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Crise diamantífera ajuda a diversificar economia

Joaquim Aguiar | Dundo

A reabilitação das principais estradas e pontes constitui prioridade do governo provincial da Lunda-Norte, de forma a permitir que os produtos cheguem rapidamente às populações e garantir o desenvolvimento sustentável da província.

Apesar de estar a recuperar da crise o sector mineiro deixa de ter o
Fotografia: Benjamim Cândido

A reabilitação das principais estradas e pontes constitui prioridade do governo provincial da Lunda-Norte, de forma a permitir que os produtos cheguem rapidamente às populações e garantir o desenvolvimento sustentável da província.
Segundo o governador provincial, Ernesto Muangala, num pronunciamento recente, “para haver um rápido desenvolvimento e promover o intercâmbio comercial entre as províncias do interior, principalmente do Leste do país, temos que pensar primeiro na reabilitação das vias de comunicação”.
“Neste momento, para nós, a prioridade são as estradas nacionais, as terciárias e secundárias, e as pontes. Interessa-nos, também, o normal funcionamento dos caminhos-de-ferro de Luanda e Benguela”, disse.
Ernesto Muangala realçou a importância estratégica dos cerca de dois mil e duzentos quilómetros de estradas que cruzam a província da Lunda-Norte, com destaque para as estradas nacionais 230, 180, 180-A e 225, cuja recuperação vai contribuir, significativamente, para o desenvolvimento multissectorial da região.
O governador mostrou-se optimista quanto à execução prática dos projectos e apontou a recuperação da estrada nacional 230, já asfaltada até à cidade de Saurimo, e os trabalhos em curso no troço Lucapa-Dundo, como exemplos do empenho do Executivo na reparação das vias de comunicação, para garantir fácil acesso à província da Lunda-Norte.
O governante destacou, igualmente, os trabalhos, em curso, de reabilitação da rede viária da cidade do Dundo e arredores, num percurso de mais de trinta quilómetros.
Ernesto Muangala considerou de extrema importância os caminhos-de-ferro de Luanda e de Benguela para o desenvolvimento económico da província, como vias alternativas que vão permitir o escoamento de grandes quantidades de mercadorias à província da Lunda-Norte, a partir do litoral do país, contribuindo, desta forma, para a redução dos custos de transporte dos produtos.
Manifestou-se esperançado quanto ao recomeço das obras do aeroporto do Dundo, paralisadas há cerca de um ano por insuficiência financeira da ENANA. A TAAG, disse o governador, tem estado a perder grandes oportunidades de negócios com a inoperacionalidade da pista da cidade do Dundo, há mais de três anos. “Temos conhecimento que depois de Ondjiva, a rota de maior rentabilidade é o Dundo. Daí pensarmos que é importante haver interesse, não só do governo local, como também da TAAG, na recuperação do aeroporto do Dundo”, sublinhou.
Ernesto Muangala explicou que “estabelecemos contactos com o ministro dos Transportes, de forma a serem retomadas, em breve, as obras de recuperação do aeroporto, para que a nossa província comece a receber, também, as aeronaves modernas da nossa companhia aérea”.

Chove até no cacimbo

Ao pronunciar-se sobre a situação social e económica da província, Ernesto Muangala afirmou que aposta, grandemente, “no desenvolvimento do sector da agricultura, para a diversificação da economia e fazer com que a província não dependa, única e exclusivamente, dos diamantes”.
Sublinhou que a Lunda-Norte é uma província com muito potencial e oportunidades para desenvolver a agricultura, tendo em conta a fertilidade das suas terras e a enorme bacia hidrográfica.
“Para além da abundância de rios, até mesmo em tempo de cacimbo aqui chove. Temos muita água e terra fértil, temos oportunidades que podem ser aproveitadas pelos investidores nacionais e estrangeiros”, afirmou.
O governador revelou que há investidores que apresentam projectos de desenvolvimento da agricultura na província, e encontram abertura por parte do governo provincial. “Estamos a trabalhar com investidores no ramo da agricultura”, disse, “sobretudo para o cultivo de arroz nos municípios de Xá-Muteba e Capenda Camulemba. Há a empresa Max-Angola, constituída por angolanos e brasileiros, e uma outra vietnamita, que vai desenvolver, também, a cultura do arroz no Nordeste da província, à beira do rio Cassai”.
Ernesto Muangala lembrou que, no passado, a região Nordeste da província, fundamentalmente à margem do rio Cassai, foi uma zona de cultivo do arroz, que abastecia até as províncias vizinhas.
“Queremos acabar com a imagem de que a Lunda-Norte é só diamantes. Mas é necessário que os empresários invistam na Lunda-Norte, sobretudo os nacionais. Que deixem o Litoral e venham também fazer os seus investimentos aqui”, apelou Ernesto Muangala.
O governador da Lunda-Norte assegurou que a pesca continental é, também, uma das alternativas para diversificação da economia da região, tendo em conta o enorme potencial ainda por explorar.
O programa de desenvolvimento da pesca continental, segundo o governador provincial, consubstancia-se na distribuição de embarcações de pesca e material adicional aos pescadores.

