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Vandalizados equipamentos da EPAL

Domingos dos Santos |

Vários equipamentos eléctricos em fase de conclusão para o fornecimento regular de energia aos moradores de alguns bairros da comuna do Camama, município de Belas, em Luanda, foram roubados e vandalizados por grupos organizados de malfeitores.

Delegação multissectorial visitou as instalações destruídas pelos marginais
Fotografia: Vigas da Purificação

A acção criminosa, em princípio, já provocou um prejuízo de três milhões de dólares e a detenção de 14 pessoas.
O ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, acompanhado dos secretários de Estado da Energia, das Águas, da Construção, do vice-governador de Luanda para a Área Técnica e Infra-estruturas, o comandante provincial da Polícia Nacional e quadros do sector, visitou os equipamentos destruídos localizados nas imediações dos condomínios Jardim de Rosas, Austin, Campus Universitário, Bairros da Juventude, Bonde Chapéu e Camama, onde foram destruídos 36 postos de transformação, dos 46 instalados e uma boa parte dos 46 armários de distribuição já concluídos.
O presidente do conselho de administração da Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE), Francisco Talino, falou em prejuízos avultados na ordem dos três milhões de dólares provocados pela vandalização dos equipamentos.
“Como acabámos de ver, realmente o grau de destruição das instalações que visitamos hoje é elevado”, lamentou, revelando que as infra-estruturas foram entregues em Março deste ano pelo empreiteiro e pelo Ministério da Construção, que inicialmente acompanhou a execução das obras. As obras não foram entregues para entrarem logo em funcionamento, mas sim para serem concluídas.
Por isso, desde Março até à data estavam a ser mobilizados recursos para a sua conclusão. “Muitos desses equipamentos são importados e toda a mobilização para a sua conclusão foi feita e inclusive parte deles já se encontra no país. Portanto, estamos em condições de dar avanço a essa conclusão, mas agora temos essa parte acrescida”, explicou.
Para evitar que o material que restou seja igualmente roubado, o ministro da Energia e Águas, João Baptista Borges, orientou a ENDE a retirar os equipamentos e a guardá-los em local seguro enquanto se trabalha no sentido de concluir as obras.  
“Visando proteger o material que ainda não foi mexido ou aquele que tendo sido mexido, ainda tem alguma recuperação viável, recebemos a orientação de retirarmos esses equipamentos para serem guardados num local seguro e, na medida em que formos energizando partes dessas instalações, vamos recolocar os equipamentos para entrarem em serviço”, disse o presidente do conselho de administração da ENDE. Francisco Talino, apesar de reconhecer que no passado houve situações do género com a conivência de trabalhadores da empresa, negou o envolvimento nos actos recentes de funcionários da ENDE, pelo grau de destruição e vandalismo que os equipamentos apresentam.
“Vimos que o grau de destruição persegue um determinado objectivo que é aproveitar o cobre para fins que ainda não conseguimos descobrir, mas que a polícia está a trabalhar para esclarecer. Por isso, como puderam ver, não nos parece ser obra interna”, justificou.
Para o presidente do conselho de administração da ENDE, as evidências apontam para grupos organizados com foco no lucro fácil, na medida em que a acção visou a retirada do cobre e destruição do material sem implicação na produção de energia como portas e janelas. O comandante municipal de Belas da Polícia Nacional, superintendente-chefe Alberto Bala, garantiu que foram detidos nove cidadãos nacionais por prática de roubo dos equipamentos eléctricos e cinco estrangeiros por supostamente serem os compradores e mandantes do crime.
“Os compradores são de nacionalidade marfinense, guineense e congolesa-democrática. Eles foram apresentados à Procuradoria-Geral da República para depois o processo transitar em julgamento”, disse Alberto Bala, acrescentando que os autores do roubo estão detidos há 15 dias e os compradores há uma semana.
Os cabos de cobre roubados eram levados para algumas fábricas localizadas em Viana, onde eram diluídos para serem transformados em alumínio tratado para ser vendido supostamente no mercado informal.
“Ainda estamos a trabalhar no sentido de percebermos o destino final desses produtos”, frisou o oficial superior da Polícia Nacional que espera que a lei seja mais agressiva com os autores desses crimes, para evitar que situações do género voltem a ser registadas. 

Conduta do Kilamba


A conduta de mil milímetros que leva água à cidade do Kilamba também tem sido alvo de actos de vandalismo praticados por garimpeiros e populares residentes ao longo da linha. Por este facto, tem-se registado restrições no abastecimento do precioso líquido aos moradores daquela centralidade.
A administradora executiva da Empresa Pública de Águas de Luanda (EPAL), Lizete Pascoal, considerou “delicada” a situação que tem provocado alguns constrangimentos, na medida em que os estragos ali verificados afectam principalmente os moradores da cidade do Kilamba.

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