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Um novo "Coartem" para tratar a malária

Victorino Joaquim|

Dois novos tipos de “Coartem” foram lançados em Luanda pela farmacêutica suíça Novartis Pharma, que melhoram a eficácia do tratamento da malária não complicada.

Fármaco chega aos pacientes em breve
Fotografia: Dombele Bernardo

Em declarações à imprensa, o representante da empresa suíça, António Rodrigues, disse que estes novos medicamentos são o “Coartem 80/480 mg”, destinado a doentes adultos, e o “Coartem Dispersível”, para crianças.  Nestes dois novos Coartem, um comprimido corresponde a quatro do antigo. Os doentes fazem o tratamento tomando apenas seis comprimidos durante três dias, o que torna o tratamento mais simples, diminuindo a possibilidade do paciente abandonar a medicação a meio, ao mesmo tempo que se obtém a mesma eficácia com apenas seis comprimidos, ao contrário do anterior tratamento de 24 comprimidos.
O Coartem Dispersivel foi desenvolvido para uso pediátrico. O remédio tem sabor doce a cereja, o que o torna facilmente aceite pelas crianças. É um comprimido diluível em água e, de acordo com estudos realizados por instituições de pesquisa no continente africano, apresenta uma taxa de eficácia de cura na ordem dos 97,8 por cento.
O Coartem Dispersível é o primeiro medicamento de elevada qualidade no mundo concebido sob um modelo de parceria público-privado, com o envolvimento de instituições africanas de pesquisa.
Ambos têm formato oval e são de cor amarelada. Durante o tratamento, tanto na criança como no adulto, a dose corresponde a dois comprimentos por dia, até três dias. Numa fase inicial prevê-se que as pessoas possam adquirir os medicamentos a 1.200 kwanzas, na razão de 900 kwanzas ao preço do armazenista. Marília Afonso, especialista em medicina interna e membro do Programa Nacional de Combate à Malária, garantiu que dentro de três a seis meses os pacientes passam a ter acesso aos novos fármacos.
Quanto à sua distribuição, garantiu que já existe um plano para o fazer chegar às províncias, depois de adquiridos através do Programa Nacional de Combate à Malária. Os medicamentos vão chegar aos municípios e comunas através dos directores provinciais de saúde.
Marília Afonso realçou que o Coartem é um fármaco que permite o restabelecimento do estado de saúde de forma rápida. “Para falar em termos simples, limpa a maioria dos parasitas de tal maneira, que o doente no segundo dia de tratamento fica bem-disposto e já tem vontade de retomar os seus afazeres.
Mas nós obrigamos a terminar o tratamento, para que o paciente fique bem tratado”, acrescentou.De uma forma geral, antes, o país registava cerca de quatro milhões de casos de malária por ano, entre os quais vinte mil degeneravam em óbitos. Actualmente, são registados cerca de dois milhões de casos, provocando cerca de seis mil óbitos por ano. “Houve uma redução de mais de 60 por cento de casos, uma meta que se esperava atingir em 2015”, sublinhou a especialista.
O representante da empresa Novartis em Angola esclareceu  que o Coartem foi o primeiro medicamento de referência  no tratamento da doença e hoje ainda é utilizado, mas a empresa apercebeu-se da necessidade de se melhorar a adesão, para garantir o cumprimento do tratamento na totalidade por parte dos doentes.
Ao discursar na cerimónia de lançamento, o director nacional de Medicamentos e Equipamentos do Ministério da Saúde, Boaventura Moura, disse que um dos principais desafios do sector é o combate à contrafacção de medicamentos.
Boaventura Moura lembrou que o Coartem padrão (antigo) era eficaz no tratamento, mas não tinha muita adesão por parte dos pacientes, devido ao facto da dose ser de quatro comprimidos tomados duas vezes ao dia, num total de 24 e, ao primeiro sinal de recuperação, o tratamento era abandonado.
Apelou aos presentes no sentido de lutarem contra a falsificação de medicamentos e considerou um ganho para Angola a possibilidade que “a empresa Novartis dá de se poder ter medicamentos autênticos com certificação de qualidade, eficácia comprovada e agora com menos comprimidos”, concluiu.
Na cerimónia de apresentação dos novos fármacos, em Luanda, estiveram presentes responsáveis da Saúde, médicos, farmacêuticos, técnicos, enfermeiros, estudantes, professores universitários e gestores de empresas da Saúde e outros responsáveis do sector.

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