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Autoridades agrícolas da Lunda-Norte prevêem colher mais de mil toneladas

Armando Sapalo | Dundo

As autoridades da província da Lunda-Norte prevêem colher, na presente campanha agrícola, 1.400 toneladas de milho, nos municípios de Capenda Camulemba e de Xa Muteba.

Governador da província Ernesto Muangala fez a entrega de dezenas de toneladas de sementes de milho para o fomento da produção de cereais
Fotografia: Benjamin Cândio

As autoridades da província da Lunda-Norte prevêem colher, na presente campanha agrícola, 1.400 toneladas de milho, nos municípios de Capenda Camulemba e de Xa Muteba.
De acordo com o director provincial da Agricultura, José Mendes, as autoridades da província puseram à disposição das Cooperativas Wucuasso, do município do Capenda Camulemba, e Yeza, no Xá Muteba, na presente campanha agrícola, cem hectares de terra cada, devidamente desbravadas.
“Estamos numa fase experimental do projecto de produção de milho na província e a previsão está na ordem de sete toneladas por hectare, onde a área total de cultivo disponível é de 100 hectares”, sublinhou.
José Mendes, que falava ao Jornal de Angola, assegurou que, além dos 200 hectares à disposição das duas associações de camponeses, o Estado cedeu ainda sementes, enxadas e material diverso, tendo em vista o incremento da produção de milho em grande escala. Para apoiar os produtores, o Governo Provincial adquiriu 30 toneladas de sementes de milho, para o fomento da produção de cereais e encorajar os camponeses a diversificarem as culturas da região.
As duas cooperativas têm condições para desenvolverem uma actividade agrícola mecanizada, que permite trabalhar na multiplicação de sementes de milho em grande quantidade. A prioridade do Governo Provincial é a criação de condições que permitam aos agricultores aumentarem os níveis de produção de milho, para garantir o funcionamento das fábricas de ração implantadas nos projectos agro-pecuários de Cacanda e Calonda. Segundo o responsável, o lançamento da presente campanha agrícola, de acordo com o calendário do Ministério de tutela, acontece normalmente em Setembro de cada ano, mas, na Lunda-Norte, o acto foi realizado apenas no início do mês de Fevereiro, devido a questões administrativas.

Constrangimentos

Contactado pelo Jornal de Angola, o presidente da UNACA, Daniel Mutambuleno, disse que as associações e cooperativas de camponeses da Lunda-Norte consideram que os atrasos significativos verificados na abertura da presente campanha agrícola podem comprometer as acções programadas, devido à chegada tardia de sementes e instrumentos de trabalho, e preparação dos solos.
Daniel Mutambuleno afirmou que muitos camponeses ficaram privados de proceder ao lançamento das primeiras sementes no campo, por estarem à espera de orientações do Governo Provincial e de receberem também algumas sementes. Apesar disso, os agricultores estão preparados para elevarem os horizontes da produção de cereais, tubérculos e outras culturas, sobretudo as hortofrutícolas, com vista a reduzir a dependência em relação aos produtos importados.
O presidente da UNACA reconheceu que o financiamento dado aos camponeses, no âmbito do crédito agrícola de campanha, está a contribuir para a realização de uma agricultura moderna e capaz de gerar rendimentos às famílias residentes em zonas rurais.
Entre as 37.312 famílias camponesas integradas em 486 Associações e 103 Cooperativas sob a alçada da UNACA na Lunda-Norte, 19.361 famílias beneficiaram do crédito agrícola de campanha junto do Banco de Poupança e Crédito (BPC). A instituição bancária disponibilizou um financiamento de mais de sete milhões de kwanzas, convertidos em meios agrícolas, para o reforço da sua actividade no campo.
A maior dificuldade dos camponeses na Lunda-Norte prende-se “com a falta de meios de transporte todo-o-terreno, para facilitar o escoamento da produção do campo para os centros urbanos, com vista à sua comercialização”, salientou Daniel Mutambuleno.
Defendeu, ainda, a necessidade das autoridades locais trabalharem para o reforço da extensão da rede escolar e sanitária, sobretudo para as áreas de cultivo com maior densidade populacional, de forma a garantir os principais serviços sociais básicos aos camponeses e aos seus filhos.

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