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Crédito de campanha em Xá-Muteba faz aumentar os níveis de produção

Armando Sapalo | Xa-Muteba

A actividade agrícola no município do Xá-Muteba tem conhecido progressos consideráveis, com a concessão do crédito agrícola de campanha aos camponeses organizados em cooperativas e associações, disse na quarta-feira ao Jornal de Angola a administradora da circunscrição.

Camponeses associados em cooperativas aumentaram as áreas de cultivo e os rendimentos das famílias permitem sustentar os filhos
Fotografia: Benjamim Cândido

A actividade agrícola no município do Xá-Muteba tem conhecido progressos consideráveis, com a concessão do crédito agrícola de campanha aos camponeses organizados em cooperativas e associações, disse na quarta-feira ao Jornal de Angola a administradora da circunscrição.
Angélica Nené Curita esclareceu que durante o desenvolvimento da primeira fase do crédito agrícola, 2.718 camponeses associados beneficiaram de financiamento junto do Banco de Poupança e Crédito (BPC).
No total, cada camponês associado recebeu cinco mil dólares, convertidos em meios agrícolas, como tractores, charruas, moto-bombas, motorizadas, semeadoras, pulverizadoras, enxadas, catanas, sementes e fertilizantes, tendo em vista o aumento dos níveis de produção.
Na localidade, está em curso o processo de apuramento, pelo Banco de Poupança e Crédito, de mais 123 processos, para contemplar mais camponeses e cooperativas agrícolas do município. Os responsáveis do BPC garantiram ao comité de Pilotagem local, adstrito à administração municipal, que até ao final do ano, todos os camponeses que têm os processos organizados vão ser atendidos.
Angélica Nené Curita assegurou que o Programa do Executivo, que visa apoiar os pequenos e médios agricultores, está a contribuir para o incremento da produção, tendo em conta que os camponeses deixaram de praticar a agricultura rudimentar e passaram à moderna, devido aos meios que estão a ser postos à sua disposição.
“No primeiro trimestre do presente ano agrícola, foram obtidas 400 toneladas de hortícolas e 44 de mandioca, cuja produção é comercializada em grandes quantidades nos mercados das províncias de Malange, Luanda e outros pontos do país”, afirmou. As autoridades municipais do Xá-Muteba controlam 81 associações e 14 cooperativas.
No município está igualmente em curso o programa de repovoamento do gado bovino, para incentivar a sua criação e reduzir a importação de animais. Até agora já foram distribuídas 182 cabeças de gado por vários criadores da região.  Criação de emprego
O responsável da cooperativa agrícola Yeza, Abel Mulei Ngombo, que beneficiou do crédito, disse que a aposta do Executivo em apoiar os agricultores da região permite lançar as bases para o desenvolvimento de uma agricultura sustentável e contribuir para as acções tendentes a reduzir os níveis de pobreza no seio das comunidades. O financiamento, destacou o agricultor, está a incentivar e ajudar a sua empresa a aumentar a produção e a aumentar o rendimento dos trabalhadores, para melhorar a qualidade de vida das suas famílias.
A cooperativa Yeza possui 150 hectares e dedica-se à produção de hortícolas, com uma colheita trimestral estimada em dez toneladas, além do cultivo de mandioca em grande escala.  Abel Mulei Ngombo explicou que com o dinheiro que recebeu do BPC vai introduzir mecanismos eficazes de gestão e estabelecer novos métodos e técnicas de produção, assim como dinamizar a rede de comercialização de produtos.
Quanto aos projectos de criação animal, o agricultor adiantou que actualmente conta com 75 cabeças de gado bovino e tenciona investir mais de 700 mil kwanzas para adquirir mais animais na província Huíla.  Michel Yamikuami, trabalhador agrícola na fazenda Yeza disse estar satisfeito pelo facto de há dois anos ter conseguido um emprego e lembrou que com os ordenados que recebe ajuda no sustento da família, principalmente na compra de material escolar para os três filhos.
O jovem camponês, de 27 anos, assegurou que os trabalhos decorrem sem sobressaltos, com resultados animadores em termos de produtividade, mas ainda defende a necessidade de ver dignificado o seu trabalho com um salério melhor.
“Gosto do trabalho que faço e com o salário, embora pouco, consigo sustentar a minha família. Compro cadernos para os meus filhos e comida para que cresçam com saúde e no futuro serem homens de bem com a sociedade”, explicou.

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