Males que vêm por bem

O governador da Lunda-Norte afirmou, por outro lado, que a crise financeira que afectou o sector diamantífero ajudou, em certa medida, o governo local a encontrar outras alternativas e perspectivar novas políticas, que vão determinar a base de sustentabilidade da vida económica e social da província.
“Ajudou bastante apostar na agricultura e na pecuária e os resultados já são visíveis. Hoje, na província da Lunda-Norte, não há município ou comuna sem associação ou cooperativa de camponeses”, enfatizou.
O governante é de opinião que se deve continuar a mudar, paulatinamente, o quadro económico e social da província, tendo em conta os hábitos de gestão económica que a ex-Diamang introduziu na região, no tempo colonial.
“A Diamang não deu oportunidade para a nossa população desenvolver a agricultura”, disse o governador, lembrando que a multinacional controlava, na totalidade, o sector agro-pecuário da região, com mais de cinquenta mil cabeças de gado bovino e um sistema centralizado de abastecimento de bens essenciais à população.
Ernesto Muangala considerou ser importante que o desenvolvimento sustentável da província seja acompanhado com investimentos no sector da energia, de forma a garantir que os projectos industriais venham a funcionar plenamente. Anunciou a construção, nos próximos tempos, de cinco pequenas centrais hídricas em cinco dos nove municípios da província, bem como do projecto da central hidroeléctrica do Luapasso, no município do Lucapa.
A resolução dos problemas de energia na província, segundo o governador, passa igualmente pela reabilitação e aumento da capacidade de produção da central hidroeléctrica do Luachimo, actualmente a funcionar em condições técnicas inapropriadas, devido ao estado obsoleto dos seus equipamentos.
Hoje, disse o governante, o abastecimento de energia eléctrica, quer a nível da cidade do Dundo, como nas sedes municipais e comunais, é assegurado, basicamente, por grupos geradores. Este sistema coloca problemas complicados, em termos de fornecimento de combustível. Esses problemas serão em breve resolvidos, com a passagem da gestão dos grandes reservatórios, no município do Lucapa, da Endiama para a Sonangol Distribuidora.
A Sonangol está a construir um posto de venda de combustível e lubrificantes de maior dimensão, na capital da província. Existem também iniciativas de empresários locais, que muito têm contribuído para a melhoria significativa no abastecimento de combustível à cidade do Dundo e aos diferentes municípios.
O governador provincial, Ernesto Muangala, mostrou-se preocupado com a falta de professores para os diferentes níveis de ensino e de alunos nas escolas que estão a ser construídas pelo governo.
Considerou que a falta de alunos, sobretudo meninas, nas escolas, “é um problema social cuja resolução deve contar com a participação da sociedade civil, principalmente a Igreja Católica e autoridades tradicionais, porque em algumas regiões da província, várias famílias exercem ainda práticas tradicionais que penalizam as meninas”.
Ernesto Muangala disse que no município do Caungula, o governo provincial atribuiu uma residência às madres da Igreja Católica, “que vão ajudar na sensibilização das comunidades para que haja mais alunos a frequentar a escola, de forma a reduzir, gradualmente, o número de alunos fora do sistema de ensino”.
Ernesto Muangala disse estar satisfeito com a adesão dos jovens ao Ensino Superior, fundamentalmente na Escola Superior Pedagógica, adstrita à Universidade Lueji Ankonda, que até ao momento já pôs no mercado mais de trezentos bacharéis em diferentes especialidades.
Com a entrada em funcionamento, no próximo ano, das faculdades de Direito e de Economia, os jovens terão um leque maior de alternativas de formação.

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