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Constituídos comités de pilotagem para regularizar créditos agrícolas

João Silva| Dundo

Os camponeses organizados em associações e cooperativas agrícolas da província da Lunda-Norte precisam de equipamentos e meios mecanizados para diversificarem a actividade agro-pecuária e obterem rendimentos e colheitas no fim de cada época de cultivo.

Os camponeses organizados em associações e cooperativas agrícolas da província da Lunda-Norte precisam de equipamentos e meios mecanizados para diversificarem a actividade agro-pecuária e obterem rendimentos e colheitas no fim de cada época de cultivo.
Segundo o presidente da União Nacional das Associações de Camponeses e Cooperativas Agrícolas da Lunda-Norte, Daniel Mutambuleno, os produtores precisam de tractores com alfaias, carroças, charruas, moto-bombas, gado bovino para tracção animal e micro-créditos de campanha.
Os camponeses necessitam também de meios rolantes para escoarem os produtos do campo para as zonas urbanas e suburbanas, fertilizantes, adubos, catanas, enxadas, e apelam para a melhoria das vias de acesso, pelo facto de as lavras estarem distantes.
Daniel Mutambuleno disse que apenas o município de Capenda Camulemba tem equipamentos mecanizados, entregues há três anos pela administração local, às associações de camponeses e cooperativas agrícolas, daí o registo de maior produção de alimentos. O responsável da UNACA apelou às outras administrações locais para seguirem o exemplo de Capenda Camulemba, que com iniciativa própria e fundos de intervenção municipal conseguiu adquirir meios e instrumentos para distribuir aos camponeses.
Desde 2008, altura em que 17 associações de camponeses e sete cooperativas do município do Chitato beneficiaram de micro-crédito de campanha, mais nenhuma associação recebeu créditos do Banco de Poupança e Crédito (BPC) para adquirir os instrumentos e equipamentos de trabalho.
O processo, referiu o responsável, foi interrompido pelo BPC devido aos incumprimentos dos primeiros beneficiários do reembolso dos empréstimos recebidos, embora neste momento já estejam a amortizar os montantes recebidos. Agora começaram a surgir problemas de organização de documentos pelos solicitantes.
O representante da UNACA na Lunda-Norte afirmou que , com base nos contactos feitos com a gerência regional leste do BPC, ficou definido que as administrações municipais devem constituir comités de pilotagem para exercerem o papel de intermediários junto do banco e dos beneficiários do micro-crédito de campanha agrícola.
O Jornal de Angola apurou que a partir deste ano, com a organização dos processos exigidos aos produtores agro-pecuários, se os comités municipais de pilotagem criados funcionarem, o BPC tem as portas abertas para atribuir os créditos de campanha, uma vez que há garantias de reinício do processo.

Boa campanha

Com o início da época agrícola, em Janeiro passado, e tendo em conta as potencialidades da Lunda-Norte, em termos de solos férteis, chuvas abundantes, extensão territorial para o cultivo e a força de vontade dos cidadãos produzirem a terra, Daniel Mutambuleno acredita numa boa campanha agrícola e maiores colheitas.
Segundo o presidente da UNACA da Lunda-Norte, os camponeses, apesar do trabalho manual e todas as dificuldades, “jamais vão cruzar os braços, aguardando pelas máquinas e micro-créditos bancários para trabalharem a terra e obter bons resultados, o que permitiria melhorar a sua dieta alimentar”.
O número de associações de camponeses e cooperativas agrícolas na província está a aumentar, facto que alegra o representante da UNACA. “A sociedade está a corresponder com o lema do Executivo angolano de que devemos trabalhar cada vez mais a terra para o combate à fome e à pobreza”.
A UNACA tem inscritas 574 associações de camponeses, com 29.775 enquadrados em grupos familiares, sendo 15.766 mulheres e 14.009 homens, 94 cooperativas agrícolas, agrupadas por 6.500 produtores, dos quais 3.449 homens e 3.051 mulheres.

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