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Cacanda já produz ovos e hortaliças

Joaquim Aguiar |

A Fazenda Cacanda, inaugurada a 9 de Maio pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, está a produzir na fase inicial 5.400 ovos por dia e cerca de meia tonelada de hortaliças para o consumo das populações locais.

Fotografia: Benjamim Cândido|

A Fazenda Cacanda, inaugurada a 9 de Maio pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, está a produzir na fase inicial 5.400 ovos por dia e cerca de meia tonelada de hortaliças para o consumo das populações locais.
O director da fazenda, Gerardo Dvir, disse ao Jornal de Angola que neste momento os níveis de produção são satisfatórios, dentro dos padrões e programas da empresa, prevendo-se até ao próximo mês de Setembro atingir a média de 20 mil ovos por dia.
“Estamos a desenvolver vários mecanismos técnicos para que possamos estabilizar a produção de ovos, com 20 a 22 mil ovos por dia e isto está previsto para Setembro ou Outubro deste ano”, disse, acrescentando que “está programado para o primeiro ano de trabalho uma produção de três milhões de ovos e no ano seguinte atingir 4.5 a cinco milhões de ovos”.
O responsável da fazenda Cacanda anunciou que, com a recepção do último lote de pintos, que permitiu completar as 25 mil poedeiras, “está assegurada a estabilidade da produção de ovos”.
A produção actual, segundo Gerardo Dvir, é assegurada por 9.500 galinhas poedeiras, admitindo que o aumento gradual dos níveis de produção de ovos tem a ver também com a reacção e familiarização do mercado local, de forma que o produto seja absorvido imediatamente, face a vulnerabilidade em termos de rápida deterioração, apesar das excelentes condições de conservação existentes.
Afirmou que o mercado local está a reagir muito bem, nesta fase inicial, o que permite dar passos seguintes de forma segura e com a certeza de que o investimento que está a ser feito vai de facto ser rentabilizado. “As vendas neste momento são óptimas. Abrimos as seis horas até ao fim do dia já não temos ovos, isto é um indicador de que pelo menos o mercado de ovos está bem”, disse.
Esta reacção positiva do mercado pressiona-nos também a aumentar rapidamente a produção de ovos, para fazer face a demanda.
“Se tivermos em atenção que a cidade do Dundo e arredores tem uma estimativa de cem mil habitantes, 25 mil ovos por dia que nos propusemos produzir é muito pouco”, comentou, sublinhando a necessidade da empresa estudar a possibilidade de aumentar, nos próximos anos, os níveis de produção de ovos para abastecer as regiões circunvizinhas.
Neste momento, afirmou, estamos a vender ovos e hortaliças nos municípios de Cambulo e Lucapa. “Temos uma viatura que regularmente vai a esses municípios, levando ovos e hortaliças, apesar de lamentarmos o estado das estradas, mas a nossa intenção é conhecer e explorar os mercados nessas localidades, para futuras decisões que a empresa possa tomar”, assegurou.
Gerardo Dvir reconhece igualmente que o favorecimento do mercado local, na sua opinião, vai ser capaz de absorver toda a produção da empresa, não só de ovos, como de hortaliças e carne.

Produção de carne

A produção de carne, segundo Gerardo Dvir, vai iniciar daqui a dois meses e meio, porque “estamos ainda a proceder a vários mecanismos técnicos para que o gado que já existe possa crescer em condições saudáveis, o que pressupõe também cuidar do processo para a sua alimentação”. Neste momento, de acordo com o responsável da fazenda, existem 432 cabeças de gado de corte, parte de cerca de mil cabeças que a fazenda se propõe criar num período de dois anos.
“O que está previsto no projecto é a criação de mil cabeças de gado de corte e vamos atingir essa meta daqui a dois anos”, salientou, assegurando que presentemente “estamos a produzir os vitelos que vão dar lugar ao gado de corte”.
Quando forem criadas todas as condições técnicas, segundo a previsão de Gerardo Dvir, a fazenda Cacanda vai produzir 500 toneladas de carne por ano, com a média de uma tonelada e meia de carne por dia. Para garantir a alimentação do gado, Gerado Dvir explicou que estão a ser preparados sessenta hectares de milho e outros sessenta hectares para plantação de feijão e soja.
Estes cereais, disse, vão igualmente ser transformados em racção para alimentação das aves. “Tendo em conta a pobreza dos solos locais, começamos o processo de correção profunda dos mesmos com matéria orgânica”, explicou, garantindo que a primeira plantação de milho e soja começa entre os meses de Outubro e Novembro. O engenheiro agrónomo de nacionalidade argentina ao serviço da fazenda Cacanda disse que estão a ser preparados, para o processo de cultivo de cereais, sessenta hectares de campo aberto e 120 irrigados.
A área de pasto do gado bovino é actualmente de 2.500 hectares e segundo Gerardo Dvir, a previsão é atingir cinco mil hectares à medida que a fazenda for crescendo.

Hortaliças

A produção de hortaliças não está directamente ligada à gestão da fazenda. Segundo Gerardo Dvir, “é um projecto que foi concebido para ser entregue a cerca de 50 famílias”, no quadro de incentivos que devem ser dados aos cidadãos para aumentar a capacidade da renda familiar, criar postos de trabalho e alargar as iniciativas privadas no ramo da agricultura.
“Neste momento estamos à espera que nos entreguem a lista das famílias, para iniciar a fase de capacitação sobre gestão agrícola, técnicas de cultivo e sobretudo como usar as tecnologias de ponta que foram instaladas aqui”, frisou, salientando que o cultivo de hortícolas em estufa requer a prévia preparação das pessoas que vão trabalhar com as novas tecnologias. Enquanto se espera pela alienação das 100 estufas a entidades privadas, a fazenda, de acordo com o seu responsável, já começou a produzir as primeiras hortaliças, com destaque para tomate, batata, pepino, pimenta e picante.
“Estamos a produzir 400 a 500 quilogramas de hortaliças por dia”, disse, sustentando que os níveis de produção de hortícolas não é linear, devido a vários factores técnicos e métodos a aplicar na produção e sobretudo, “tempo suficiente para se ter ideias concretas da reacção dos solos e a qualidade dos produtos”. Explicou igualmente que a primeira colheita de hortícolas foi feita no fim do mês de Maio, estando a ser projectada a segunda sementeira para Agosto ou Setembro, período que separa a colheita e a sementeira.

Outros serviços


A fazenda Cacanda é composta por um conjunto de infraestruturas, com realce para o matadouro, 12 aviários, oficinas, armazéns, câmaras de conservação de produtos, área administrativa, posto médico e uma loja.
Gerardo Dvir disse que uma das tarefas que foi consolidada nos primeiros meses de funcionamento da fazenda é a conformação do quadro orgânico, organização dos diferentes serviços e admissão do pessoal.
O quadro orgânico da fazenda comporta dois técnicos superiores angolanos, que ocupam as principais direcções, nomeadamente a direcção da pecuária e a de avicultura, gestão de recursos humanos e serviços gerais, assegurados por 190 trabalhadores de diferentes categorias e ocupações profissionais. O director da fazenda disse que o número de trabalhadores vai aumentar à medida em que os negócios da fazenda forem se desenvolvendo.

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