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Autoridades veterinárias da Lunda-Norte interditam a entrada de animais do Congo

João Silva | Dundo

As autoridades sanitárias da Lunda-Norte estão a melhorar periodicamente as medidas que visam impedir a entrada, no circuito comercial local, de cabritos e ovelhas provenientes da República Democrática do Congo, devido à peste de pequenos ruminantes que assola aquele país desde Maio do ano passado.

As autoridades sanitárias da Lunda-Norte estão a melhorar periodicamente as medidas que visam impedir a entrada, no circuito comercial local, de cabritos e ovelhas provenientes da República Democrática do Congo, devido à peste de pequenos ruminantes que assola aquele país desde Maio do ano passado.
A chefe dos serviços veterinários na província da Lunda-Norte, Elisabeth Zembela, afirmou sexta-feira, no Dundo, que as medidas tomadas pelas autoridades locais constam do Despacho número 135 de 6 de Maio de 2011, do Ministério da Agricultura e Desenvolvimento Rural, que proíbe a entrada no país de animais vivos e material genético.
O Despacho proíbe ainda a entrada de produtos de origem animal das espécies caprina e bovina provenientes da República Democrática do Congo e da República do Congo.
A nível local, a responsável reconheceu haver dificuldades de exercer um controlo rigoroso na entrada de animais ao longo dos 770 quilómetros de fronteira entre a República Democrática do Congo e a província da Lunda-Norte. A responsável disse estar segura relativamente às medidas de segurança impostas nos diferentes postos fronteiriços, sobretudo onde se exercem actividades comerciais.
Elisabeth Zembela salientou que depois das entidades angolanas tomarem conhecimento da doença, em Maio de 2011, a partir das províncias limítrofes com a RDC, os órgãos competentes locais, em Dezembro do mesmo ano, deliberaram medidas de interdição de comércio destes animais nos postos fronteiriços.
A especialista de veterinária assegurou que todas as medidas que estão a ser tomadas são de carácter preventivo e provisório, devido à ocorrência, em grande escala, de Peste de Pequenos Ruminantes, que pode ter repercussões económicas a nível das províncias fronteiriças com a RDC.

Efeitos da doença

A doença, disse a especialista, é uma epidemia contagiosa e sem tratamento, que afecta apenas os rebanhos, sendo a contaminação feita por inalação das fezes e urina dos animais infectados, mas que não causa danos à vida das pessoas que consomem a carne.
Elisabeth Zembela disse que a doença é de elevada mortalidade em cerca de 90 a 100 por cento, já que, até final de Abril último, dizimou, na região do Kwili, RDC, mais de dez mil pequenos ruminantes, cabritos e ovelhas. A operação de controlo das medidas, disse Elisabeth Zembela, é supervisionada, para além dos agentes veterinários, por técnicos dos serviços de Alfândega e agentes da Polícia de Guarda Fronteira.
“Os mais de 20 cabritos apreendidos em diferentes operações ao longo da fronteira, foram queimados, devido à falta de laboratórios para se certificar se os mesmos estavam ou não contaminados”, reforçou a veterinária.
Elizabeth Sembela afirmou também que regularmente realizam encontros com as entidades competentes da RDC, de forma a estabelecer métodos de trabalho conjunto, para inviabilizar a entrada para o território angolano de cabritos e ovelhas ao longo da fronteira. A técnica veterinária apelou às autoridades tradicionais e à população que habitam próximo da fronteira a estarem atentas e a desencorajarem os cidadãos que teimam em comprar cabritos e ovelhas a partir dos postos fronteiriços.
Lourenço Muvuma, gerente duma churrascaria, que também comercializa carne de cabrito grelhada, vulgo “Cabrité”, disse que o reforço das medidas é bem-vindo, já que tende a afastar determinados males.

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