção de transmissão vertical, dando oportunidade a que os seus filhos nasçam saudáveis. “São oportunidades que ainda não aproveitámos. Temos de lutar contra a discriminação. É necessário perceber que contrair Sida não é ter um pecado mas sim ter uma doença que ainda não tem cura, mas que permite viver com qualidade de vida, contribuir para o sustento das famílias e participar na vida activa do país”. A representante da ONUSIDA em Angola, Sinoka Tsemo, reconhece o esforço do Executivo na luta contra o VIH: “Como parceiros de luta apoiamos as metas definidas pelo Executivo e orgulhamo-nos em participar, pois são metas ambiciosas que têm sido cumpridas”.
Sinoka Tsemo elogiou a “aceleração da resposta ao VIH” em Angola para assegurar que, em  2015, “90 por cento das mulheres grávidas seropositivas vão ter acesso ao tratamento para que nenhum bebé angolano nasça com Sida e 90 por cento dos angolanos seropositivos adultos, crianças e adolescentes tenham acesso ao tratamento”.
A embaixadora dos EUA, Helena La Lime, disse que é uma honra fazer parte da luta contra o VIH em Angola: “Há dez anos que trabalhamos nesta área e temos feito um bom trabalho, contribuímos com mais de 139 milhões de dólares.  Os Estados Unidos estão empenhados em vencer esta doença em África e no mundo”. 
Wilson Francisco, director-geral da Associação dos Naturais e Amigos da Terra Nova, participou na marcha. Disse que “trabalhamos com os jovens na prevenção da Sida, informamos, educamos e comunicamos para que todos saibam como se transmite a doença. Passamos também mensagens aos jovens para que ninguém discrimine um seropositivo”.
Wilson Francisco disse que os jovens devem saber que para além da Sida, existem outras doenças transmitidas por via sexual como a herpes genital, sífilis ou gonorreia: “estas infecções também são causadas por relações sexuais ocasionais desprotegidas”.
Rosário Bartolomeu, técnico de aconselhamento e testagem voluntária numa das clínicas presentes no Largo da Família, disse “esperarmos o máximo número possível de pessoas para fazer o teste a fim de saberem o seu estado serológico”.

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