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Casos de paralisia mobilizam autoridades

Isidoro Samutula| Caungula

Novos casos de paralisia foram registados este ano, no Município de Caungula, revelou sexta-feira o chefe da Repartição Municipal da Saúde, Alfredo Kiala.

Os habitantes do município de Caungula foram aconselhados a deixarem de consumir a mandioca suspeita de provocar a doença
Fotografia: Joaquim Manuel Aguiar|Caungula

O responsável sanitário salientou que a situação, 140 casos, está a preocupar as autoridades, uma vez que, até ao momento, são desconhecidas as principais causas da doença que, entre outros sintomas, apresenta febres altas e tonturas e a paralisação dos membros inferiores.
O chefe da Repartição Municipal avançou que estão a ser feitos estudos, com vista a encontrar-se o agente causador da doença que está a deixar muitas pessoas paralíticas naquela parcela da Província.
Alfredo Kiala pediu uma intervenção urgente. “Temos registado casos em que membros de uma mesma família são afectados pela doença”, lamentou.
O responsável sanitário sublinhou que deve haver envolvimento dos órgãos da administração dos Serviços de Saúde, com vista à identificação do agente causador da doença.
Os primeiros casos da paralisia foram registados em 2010 e afectaram cerca de 76 pessoas.
Na altura, segundo Alfredo Kiala, as autoridades sanitárias do país fizeram deslocar ao Município de Caungula uma equipa de especialistas da Faculdade de Medicina da Universidade Agostinho Neto, que apontaram um tipo de mandioca cultivada na região como a principal causa. Neste mesmo período, foram recolhidas as amostras da mandioca, mas o chefe da Repartição Municipal da Saúde de Caungula disse que “não se conhece, até ao momento, os resultados da investigação, nem as causas desta doença”. O responsável avançou que as autoridades municipais continuam a aguardar os resultados das amostras colhidas em 2010. Neste momento, as autoridades sanitárias do Município desenvolvem acções de sensibilização nas comunidades, no sentido de prevenir o consumo da mandioca suspeita.
 Alfredo Kiala salientou o quanto tem sido difícil sensibilizar as pessoas para deixarem de consumir a mandioca suspeita de provocar a doença, por ser a base de alimentação da população. Novas infra-estruturas sanitárias Para garantir a assistência médica e medicamentosa à população de Caungula, novos postos de saúde foram inaugurados nas localidades de Txifapo, Tximbuambua e Tximbonji, no âmbito do Programa de Municipalização dos Serviços de Saúde. As novas infra-estruturas, inauguradas pelo governador provincial, Ernesto Muangala, visam melhorar substancialmente a assistência médica e medicamentosa às comunidades e expandir as redes sanitárias em localidades distantes.
 Os postos de saúde, que já entraram em funcionamento, possuem salas de espera e tratamento, farmácia e consultório médico. Numa primeira fase, dois técnicos vão assegurar em cada unidade o atendimento.
Alfredo Kiala disse que a municipalidade precisa de mais 15 postos de Saúde, para serem instaladas em Muieu, Malange, Txicapa, Txipanda, Cagigi Mussende, Txonguela, Mona Quinzagi e Quivunga, por serem localidades distantes das sedes municipal e comunal e com densidade populacional considerável.
O Município conta com um centro de Saúde e seis postos, prevendo-se, para o próximo ano, a construção de um centro de referência com capacidade para 200 camas.
Afonso Kiala apontou igualmente que se deve reforçar o número de médicos e enfermeiros, para colmatar o défice existente.
Neste momento, o Município de Caungula tem apenas um médico ginecologista e 27 enfermeiros, dos quais só sete efectivos.
Em função disso, são necessários mais cinco médicos nas especialidades de pediatria, cirurgia, clínica geral, nutrição, ginecologia, além de mais de 400 enfermeiros.

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