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Cidade do Dondo em franco crescimento

Silvino Fortunato | Dondo

O Dondo, uma das mais velhas localidades urbanas do país depois de Luanda e Benguela, comemora hoje o seu 39º aniversário de elevação à categoria de cidade.

Vice-governador Erlindo Lidador
Fotografia: Silvino Fortunato | Dondo

O Dondo, uma das mais velhas localidades urbanas do país depois de Luanda e Benguela, comemora hoje o seu 39º aniversário de elevação à categoria de cidade. Na abertura das celebrações, no sábado, o administrador municipal, Mateus António da Costa, considerou fraco o crescimento e modernização da cidade, mas garantiu que tudo está a ser feito para se alterar esta situação. Projectos de construção de residências para a população, melhoria e aumento das escolas e novos postos hospitalares são algumas das estratégias delineadas para ultrapassar o actual contexto.
No ramo imobiliário, estão quase concluídas 31 habitações, enquanto 200 outras estão a ser erguidas desde Abril, além da ampliação de escolas do ensino secundário com mais seis salas. O programa inclui ainda a construção de 50 casas evolutivas, em diferentes pontos da cidade do Dondo, e estão a decorrer obras no centro de captação, tratamento e distribuição de água para o município.
Além disso, estão a decorrer trabalhos de substituição dos lancis antigos das três pontes localizadas no morro do S e iniciou-se a reparação da estrada de acesso à cidade de Ndalatando.
Mateus António da Costa explicou que apesar dos esforços para oferecer melhores condições de vida às populações, muitos bairros da cidade não dispõem ainda de iluminação e água potável. No entanto, admitiu que a situação pode melhorar nos próximos tempos, tendo em conta os trabalhos que estão a ser desenvolvidos.

Outros investimentos
 
As autoridades municipais têm estado a prestar particular atenção à preservação do património histórico e cultural, obedecendo à característica primária dos imóveis do Dondo, na sua maioria erguidos em finais do século XVI e princípios do século XVII.
No acesso ao mais antigo bairro Caoio, está a ser erguido um hotel de investimento privado. À beira do rio Kwanza, na famosa Marginal, surge uma outra iniciativa privada. O vice-governador da província para o sector Técnico e Infra-estruturas, Erlindo Lidador, adiantou que se pretende transformar a cidade do Dondo num pólo de atracção turística. 
Além dos ganhos económicos garantidos através das empresas que estão a erguer os vários edifícios e outras infra-estruturas, o movimento de construção da cidade permite também a criação de postos de trabalho.
As festas da cidade, que decorrem sob o lema “Dondo ontem, hoje e sempre”, foram marcadas pela realização de feiras mercantis, sessões culturais e recreativas, retiros turísticos, maratonas de comes e bebes e palestras educativas, entre outras actividades.
A cidade do Dondo, que fica a cerca de 180 quilómetros de Luanda, a capital do país, e a 75 de Ndalatando, a sede provincial do Kwanza-Norte, alberga 57.344 habitantes e ocupa um território de 48 quilómetros quadrados.   
 
Historial da cidade
 
O Dondo, capital do município de Cambambe, ascendeu à categoria de cidade a 29 de Maio de 1973, num acto orientado pelo então governador-geral de Angola, Fernando Santos.
A ascensão à categoria de cidade foi uma consequência do potencial económico da cidade do Dondo, resultante da construção da barragem de Cambambe, do complexo têxtil Satec, da sociedade de Vinhos (Vinelo), da unidade de produção de matérias de construção (pré-blocos) e da sociedade algodoeira do Ambriz, além de numerosos campos agrícolas, que sustentavam as fábricas e exportavam produtos para o resto do país e para a Europa.
A velha cidade, antigamente encravada no reino do Dongo, tem um passado recheado de histórias relevantes. Na época, a população local era predominantemente camponesa, mas mais tarde passa a dedicar-se, na sua maioria, à vida mercantil, devido à influência e trânsito dos comerciantes de então. Muitos deles fixaram-se no Dondo, onde ergueram, mais tarde, inúmeros estabelecimentos comerciais, instituições públicas, fiscais e privadas. No centro da cidade podemos encontrar, a título de exemplo, a câmara, o mercado e um pequeno cemitério municipal (este construído no quintal da câmara).
No domínio privado, vemos ainda os escombros da casa Leão, casa Bentes e outros empreendimentos de grandes dimensões e valor na altura.
A maioria das habitações do município Dondo, no Kwanza Norte, continua a conservar a estrutura arquitectónica dos séculos XVI, XVII e XVIII, resistindo ao tempo.
 
Obra literária
 
No quadro das festas da cidade do Dondo, o escritor e deputado reformado, Victorino Ferreira Nicolau, conhecido nas lides literárias como “Kanda”, apresentou pela primeira vez a sua obra intitulada “Os longos dias de resistência”.
O livro, de 175 páginas, junta os estilos narrativo poético e poesia de combate, traduzindo a sua vivência nacionalista e a sua participação na vida política nacional, antes, durante e depois da independência do país.
O autor, que diz ser uma obra inacabada, aborda ainda no seu livro várias histórias, acontecimentos e vivências dos cidadãos registados na cidade do Dondo, sobretudo no período de guerra pós 1992.
A obra, cujo primeiro poema, intitulado “Paciência”, foi escrito há 43 anos, foi prefaciada pelo escritor angolano Mendes de Carvalho,  “Uanhenga Xitu” e apresentada pelo também escritor Lopito Feijó.

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