Províncias

Chuvas torrenciais destroem casas na Lunda-Norte

João Silva| Dundo

As chuvas constantes que se abateram sobre a província da Lunda-Norte nos últimos três meses provocaram a morte de quatro pessoas e o desabamento de 225 casas, anunciou no Dundo o comandante provincial dos Serviços de Protecção Civil e Bombeiros, Venâncio Catoto.

As chuvas estão a causar vários prejuízos em quase todo o país com destaque para a destruição de casas e estradas intransitáveis
Fotografia: JA

O município do Chitato lidera a lista de pessoas sinistradas, com mais de 170 cidadãos atingidos. Este ano, as chuvas foram acompanhadas de ventos fortes e granizo, tendo atingido grandemente as zonas consideradas vulneráveis às ravinas e de pouco saneamento básico.
Como consequência das fortes chuvas, as ravinas alastram, o que atrapalha a vida pública e das populações que vivem nas áreas afectadas, segundo o comandante.
Venâncio Catoto revelou que a comissão provincial de Protecção Civil controla um total de 68 ravinas a nível da província da Lunda-Norte, sendo 46 consideradas como de risco extremo, na sua maioria localizadas no município do Chitato, que alberga igualmente o maior número de ravinas com tendências progressivas.
As 225 famílias sinistradas pelas enxurradas, durante os primeiros três meses deste ano, foram apoiadas de imediato, pela comissão provincial de Protecção Civil e Bombeiros, com géneros alimentícios, medicamentos, roupa usada, chapas de zinco, tendas, entre outros bens, que minimizaram de alguma forma as suas dificuldades.O comandante Venâncio Catoto referiu que um número considerável de pessoas que viviam em zonas de risco foi realojado em áreas de maior segurança.
A equipa técnica da comissão provincial de Protecção Civil e Bombeiros montou dez pára-raios em algumas infra-estruturas e está previsto serem postos mais 28 sistemas nos próximos dias.
O comandante adiantou ainda que a situação operativa da província da Lunda-Norte, de Janeiro a Março deste ano, conheceu alterações significativas, devido ao número reduzido de casos de incêndios, desabamentos de casas, mortes e feridos, fruto da voluntariedade e entrega dos efectivos da corporação, apesar das deficiências técnicas, materiais e humanas.
O balanço trimestral regista cerca de 240 ocorrências diversas, menos 76 em relação ao mesmo período do ano transacto, com realce para 15 incêndios, três acidentes de viação, que resultaram em oito mortes e danos materiais calculados em mais de quatro milhões de kwanzas.  Em termos de serviços de socorros prestados, foram assistidos mais de 120 casos, 14 extinções de incêndio e removido um cadáver.
“Muitas vezes, a fraca intervenção dos bombeiros na extinção de incêndios registados na periferia, que acabam em vítimas mortais e danos materiais, tem a ver com as construções anárquicas e falta de arruamentos em locais de risco”, disse, assegurando que a comissão de Protecção Civil e Bombeiros, em colaboração com as autoridades tradicionais e a população, tem realizado acções de sensibilização nas comunidades, para se evitar construções de casas em sítios inseguros e não autorizados pelos órgãos competentes.
A falta de infra-estruturas próprias para melhor prestação de serviços do órgão na sede da província e de quartéis municipais, ausência de mais extintores para fazer face aos incêndios, meios de comunicação inter-municipais para corresponder à operatividade, acções de formação de quadros médios e superiores, foram apontados por Venâncio Catoto como sendo os principais problemas com que se debate o órgão que dirige.
Além disso, o comandante referiu haver falta de transporte para o pessoal, meios informáticos, sistema HF para o apoio em zonas de acolhimento dos sinistrados das chuvas e de mais efectivos para prestarem serviços nos municípios e comunas.

Tempo

Multimédia