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Aumentam os casos de cesariana no Chitato

Isidoro Samutula | Dundo

A maternidade do Hospital de Chitato, na Lunda Norte, efectuou de Janeiro a Maio deste ano, 83 cesarianas em mulheres adolescentes, por incumprimento das consultas pré-natal, considerado o principal factor de risco em gravidezes precoces, disse ao Jornal de Angola a responsável da unidade sanitária.

Vista parcial da Maternidade do Hospital do Chitato onde por falta de espaço muitas vezes duas parturientes são colocadas numa cama
Fotografia: Isidoro Samutula | Dundo

Madalena Camuenhi manifestou-se preocupada face à actual situação, tendo em conta que se está a meio do ano e, referiu, pelo que tudo indica prevê-se um aumento de casos de cesariana em mulheres adolescentes, por ausência de políticas que visam promover o planeamento familiar a nível das comunidades. 
A chefe da maternidade considerou as gravidezes precoces como as de maior risco, por apresentar várias complicações, já que as adolescentes possuem uma "bacia indiscreta" que não está preparada para suportar uma gravidez, além de se desenvolver tendências de anemia na fase do pós-parto.
Apesar de existirem muitas casos de cesariana, disse, felizmente não se observaram casos de mortes maternas durante este período, mas Madalena Camuenhi apelou para a necessidade de as autoridades hospitalares criarem condições para o funcionamento do bloco operatório.
Por falta de bloco operatório, as pacientes são levadas ao hospital central do Dundo que fica a 13 quilómetros, correndo vários riscos durante a evacuação. “Há casos em que a paciente deve ser submetida urgentemente a uma intervenção cirúrgica, mas por falta de um bloco operatório no hospital municipal de Chitato, temos de evacuar os doentes para o Dundo, colocando em risco a vida humana”, disse Madalena Camuenhi.
Madalena Camuenhi aconselhou as adolescentes da região a tomarem  contraceptivos  para evitarem gravidezes precoces.
A enfermeira-chefe da maternidade de Chitato pediu ainda às mulheres adultas para aderirem ao planeamento familiar, para evitarem gravidezes seguidas em períodos muitos inferiores aos determinados pelos médicos, para acautelarem  um enfraquecimento do útero, pondo em risco as suas vidas.
“Estamos a desenvolver trabalhos de sensibilização para que a reprodução seja de forma regrada”, informou, revelando que a maternidade do Chitato recebe, também, casos complicados dos municípios de Lucapa e Cambulo. Durante este ano, acrescentou, foram registados 1.833 partos, 1.763 dos quais nados-vivos e 70 nados-mortos.
Madalena Camuenhi considerou haver um aumento de casos de nados-mortos neste período, devido a não frequência regular das mulheres grávidas às consultas pré-natal, para diagnosticar e detectar eventuais patologia durante a fase da gestação.
 “Continuamos a constatar que a maioria das mulheres grávidas só se apresenta na maternidade no dia do parto e, muitas vezes, com doenças transmissíveis sexualmente, o que é muito grave para a saúde da mãe e do bebé”, lamentou Madalena Camuenhi.
A maternidade do hospital do Chitato regista diariamente entre 18 e 25 partos, número que ultrapassa a capacidade da única sala de pós-parto, com  sete camas, obrigando, desta forma, os técnicos a colocarem duas mulheres numa só cama, segundo a responsável.
Esta situação, de acordo com Madalena Camuenhi, resulta do facto de estar a funcionar na província apenas a maternidade do hospital municipal do Chitato, enquanto decorrem as obras de reabilitação da maternidade do hospital provincial, na cidade do Dundo.
A maternidade de Chitato conta com 32 enfermeiros e sete médicos entre angolanos, cubanos, coreanos e russos. O número de técnicos, segundo a chefe da maternidade, satisfaz as exigência actuais.

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