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Monografias em línguas nacionais disponíveis na UAN

Mazarino da Cunha |

A Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto (UAN) tem disponíveis vários trabalhos de investigação sobre as línguas Bantu e não-Bantu, faladas no território nacional, que podem servir de apoio para a elaboração de manuais escolares, à comunicação social e à Assembleia Nacional na tradução e interpretação das leis.

O Executivo, por via do Ministério da Cultura, continua envolvido na valorização das línguas maternas
Fotografia: agostinho narciso | edições novembro

A informação foi avançada ontem, em Luanda, pelo director do Centro de Estudo e Investigação em População da Universidade Agostinho Neto (UAN), Ndonga Mfuwa, à margem da mesa-redonda sobre “As línguas maternas de Angola”, em alusão ao Dia Internacional da Língua Materna, que se assinala hoje.
O responsável frisou que a Faculdade de Letras da Universidade Agostinho Neto é um centro de pesquisa que elabora regularmente trabalhos de investigação no campo das línguas nacionais e a sociedade pode aproveitar o material linguístico diversificado existente.
Entre os vários trabalhos sobre as línguas Bantu e não-Bantu, faladas no país, Ndonga Mfuwa realçou a existência de material escrito, investigado pelos especialistas ligados à Fonética, Fonologia, Semântica, Lexicologia e Lexicografia, Morfologia e Sintáctico.
O especialista em Linguística Africana, disse que uma parte considerável de angolanos nas comunidades não entende o português e, como consequência, fica impossibilitado de interpretar, por exemplo, um Decreto Presidencial, leis aprovadas pela Assembleia Nacional ou até mesmo de entoarem o Hino Nacional, que são de importância crucial para as suas vidas. Ndonga Mfuwa salientou que a Faculdade de Letras, enquanto centro de pesquisa linguística, não quer que uma parte da população fique excluída de publicações estatais, uma vez que o Estado angolano reconhece a coexistência de três categorias de línguas: português, bantu e as não-bantu.
O director do Centro de Estudo e Investigação em População da Universidade Agostinho Neto mostra-se optimista quanto às políticas linguísticas do Estado angolano, mas afirma ser ainda insuficiente para uma aplicabilidade desejada, capaz de evitar o desaparecimento das mesmas no futuro.
De acordo a Constituição da República, no seu artigo 19, frisou Ndonga Mfuwa, o Estado tem o dever de valorizar e promover o estudo, o ensino e a utilização de todas as línguas faladas em território nacional. A secretária de Estado da Cultura, Maria da Piedade de Jesus, na abertura da mesa redonda sobre “As Línguas Maternas de Angola”, disse que a realidade linguística do país revela a coexistência pacífica entre a língua portuguesa e as línguas nacionais que são as línguas maternas de muitos angolanos.
No domínio das políticas públicas, sublinhou que o Executivo, por via do Ministério da Cultura, continua envolvido na valorização das línguas maternas como a base da nossa identidade cultural, estando em curso discussões públicas para a aprovação da proposta de Lei sobre as Línguas de Angola.
É pretensão do Executivo concluir o projecto de harmonização linguística com os países da África Central e Austral, no quadro da implementação da Carta de Renascimento Cultural Africano, bem como a conclusão em breve do Mapeamento Linguístico Nacional.
A “Situação Linguística de Angola”, “Línguas Nacionais no Ensino e Perspectivas sobre o Estatuto Jurídico das Línguas Maternas de Angola”, abordados no encontro vão, de acordo com a governante, permitir encontrar metodologias importantes para o estatuto das Línguas Maternas.
Desde a luta de libertação nacional até aos dias de hoje, o Estado angolano tem demonstrado grande preocupação com as línguas maternas, traduzidos na criação de um conjunto de instrumentos jurídicos que se reflectiram na elaboração do alfabeto nas línguas nacionais como Kikongo, Kimbundu, Cokwe, Umbundu e Oxikwanyama.
Organizada pelo Instituto de Línguas Nacionais, em parceria com o Memorial Dr. António Agostinho Neto, a mesa-redonda analisou temas como “Línguas Nacionais, como Factor de Identidade”, “Situação Linguística de Angola” e “Perspectivas sobre o Estatuto Jurídico das Línguas Maternas de Angola”.

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