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Chuvas no Dundo desalojam famílias

Armando Sapalo| Dundo

As intensas chuvas acompanhadas de ventos fortes que se abateram sobre a cidade do Dundo, no começo desta semana, destruíram 360 casas, disse ao Jornal de Angola o porta-voz dos Serviços locais de Protecção Civil e Bombeiros.

As intensas chuvas acompanhadas de ventos fortes e granizo destruíram muitas casas deixando ao relento centenas de famílias
Fotografia: Benjamim Cândido

Francisco Viana explicou que as chuvas desalojaram centenas de famílias, tendo igualmente destruído uma igreja, no bairro Camatundo, um quintal afecto ao Comando Provincial da Polícia Nacional e um cabo eléctrico de baixa tensão.
O porta-voz dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros disse que os dados ainda são provisórios mas apontou os bairros Norte, Camatundo, Aeroporto e Samacaca como as zonas mais afectadas, com residências totalmente destruídas.
Francisco Viana disse que devido à insuficiência de meios por parte da Protecção Civil as autoridades da província e as estruturas centrais estão a trabalhar para garantir o apoio necessário às populações sinistradas, que precisam de comida e  materiais de construção.
“Tivemos uma reunião de emergência, antes de enviarmos a mensagem para as nossas estruturas centrais, para que, em coordenação com o Governo Provincial e a Administração Municipal do Chitato, se encontre uma solução imediata para o problema das famílias sinistradas, com a distribuição, numa primeira fase, de chapas de zinco e  bens alimentares. ”Adiantou que os Serviços Provinciais de Protecção Civil estão a envidar esforços para que as chuvas deixem de causar desastres, tendo defendido a necessidade de se apetrechar a logística local com a aquisição de chapas de zinco, cobertores e produtos alimentares para assistir as pessoas afectadas pelas catástrofes naturais. 
O porta-voz da Protecção Civil e Bombeiros informou que, tendo em conta as fortes chuvas com ventos e granizo, o Governo  prevê estudar mecanismos para, junto das administrações municipais, se criar um fundo para responder a situações de emergência.
No quadro da mobilização de recursos para o reforço da assistência humanitária aos sinistrados, disse, a verba a ser disponibilizada, cujo valor é depositado mensalmente, vai servir para apoiar o realojamento provisório das populações que vivem em áreas de risco para outras mais seguras, além de permitir a deslocação urgente das forças de Protecção Civil e Bombeiros.

Zonas de risco

Visivelmente triste pelo facto da chuva ter destruído a sua casa, Marta Solange, solteira e mãe de três filhos, residente no Bairro Norte, disse que está abrigada em casa de uma vizinha.
Além da perda da casa, construída com muito sacrifício, Marta Solange viu destruídos os electrodomésticos e todos documentos pessoais da família. “Com maior ou menor dificuldade, apesar de estar desempregada, posso voltar a ter uma nova casa, mas dói-me muito ter perdido também a documentação dos meus filhos.”
Ernesto Muriba, residente no bairro Camatundo, reconheceu que a sua casa ficou afectada pelas fortes chuvas por estar construída numa zona de risco, o que deixou em perigo a família e os bens.
“Fomos aconselhados pela Administração Municipal a não construirmos aqui mas a ansiedade de ter uma casa própria, provocada também pela escassez de terrenos, levou-me a esta teimosia e quase perdia a minha família”, reconheceu, solicitando ajuda, pelo menos em chapas de zinco.

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