Províncias

Combate à sida ganha nova dinâmica

Armando Sapalo | Dundo

O combate ao vírus da Sida está a ganhar outra dinâmica a nível da província da Lunda Norte, com a implementação em 26 unidades sanitárias e de cuidados primários de saúde do Plano de Aceleração de Resposta e Controlo da Propagação da doença.

Os serviços de pediatria do hospital geral da Lunda Norte ainda carecem de medidas de prevenção e combate ao HIV/sida
Fotografia: Benjamim Cândido

O chefe de departamento provincial da Saúde Pública e Controlo de Endemias, Francisco Ernesto, disse que a medida está a contribuir para a redução dos níveis de contaminação da doença, mas existe ainda um fraco trabalho de mobilização para a mudança de comportamento das pessoas.
O plano é consubstanciado na criação de serviços de aconselhamento e testagem, prevenção da transmissão vertical e tratamento anti-retroviral para crianças e adultos.
Desde o mês de Julho de 2014 até à presente data, há uma relativa expansão dos serviços de testagem, aconselhamento e tratamento do Sida para as unidades sanitárias do interior da província, o que permitiu uma cobertura de 27 por cento.
Francisco Ernesto esclareceu que, em termos de cumprimento das metas estabelecidas pelo Executivo para o período 2014/2015, a Lunda Norte, em função do trabalho desenvolvido, atingiu 51 por cento da implementação do Plano de Aceleração de Resposta ao VIH/Sida.
A última avaliação nacional colocou o desempenho da província a nível médio, por existirem ainda valores negativos para os serviços dirigidos à criança e adultos. O grande problema, admitiu o responsável da Saúde Pública, prende-se fundamentalmente com factores ligados à fraca mobilização e consciencialização sobre a importância das populações observarem a prevenção e tratamento.
“Um dos grandes problemas que até hoje enfrentamos tem a ver não só com a prevenção, mas sobretudo com a adesão ao tratamento daquelas pessoas diagnosticadas com o vírus”, lamentou o médico.
O chefe de departamento da saúde pública e controlo de endemias revelou que de Janeiro a Outubro deste ano um total de 11.304 pessoas fizeram o teste de VIH/Sida, com 11 por cento de casos positivos.
Noutro grupo, foram testadas 11.883 mulheres grávidas e o diagnóstico confirmou 492 casos positivos, correspondendo a quatro por cento de seropositividade.
“Ainda temos os indicadores muito baixos em relação ao tratamento, devido ao medo da discriminação. Por isso, muita gente não adere aos programas de medicação e acompanhamento”, lamentou.
Por exemplo, revelou que do número de mulheres grávidas, onde se notificaram casos positivos, apenas 55 por cento acorrem ao tratamento, sendo que outras preferem evitar este serviço por medo de sofrer discriminação. Francisco Ernesto defende que sejam reforçadas as acções de combate à discriminação de pessoas que vivem com o vírus da Sida, tanto no seio das comunidades como nos postos de trabalho.
O médico garantiu que a situação do VIH/Sida a nível da Lunda Norte está controlada. As atenções vão também estar centradas na necessidade da retenção de pacientes ao programa de tratamento, além de melhorar o sistema de informação para uma maior prevenção.

Tempo

Multimédia