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Defendida gestão racional dos recursos financeiros

Armando Sapalo | Dundo

Gestores de diferentes unidades sanitárias da província da Lunda Norte, reunidos em Conselho Alargado de Direcção da Saúde, na cidade do Dundo, foram desafiados a primarem por uma gestão rigorosa dos recursos financeiros postos à sua disposição.

Participantes no Conselho Alargado de Direcção analisaram entre outros assuntos o asseguramento do sistema de saúde
Fotografia: Armando Sapalo|Dundo

O director Provincial da Saúde, Buajica Mambelo, que dirigiu os trabalhos, alertou para a necessidade da contenção das despesas, para dar continuidade ao programa de alargamento dos serviços sanitários e manter os “stocks” de medicamentos essenciais para assistência às populações.
Aconselhou a definir as prioridades, com vista a garantir a qualidade e humanização na prestação dos serviços de saúde às comunidades e disse que o Governo disponibilizou, este ano, 3,6 milhões de kwanzas, destinados a de 25 projectos para o sector da saúde, no quadro do Programa de Investimentos Públicos.
Entre as prioridades, destacam-se o alargamento da rede sanitária por via da construção de centros e postos médicos nas sedes municipais, comunais e comunidades de maior aglomeração populacional, afastadas das zonas urbanas.
Também está prevista a construção de seis centros médicos, quatro centros materno-infantis e a conclusão das obras de reabilitação e ampliação do Hospital Central do Dundo, que vai ser aumentado a sua capacidade de internamento de 100 para 240 camas.
O director da Saúde disse que no ano passado a província registou melhorias consideráveis na assistência médica e medicamentosa, uma vez que foram materializadas com êxito as acções programadas.  Buajica Mambelo realçou a expansão da rede sanitária a todos os municípios e comunas, fixação de quadros, sobretudo médicos, nas unidades sanitárias de referência, localizadas no interior da província, reabilitação e aumento da capacidade de internamento dos hospitais Sanatório de Sacavula e do Dundo.
 No ano passado foram adquiridos meios de alta tecnologia para os serviços de diagnóstico de patologias, antes inexistentes na região.
 A aquisição de clínicas móveis, instalação de morgues nos municípios, o arranque das obras de construção da Escola de Formação de Técnicos de Saúde, clínicas de diagnóstico e depósito provincial de medicamentos, são as acções que foram concretizados no ano passado, no sector da Saúde.

Conselho de direcção

O primeiro Conselho de Direcção da Saúde da Lunda Norte visou estabelecer mecanismos eficazes para a optimização e racionalização de recursos financeiros colocados à disposição do sector, para melhorar os actuais indicadores e o alcance das metas preconizadas pelo Plano Nacional de Desenvolvimento Sanitário.
Os participantes no conselho analisaram também a questão dos recursos humanos disponíveis na província, para o asseguramento do sistema de saúde e projectar as necessidades de formação e recrutamento de novos quadros. A gestão dos medicamentos, mobilização de meios financeiros para a sua aquisição e o reabastecimento aos municípios e unidades sanitárias, foram igualmente temas abordados.
 
Primeira cirurgia 

O director do Hospital Central do Dundo, Gimi Nhunga, informou que uma equipa de médicos realizou, a 21 deste mês, com sucesso, a primeira intervenção neurocirúrgica, naquela unidade.
A cirurgia durou duas horas e a paciente foi uma menina de 11 anos, que padecia de um abcesso cerebral.  Visivelmente satisfeito, o  director do hospital considerou ser um caso inédito, por ser a  primeira vez que se realiza uma cirurgia do género na unidade sanitária.  Gimi Nhunga disse que se tratou de uma cirurgia complexa, uma vez que o Hospital Central do Dundo não tem um aparelho de tomografia, que permite, através do computador, fornecer dados de diferentes perfis, combinados e calculados para formar imagens em fatias, com vista a facilitar o diagnóstico da patologia.
“ Mesmo sem um tomógrafo, que ajuda bastante nesse tipo de intervenções, conseguimos realizar, com sucesso, a cirurgia, mas está previsto ainda este ano, a instalação de um aparelho de tomografia”, disse. A paciente que foi submetida à intervenção cirúrgica deu entrada no hospital em estado  coma.
“No primeiro contacto que tivemos com a criança, decidimos evacuá-la para Malanje, mas como estava em coma, fizemos uma outra abordagem que nos levou a uma intervenção neurocirúrgica”, explicou o directo do hospital.
 A menina continua internada, com excelentes margens de recuperação, sem apresentar quaisquer tipo de sintomas ou complicações.
Gimi Nihunga informou que à semelhança desta, outras cirurgias avançadas vão ser realizadas no Hospital Central do Dundo. Acrescentou que está programada outra intervenção neurocirúrgica de ponta, numa criança com problemas de hidrocefalia.
“Temos um bloco operatório de alta tecnologia e contamos também com um neurocirurgião muito  experiente, fruto dos investimentos que estão a ser feitos pelo Governo Provincial, porque a nossa intenção é reduzir o elevado índice de transferências de pacientes em estado grave para Luanda”, disse.

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