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Antigos combatentes reclamam pelos subsídios

João Silva| Dundo

Os antigos combatentes e veteranos da pátria no município de Capenda-Camulemba, província da Lunda-Norte, têm cinco meses sem receber os seus subsídios de sobrevivência, revelou, na semana finda, ao Jornal de Angola, o responsável local do sector.

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Fotografia: JA

Os antigos combatentes e veteranos da pátria no município de Capenda-Camulemba, província da Lunda-Norte, têm cinco meses sem receber os seus subsídios de sobrevivência, revelou, na semana finda, ao Jornal de Angola, o responsável local do sector.
José Arão Conde explicou que falta pagar, pela direcção provincial do órgão reitor da política de protecção e assistência dos antigos combatentes e veteranos da pátria, os meses de Julho, Agosto, Setembro e Outubro de 2009, bem como o 13º mês de 2010, facto que continua a inquietar os assistidos, que têm os subsídios como fonte de vida.
"Os nossos assistidos sobrevivem com esses subsídios e quando não existem a situação das suas vidas e de seus dependentes torna-se difícil", disse o responsável.
A representação municipal dos antigos combatentes e veteranos de guerra em Capenda-Camulemba ocupa-se de 528 assistidos, dos três movimentos envolvidos na luta de libertação nacional, MPLA, UNITA e FNLA, dos quais 299 são antigos combatentes, 38 viúvas, 34 deficientes físicos e 157 órfãos.
José Conde apontou a falta de uma instituição bancária no município, para evitar deslocações a outras localidades para o levantamento dos subsídios e para facilitar o processo de obtenção de micro-crédito de campanha agrícola, como a principal dificuldade enfrentada pelos antigos combatentes em Capenda-Camulemba.
O responsável adiantou que "muitos deles não conseguem ir a Xá-Muteba, porque a passagem custa três mil kwanzas e eles auferem onze mil".
O sector dos antigos combatentes em Capenda-Camulemba tem estado a registar cidadãos que em anos anteriores, por várias razões, não tiveram a oportunidade de se alistar na instituição, para que possam beneficiar das pensões e outros apoios, para a melhoria das suas condições de vida.
O director provincial dos antigos combatentes e veteranos da pátria, Arão Bernardo Luhumo, disse ao Jornal de Angola que os motivos que estão na base do não pagamento dos subsídios, em tempo oportuno, têm a ver com a crise financeira mundial que afectou Angola, pelo que o sector dos antigos combatentes, dependente do Orçamento Geral do Estado, também foi atingido.
O responsável do órgão reitor da política de protecção e assistência aos antigos combatentes da pátria na Lunda-Norte tranquilizou os assistidos e garantiu que todas as pensões atrasadas serão regularizadas nos próximos temos, "porque o governo da província e os ministérios dos Antigos Combatentes e das Finanças estão a trabalhar no sentido de colmatar a situação".
A direcção dos antigos combatentes e veteranos da pátria na Lunda-Norte ocupa-se de 13.975 assistidos, entre viúvas de combatentes, deficientes físicos e órfãos de guerra. Cada assistido aufere onze mil kwanzas, montante considerado insuficiente para muitos, tendo em conta o custo de vida.
Desse número, 235 estão inseridos no mercado de trabalho nos sectores produtivos do Estado e privado. Segundo Arão Bernardo Luhumo estão ainda sob controlo da direcção quatro associações de camponeses, sendo duas na localidade do Muquita, onde residem ex-guerrilheiros do MPLA, uma no Lucapa e outra na povoação do Nhefo, arredores do Dundo.
Essas associações, explicou o responsável, têm sido assistidas pelo governo da província, com meios de produção agrícola, como catanas, enxadas, adubos, sementes e fertilizantes, que têm possibilitado a sua subsistência.

Microcrédito

Arão Bernardo Luhumo frisou que outra preocupação dos antigos combatentes e veteranos de guerra é a regularização dos seus processos de micro-crédito junto dos bancos comerciais, de forma a permitir trabalhar a terra, para garantir a sua auto-suficiência alimentar.
"Nós estamos a trabalhar e tudo leva a crer que, ainda este ano, os nossos assistidos, agrupados em associações de camponeses, vão beneficiar do micro-crédito de campanha agrícola", acrescentou o responsável.
No domínio do registo de novos assistidos, Arão Bernardo Luhumo revelou que o processo, iniciado em 2008, foi interrompido em Janeiro do ano em curso pelo ministério de tutela.
A direcção dos antigos combatentes da Lunda-Norte, enquanto espera pela anuência do ministério de tutela para registar novos assistidos, continua a consolidar os processos, para posteriormente serem encaminhados ao órgão central, para a sua homologação.
"Só assim estaremos em condições de poder cadastrar os novos assistidos, que não tiveram oportunidade de se alistarem em anos anteriores", pontualizou Arão Bernardo Luhumo.

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