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Chuvas danificam central de captação de água

Armando Sapalo | Dundo

A cidade do Dundo, capital da Lunda-Norte, vai ficar privada do fornecimento de água potável por tempo indeterminado, devido à inundação registada no edifício onde se encontram as cinco electrobombas que fornecem electricidade ao centro de captação e tratamento de água do Mussungue, deu a conhecer na terça-feira o director provincial de Energia e Águas, André Camilo.

Sistema de bombagem está paralizado porque as águas das chuvas inundaram o edifício onde se encontram os equipamentos
Fotografia: Benjamim Cândido| Dundo

A cidade do Dundo, capital da Lunda-Norte, vai ficar privada do fornecimento de água potável por tempo indeterminado, devido à inundação registada no edifício onde se encontram as cinco electrobombas que fornecem electricidade ao centro de captação e tratamento de água do Mussungue, deu a conhecer na terça-feira o director provincial de Energia e Águas, André Camilo.
O responsável do sector das águas referiu que as fortes chuvas que caíram no princípio da semana na cidade do Dundo, acompanhadas de ventos e granizo, causaram estragos nos equipamentos que garantem o funcionamento do sistema de tratamento e fornecimento de água, com realce para a estação de bombagem, que ficou inoperante devido à invasão de água e lixo.
André Camilo disse que enquanto decorrem os trabalhos de remoção dos resíduos sólidos, o abastecimento e distribuição de água potável à cidade do Dundo vai conhecer uma paralisação parcial.
 Explicou que a central de captação de Cazunda, que vai servir de alternativa para assegurar o abastecimento de água, não corresponde às necessidades dos cerca de 200 mil consumidores, por produzir apenas 120 metros cúbicos de água por hora, contra os 300 metros cúbicos da captação do Mussungue.
O director provincial de Energia e Águas assegurou que estão a ser conjugados esforços entre o seu pelouro e os Serviços de Protecção e Civil para a mobilização de equipamentos, como desentupidores e motobombas, visando a remoção da água e do lixo que se encontra no interior da casa das bombas da captação do Mussungue.
Esclareceu que após a remoção dos resíduos transportados pelas águas das chuvas, os  mecânicos da direcção provincial da Energia e Águas vão proceder à manutenção e testagem dos equipamentos, para avaliação dos reais danos.
André Camilo alertou que o trabalho “pode levar tempo” e solicitou, por isso, a compreensão dos consumidores.

Falta de vegetação

André Camilo afirmou que a falta de vegetação no perímetro que liga o bairro Samacaca à central de captação do Mussungue contribuiu para a formação do enorme caudal de água das chuvas que atingiu a estação do Mussungue.
O responsável do sector das águas apontou a desmatação dos terrenos naquela zona, para a construção de residências, como estando na base da falta de vegetação.
Por isso, defendeu a tomada de medidas para evitar situações que põem em risco o normal funcionamento do sistema de captação e tratamento de água.
André Camilo sugeriu, por outro lado, a criação de uma comissão provincial multissectorial, envolvendo a sua direcção e as de Urbanismo, Ambiente e Obras Públicas, para definir políticas de repovoamento florestal da zona e a construção de uma vala de drenagem. 
“Por ser uma zona nobre, em que decorrem obras de requalificação da cidade do Dundo, julgamos ser importante que se reforce também nesta área o sistema de saneamento básico, sob pena de um dia perdermos este empreendimento, que custou muito dinheiro ao Estado, devido às constantes chuvas que caem na nossa região”, salientou.
Por seu lado, o responsável da e­quipa que garante o controlo e funcionamento dos sistemas de captação de água do Mussungue e Cazunda, João Bernardo, disse ao Jornal de Angola que devido à inclinação do terreno em que está implantado o projecto e às construções anárquicas que proliferam na zona, as correntes de água e os resíduos sólidos têm como destino a estação de bombagem de captação de água do Mussungue.
João Bernardo receia que a situação ganhe proporções alarmantes, por falta de valas de drenagem. “Continuando assim, as águas podem originar grandes ravinas no perímetro entre o bairro Samacaca e a captação do Mussungue”, disse.
Reabilitadas no quadro dos programas do Executivo angolano que visam a melhoria dos serviços básicos à população, as centrais de captação do Mussungue e Cazunda foram inauguradas em Abril de 2011, pelo ministro da Administração do Território, Bornito de Sousa.
Os dois projectos estão concebidos para fornecer 420 mil metros cúbicos de água por hora, através de um sistema de conduta de cinco quilómetros, a dois reservatórios e garantir a distribuição, feita por 49 fontanários, construídos em diferentes zonas da cidade do Dundo, sendo João Bernardo.

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