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Agricultores aguardam nova rede de comercialização de produtos

Joaquim Aguiar |Dundo

Agricultores e responsáveis das cooperativas e associações de camponeses da província da Lunda-Norte querem adoptar novos métodos para a dinamização da rede de comercialização que permite a absorção de produtos agro-pecuários.

A iniciativa do governo visa estabelecer as bases para a criação de uma rede de comercialização que satisfaz os homens do campo
Fotografia: Benjamim Cândido

Agricultores e responsáveis das cooperativas e associações de camponeses da província da Lunda-Norte querem adoptar novos métodos para a dinamização da rede de comercialização que permite a absorção de produtos agro-pecuários.
A intenção foi manifestada no fim-de-semana, no Dundo, pelo responsável da cooperativa agro-pecuária Yeza-1, do município de Xá-Muteba, Abel Mulai, que revelou que, com os novos métodos, os empreendimentos do género estarão em condições de ajudar as autoridades locais no programa de combate à fome e pobreza.
Abel Mulai ressaltou o empenho dos camponeses da região para o relançamento da actividade agro-pecuária na Lunda-Norte, a despeito da falta de incentivos e dos riscos inerentes, mas mostrou-se satisfeito com as iniciativas do governo provincial, visando o estabelecimento das bases para a criação de uma rede de comercialização sólida que corresponda aos anseios dos agricultores e de outros membros da comunidade.
O agricultor que recentemente participou na terceira edição da feira agropecuária Expo-Cacanda 2011, no município do Chitato, revelou que possui uma área de cultivo de 30 hectares para o cultivo da mandioca e hortícolas, e espera bons resultados na presente campanha agrícola.
“A nossa cooperativa, disse, está também com a sua responsabilidade social que é, fundamentalmente, ajudar o governo na promoção e criação de empregos para os cidadãos”, assegurou o seu responsável, sublinhando que emprega 25 trabalhadores, que recebem 150 dólares norte-americanos por mês.
Abel Mulai diz estar preocupado com as exigências do aumento salarial pelos trabalhadores, por não ser possível por agora satisfazer, devido à falta de incentivos às iniciativas dos agentes privados por parte do Estado.
Com a disponibilização do crédito agrícola de investimento que solicitou às instituições bancárias, o responsável perspectiva dias melhores, admitindo que só assim é que se pode reforçar a capacidade de intervenção e aumentar a área de cultivo para 200 hectares, o que vai permitir oferecer mais emprego e melhores condições salariais.
A mecanização agrícola está, também, nos planos desta cooperativa, o que pressupõe o reforço da capacidade financeira para a aquisição de tractores e outros meios técnicos para facilitar a vida dos agricultores da região.
“Temos ambição, queremos modernizar os nossos métodos e técnicas de trabalho e abandonar, paulatinamente, os instrumentos rudimentares que ainda usamos”, disse Abel Mulai, notando que o desbravamento do actual campo agrícola foi feito com “muitas dificuldades e sacrifícios”, com o recurso redumental, nomeadamente, catanas, enxadas, machados e picaretas.
O projecto de modernização da fazenda Yeza-1 inclui uma fábrica de rações, para facilitar a actividade dos empresários que apostam na criação de animais.
“A nossa intenção é diversificar a economia local e procurar que a agricultura seja a base de sustentabilidade da nossa matriz económica em detrimento dos diamantes”, acrescentou Abel Mulai.

Feira de Cacanda

A feira agropecuária de Cacanda é um evento que foi instituído há três anos pelo governo provincial da Lunda-Norte para incentivar as cooperativas agrícolas, associações de camponeses, pequenos e médios produtores agrícolas e criadores de animais.
O seu administrador, Luís Munana, salientou que “a feira é também uma oportunidade de negócios, que permite à emergente classe empresarial da província interagir com homens de negócios do sector agro-pecuário das diferentes regiões do país para analisarem em comum projectos viáveis que possam contribuir para o desenvolvimento sustentável da região”.
Na terceira edição participaram 120 cooperativas e associações de camponeses locais, além de expositores convidados das províncias do Huambo, Benguela e Malange. Uma empresa da Namíbia e outra do Brasil, ligada ao sector agro-pecuário, também estiveram presentes na Expo-Cacanda 2011. A Sociedade Mineira do Catoca (SMC) esteve representada com uma exposição de suínos.
Luís Munana revelou que, para o leilão, a administração da feira na província do Cunene tem disponíveis 50 cabeças de gado bovino e 10 cavalos. Outros 22 bovinos e 24 suínos vieram do município de Caungula, Lunda-Norte.
A feira está implantada numa área de 8,5 hectares, devidamente vedada, com algumas infra-estruturas de carácter definitivo e mais de 150 pavilhões para exposição de variedades de produtos, restaurantes e similares.O administrador da feira, Luís Munana, disse que esta é uma oportunidade para as empresas apresentarem os seus projectos e produtos, e destacou os ramos da construção civil, comercialização de automóveis e rent-a-car, bem como artesanato.

Parcerias e negócios

O expositor de Benguela, José Eduardo, trouxe para a Lunda-Norte equipamentos agro- pecuários, com destaque para estruturas metálicas para a vedação de recintos de pastagem de gado bovino, além de instrumentos de vacinação, currais, sistemas de combustível, depósitos de água e bebedouros.
Satisfeito, José Eduardo disse que viu o seu esforço compensado com “bons negócios”. Espera fazer mais em próximas edições, pois “fui muito solicitado”. Queixou-se, entretanto, do mau estado da estrada que liga a cidade de Saurimo (Lunda-Sul) ao Dundo (Lunda-Norte), mas ressaltou o acolhimento que lhe foi proporcionado pelas autoridades locais, bem como da população.José Eduardo disse que manteve vários contactos com criadores de animais da Lunda-Norte, que vão resultar, nos próximos dias, no estabelecimento de parcerias para o fornecimento de equipamentos e assistência técnica.

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